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O ABC do mundo real: reaprendendo a dar novos passos?

Por Gilvaldo Quinzeiro Ver a corda não significa necessariamente se enforcar com ela! Há, pois, distância e significados diferentes entre um ato e o outro. Uma corda pode nos servir de braços esticados a um pedido de socorro!  Da mesma forma que mergulhar não significa se afogar. Saber e respeitar até onde o seu fôlego alcança é ter, enfim, aprendido sobre si mesmo, bem como sobre as coisas do mar! A pedagogia do mundo real nos ensina que diante desta, isto é, da realidade, não há como não nos sentir esmagado por ela, porém, isso é pedagogicamente nos colocar em nosso devido lugar, e isso por si só já faz muita diferença entre encarar o monstro e ser devorado por este. É neste encontro com o mundo real que saberemos quem somos de fato. Não há outra maneira de sabermos se somos de ouro ou de prata - espelho fixo para muitos, e/ou no grau mais consciente da aprendizagem, concluir que não passamos de meros artefatos de barro – ainda bem! Em um contexto em que toda a geofísica do plane...

Para um aperto de mão: Para onde foi o mundo? Onde estão todos?

Por Gilvaldo Quinzeiro Imagine o uso das big techs pelos homens no mito da caverna citados por Platão em “A Republica”, como a confirmação de uma curtida com a digital de quem perdeu os “olhos” poderia significar a permanência da humanidade toda nas sombras! Ora, é por este prisma que temos que compreender o real perigo do nosso tempo: quem somos nós senão aqueles que, ao primeiro contato com a realidade se desintegrariam por completo, tal qual uma bolha de sabão com um sopro! O que seriam as big techs no tempo de Platão senão os conceitos limitantes? O que dizer dos novos conceitos e dos novos costumes de hoje que só nos fazem perder por completo a noção de realidade? Para onde foi o mundo? Onde estão todos? Essas são as tais perguntas que valem milhões! O que nos une ao tempo de Platão e ao tempo de hoje é a fantasia. Tanto lá como cá a fantasia é uma espécie de balão de ensaio, o problema não é só o balão em si, mas como  sair dele! Por fim, não espere um simples aperto de mão d...

Os atuais carnavais: sinais e leituras da sua não mais realização de catarse?

Por Gilvaldo Quinzeiro O carnaval naquilo que pode significar uma leitura do mundo real é perfeito! Não há nada que se compare ao seu feito.  Além de nos remeter a função de catarse na tragédia grega, tal como descrita por Aristóteles numa das suas mais famosas obras, “Poética”. A questão a ser levantada é:  os enredos das escolas de samba atuais ou das fantasias dos foliões estão a representar o mundo cuja catarse nos aliviaria da dor de não pertencermos à mundo algum, posto que vivemos em bolhas que não suportam sequer um sopro do mundo real? Ou será que o carnaval se tornou prisioneiro das mesmices que de tanto repetir se tornaram refrão das nossas pálidas vidas sem força para se vestir de quaisquer fantasias? Em “o nascimento da tragedia”, Nietzsche já se queixava da perda do vigor, dessa força de vontade, da qual a tragédia se nutria, por conta da prevalência do formalismo apolíneo sobre as coisas dionisíacas. Ora, o carnaval sem o cheiro, o fervor e o canto do povo, não ...

A carta dos Estados Unidos ao Brasil: o anúncio de uma nova guerra do ópio?

Por Gilvaldo Quinzeiro   Decifrar o desenho do mundo ou suas primeiras impressões no tabuleiro geopolítico dos últimos dias, em especial após o início da gestão de Donald Trump e a implementação das suas primeiras medidas, deixaria Édipo de queixo caído diante da esfinge, e o enigma proposto pela esfinge, persiste sem resposta para o desassossego de todos. Afinal o mundo encolheu ou cara do seu atual mandatário, Donald Trump é a nova esfinge? Seja lá o que for, o mundo está virado de cabeça pra baixo. Aliás, se até os pólos magnéticos da terra estão passando por mudanças, como não o mapa do mundo ou a cabeça dos homens? Há quem esteja dizendo que o mundo está caminhando para o que está sendo chamado de tecnofeudalismo.  Eu não discordo, acho interessante tal categorização. Porém,   na minha visão, não sei se mais otimista,  é o que o mundo atual voltou ao século XIX. O mesmo século em que um só país reinava – a Inglaterra! Ora, se estivermos certos, espero que n...

Um inseto e sua camisola?

Por Gilvaldo Quinzeiro    Imagine um inseto se queixando da própria aparência com base nos olhos de quem se veste do permanente estado de espreita, e levasse a cabo o desconforto deste olhar sobre si: mais do que aparência, o inseto perderia a sua ferramenta de trabalho e o irretocável estilo de viver! Nós seres humanos, nômades e fugitivos por natureza, deveríamos em sã consciência agradecer pelo corpo que nos veste e protege, conquanto a nossa preferência pelo olhar faminto do outro a habitar o refúgio das falsas aparências, pois, é ele, o corpo, que nos conduz de forma esquisita de  volta às cavernas: o útero da nossa fome de nós mesmos!

E assim me falou Zaratustra?

Por Gilvaldo Quinzeiro    Para alguns caminhantes na linha do tempo, sejam quais forem as cores do seu amanhecer, em certo sentido, se é que ter   sentido é sentido, para estes, quaisquer que sejam seus passos, estão indo lá para um ponto “futuro”!  E por alguma razão quis o destino que num ponto da linha do tempo hoje, se hoje for entendido como não sendo o ontem ou amanhã -, que aqui nos encontrássemos! Muito prazer! Mas, preste muita atenção meus caminhantes: no seu retorno, assim como o meu, vocês poderão estar condenados a repetir tudo, tudo sem exceção! Mas qual o problema de se repetir tudo, sem exceção? Não se assustem! Apenas faça da sua tragédia diária dança, poesia, arte e encontros! É disso que importa a vida para Nietzsche! E quanto ao choro daquele homem que anda nu pelas ruas de alguma cidade fugindo da roupa que lhe pesa na consciência, pode terminar com o uso das mãos de quem se despertou compreendendo que aquele seja o mesmo homem na vida de ag...

Porque é importante ler Freud no caro café da manhã (IV)

Por Gilvaldo Quinzeiro Freud fala despretensiosamente em “filosofia da ansiedade”, para, em seguida, querer dizer uma outra coisa, ainda que tratando do tema ansiedade, e,  ao proceder assim despretensiosamente  demonstra a sua genialidade no  tocante ao exercício do seu pensar sobre as coisas que nos afetam. Talvez o que  mais nos faça falta no tempo de hoje, seja exatamente uma filosofia para as coisas que já nascem   com a nossa cara, mas para as quais, a nossa boca é muda: dá nome as coisas, isso já nos pouparia de muitas dores de cabeça! Imagine, por exemplo, a importância de se saber   num jogo de futebol quando se tomou “o drible da vaca” ou de saber dá nome a uma dor que em outra parte de nós não poderia ser sentida, senão como “dor de cotovelo”! Freud não só deu nome a uma energia poderosa que nos abarca do pescoço ao dedão do pé, chamando-a de libido, como fez o registro da sua passagem e da sua presença em todos os “espelhos” da nossa v...