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Mostrando postagens de Setembro, 2018

Quando uma imagem nos devora?

Imagem
Por Gilvaldo Quinzeiro




A impressionante obra de arte acima é de uma aluna, Gardênia Silva, do 2º ano D, do Colégio Militar Tiradentes IV. Ao ver tal obra, de cara, fiquei mudo de alguma forma! E não pude conter o meu desejo de tentar captar não sóo seu aspecto visual, mas sobretudo o ‘auditivo’ – o meu jeito de dialogar com o imagético. É claro que isso não me seria possível sem antes também ouvir a autora!... A propósito, este texto ainda que partindo de uma imagem, não é do imagético que se ocupará, e sim da escuta. De imagens estamos todos ‘empanzinados’, se antes as escutássemos não teríamos os nossos olhos fixos com tanta tristeza no futuro – tal como a imagem aqui aludida – esta não está à espera de quem simplesmente a contemple, mas sim de quem a ouça(?).
Uma imagem quando não captada a partir da escuta, ela não é outra coisa senão uma ameaçadora esfinge que, tal como na Mitologia está à espera de ser decifrada: “decifra-me ou te devoro”!
Pois bem, por falta desta escuta é qu…

O "oxente" das eleições: que diabo é isso?

Por Gilvaldo Quinzeiro

Este texto tenta captar o olhar do sertão, como se diz, “para o nascente”, no que tange o momento eleitoral conturbado pelo qual passa o Brasil. E por que o olhar do sertão? Exatamente pelo aspecto místico e messiânico que ganhou a disputa eleitoral – algo antropologicamente intrínseco ao nosso imaginário!
Entender esse “imaginário” é fundamental no que se refere a nossa compreensão do atual grau de complexidade em que a questão levantada se insere: que diabos plantamos para colhermos tantos fantasmas?
Para atingirmos a nossa meta vamos percorrer um espinhoso caminho tal qual as veredas do sertão. A cada volta uma sombra; uma moita; uma pedra... Que queiramos ou não somos todos uma espécie de ‘sabugo’ à espera de uma benção!
E para começar a nossa visão cabocla, eis uma assombrosa constatação: nunca “deus e o diabo” foram tão invocados, citados, comparados numa eleição quanto esta, que está em curso! Até parece que estamos encenando o “Auto da Compadecida”, de …

Entre a 'cruz' e o 'fuzil', qual será o símbolo da mais nova cruzada?

Por Gilvaldo Quinzeiro

Que os tempos ficaram difíceis, disso ninguém duvida. Aliás, é bom que se diga que nunca houve tempo fácil. Veja então as queixas de Parmênides ou Heráclito; Platão ou Aristóteles; Júlio Cesar ou Otávio; Jesus ou Judas. Enfim. Cada tempo é prenhe de si mesmo. A questão é saber se a dor é de parir ou por nada sentir.
O discurso apocalíptico, no qual se afoga muitas das correntes religiosas do nosso tempo, todas prenhas da filosofia do ‘quanto pior, melhor’, pois, de outra forma não se constituiriam enquanto tais, têm também às suas algemas presas ao ‘fundamentalismo político’. Talvez pela falta de perspectivas, ao mesmo tempo em que dependem do cumprimento de suas profecias, oscilam ora na busca do novo messias, alguns dizem que já o encontramos, ora na figura daquele que imediatamente a tudo destruirá. Um paradoxo, portanto.
O fato é que religião e política nunca estiveram tão ‘casados’ como no atual contexto da realidade brasileira. E, diga-se passagem, tudo i…

Olho por olho. Uma releitura da nossa crítica situação.

Por Gilvaldo Quinzeiro
Se de repente o olho direito ‘polarizasse’ com o olho esquerdo e vice-versa, acerca do que veem, ocorreria então que o espinho, mesmo furando um dos olhos, seria visto pelo outro, o do olho não furado como o “bem”.
Ora, à luz da sabedora egípcia, o que está acontecendo dentro e fora das redes sociais; nas ruas; nos bares; enfim, no Brasil como um todo, no que se refere a polarização política entre a chamada Direita e Esquerda, o que aliás não é de hoje, o que é de hoje é a completa cegueira de ambos os lados, estamos furando os dois olhos que temos, e, ainda assim, enaltecendo os espinhos!
Em outras palavras, em se pensando a coisa como um todo, e é assim que devemos agir (os antigos egípcios pensavam assim), pois, isso nos pouparia de muitos riscos, há se entender que, Direita X Esquerda é parte do todo, isto é, da realidade brasileira, tanto que,os erros de um estão entranhados no que outro lado percebe como acertos. Isto é, os extremos não passam, dialeticam…

Eu, o peixe também das minhas desilusões

Por Gilvaldo Quinzeiro

Abrir a janela no afã de ver o sol da manhã brotar dentro de casa, é fácil. Muitos fazem disso um hábito enfadonho e sem nenhuma intenção poética: tudo com a mera pressa de fugir da escuridão e do frio da noite passada, e nada mais!
‘Pescar’ o dia de hoje fazendo do último fôlego a isca – eis o abrir da verdadeira janela - isso só nos será possível quando compreendermos também que o ‘peixe’ de ontem, nada agora para além do mar que constitui a intenção deste momento!
A vida não é só aquilo que nos escapa como peixe por entre os dedos, mas o que também permanece, e se emprenha e se engraça de nós mesmos!
Valorizar ou reciclar o que ainda nos resta nas mãos, a parte nossa de cada dia, nos pouparia o tempo, a cabeça e os pés correndo atrás daquilo que já se foi, e que em outras águas, talvez até mais escuras, tenta sobreviver se passando não mais por peixe, e sim por jacaré.
As vezes a fome de peixe é que nos faz esquecer o mar!... Ah quantos mares banhados e esque…

O ‘elástico’ esticado chegou ao seu limite!

Por Gilvaldo Quinzeiro


Bem - bem? – como eu venho chamando atenção através dos meus textos reflexivos (há algum tempo!), a crise brasileira não é só política e econômica. Esta faz parte de um contexto maior que é a ‘crise civilizatória’ pela qual passa a humanidade. Podemos até falar em crise planetária, isto é, os processos de mudanças ora em curso, que são de natureza astronômicas – tudo isso com sérias implicações para a humanidade. Portanto, tal crise tem algo de um âmbito mais geral ao mesmo tempo em que tem algo de particular, esta última são as nossas velhas mazelas como a corrupção, por exemplo. Tudo misturado e fervendo no mesmo caldeirão! É aqui que precisamos agir com sabedoria: o ferver deste caldeirão não pode ruir a casa toda! O combate a corrupção não pode nos transformar em seres abjetos. A nossa fome de comida não pode nos fazer arremetermos com a própria flecha.
O que assistimos ontem, e que merece ser repudiado por toda a sociedade, independentemente do seu viés polít…

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Por Gilvaldo Quinzeiro

A realidade é aquilo que nos abocanha. De outra forma não teríamos noção da nossa boca, e sim da nossa fome.
O ato de devorar, portanto, erige as ‘iscas’ do nosso medo: a realidade cheia de dentes.
Estamos claramente imersos naquilo que é aquoso. Naquilo que é aquoso estamos imersos. O que nos é obscuro e penoso, no entanto, é a nossa condição de ‘peixe frito’.