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Com a morte, o que se capta?

Gilvaldo Quinzeiro





A propósito do que tem noticiado a imprensa local a respeito dos números crescentes de suicídios , 6 só este mês, o texto a seguir pontua a temática, não com a pretensão de esgotá-lo, mas, com a de abrir a discussão. Ei-lo.


Primeiro, os números por si só devem ser levados em conta pelas autoridades, não só para se porem em estado de alerta, mas, no sentido também de fazerem um estudo investigativo sobre o problema, condição esta necessária para que se saiba as causas.


Segundo, a natureza humana é tão ambígua que, como afirmaria Freud, “há em cada um de nós uma pulsão de morte”. Isto é, há algo em nós que se sente atraído pela morte!

Terceiro, a morte, seguramente é o que nos espera lá na frente. Ou seja, já estamos indo ao seu encontro.

Quarto, o que nos “atrai” na morte não é esta em si, mas, o que encontramos nesta de nós.

Quinto, se estas mortes foram cometidas como “respostas” ou como “solução” a algum problema, então a realidade nas quais estes viviam lhes era esmagadora! Mas, que realidade?

Sexto, segundo Freud, há dois princípios que regem a nossa vida: o da realidade e o do prazer. Ou seja, a maturidade de um individuo pressupõe não só que este conheça estes princípios, mas, que viva em equilíbrio entre ambos.

Sétimo, as novas gerações, não estão sendo educadas para suportarem as perdas, sejam elas de que natureza for. Isto é, estamos criando os nossos filhos, sem que lhes ensinemos o principio da realidade.

Oitavo, por trás de um suicídio está, certamente a falta de uma estrutura psicológica para lidar com as perdas e frustrações. Estrutura esta que se adquire desde os primeiros anos de vida, quando os pais conseguem introduzir aos filhos, o principio da realidade.

Nono, a falta de uma estrutura psicológica para lidar com as perdas, levam as pessoas a entrarem numa depressão, e com esta, só a morte à vista!...

Décimo, a quem interessaria sinceramente numa sociedade sustentado pelo consumo que as pessoas “refletissem” antes de tomar uma decisão?

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