O carnaval como tradição é terapia. Mas como uma outra coisa: é heresia
Por Gilvaldo Quinzeiro O carnaval sem a sua liturgia, qual seja, o rei momo, as tradicionais marchinhas, as fantasias, e sobretudo, a alegria e a irreverência do povo, não é carnaval. É uma outra e perigosa coisa, sem a proteção da tradição. Uma outra e perigosa coisa, que, sem o manto da fantasia tradicional, é simplesmente carne em exposição no açougue! O que se vê hoje, por exemplo, naquilo que apenas leva o nome de carnaval, são gastos milionários para se armar palco para apresentações de bandas e atrações também milionárias, porém, que nada têm a ver com a festa momesca. Uma heresia, digamos assim! Uma tradição, por ser tradição, vai além do modismo; de mal gosto inclusive, como contratar paredões, com música cujas letras arrancam-nos o tampo de tão grossa que são, mas passam longe da poesia e estética carnavalesca – o que é uma monstruosidade! Como se não bastasse, ainda aparece o prefeito fazendo gracinhas, que é tudo, menos uma caricatura típica do carnav...