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A Antologia da Nossa Crise em Tempos de Muito Baile na Corte

Por Gilvaldo Quinzeiro  ​Que me perdoem os arautos da moral ilibada e os “terrivelmente evangélicos”, mas até eles sabem exatamente onde o sapato aperta — e onde o calcanhar de Aquiles vira tornozeleira imaginária. ​Ao cair o sigilo dos autos do caso Master, qualquer desavisado esperava encontrar os suspeitos de sempre. Contudo, em vão se procuraria ali a digital de um trabalhador braçal ou a sombra de um morador de rua. Não há proletários nessa foto. O retrato cobiçado ontem — e hoje tratado como mancha radioativa — é um inventário estrito da nossa aristocracia do andar de cima. Trata-se da seleta casta que frequenta os mesmos bistrôs faiscantes, desfila pelos mesmos corredores de mármore importado e compartilha as poltronas de couro do mesmo jatinho executivo. ​Freud explicaria sem pestanejar: sob a ilusão neurótica de onipotência, essa elite acreditou ter superado a própria fisiologia. Esqueceram-se de que a pulsão não escolhe CEP e que, no fim do dia, a biologia é implacavelmen...

geopolítica em chamas: entre o sonambulismo social e a sombra de um conflito global

Por Gilvaldo Quinzeiro  Enquanto a Terra chacoalha sob nossos pés — com o registro de cerca de oito sismos de magnitude igual ou superior a 7 na escala Richter entre fevereiro e julho deste ano —, no campo da disputa geopolítica a diplomacia vai sendo soterrada. Na América Latina, países vizinhos como Argentina e Brasil sofrem fraturas expostas em suas relações diplomáticas devido ao distanciamento ideológico entre seus governantes. Isso para não citar as históricas e profundas tensões em outras regiões do globo. ​Por outro lado, dois conflitos de grande escala — a Guerra da Ucrânia e as crescentes hostilidades no Oriente Médio (envolvendo o Irã, Israel e a aliança com os EUA) —, embora distantes geograficamente, convergem no redesenho da nova ordem mundial. Essas crises rompem fronteiras e passam a se influenciar mutuamente. Seria o espectro de uma Terceira Guerra Mundial se configurando a cada dia? ​Para diversos analistas, esses conflitos vêm sendo utilizados como "balões de en...

Que nos venha o luto, mas não a melancolia!

  Por Gilvaldo Quinzeiro A derrota da Seleção Brasileira por 2 a 1 para a Noruega, no último domingo, não pode ser vista apenas como um acidente tático. Ela é, sobretudo, o sintoma psíquico-social de algo maior e mais complexo. Afinal, jogamos ou não com os pés atados pelo peso da pressão externa? Refiro-me ao asco oriundo da nossa polarização eleitoral, que transformou o campo em palanque, de sorte que a vitória ou a derrota seriam instrumentalizadas por diferentes bandeiras políticas. Aliás, diga-se de passagem, o circo já estava montado, com palhaços e malabaristas prontos para celebrar qualquer resultado — inclusive o do não pertencimento à pátria. Diante disso, cabe a provocação: terá sido melhor a derrota? Ganhar o tão sonhado hexacampeonato em uma competição esportiva que ficou conhecida como a “Copa da Vergonha” significaria tudo, exceto ter participado de uma Copa do Mundo genuína. Especialmente quando o resultado simbólico e a soberania do jogo parecem subordinados a orde...

A consagração dos novos bispos “católicos” em Écône: a aranha e a mosca em disputa pela teia civilizatória?

Por Gilvaldo Quinzeiro No teatro das grandes instituições, o dia de hoje, 1º de julho, em Écône, Suiça, não marca apenas um evento de dissidência religiosa; marca o instante exato em que o fio de uma teia milenar se rompeu de forma irreversível. A consagração dos quatro novos bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), realizada à revelia da severa carta de advertência do Papa Leão XIV — datada de 29 de junho, na festa de São Pedro e São Paulo —, é mais do que um ato de desobediência eclesiástica. É o sintoma visível de uma crise na própria arquitetura do que entendemos por civilização.  Durante séculos, operamos sob a premissa de que as grandes instituições religiosas, em particular, a igreja católica apostólica romana, são as "aranhas civilizatórias". Ou seja, elas tecem a ordem, delimitam as fronteiras do sagrado e estabelecem as leis que mantêm a coesão social. A teia é o casulo que nos protege do caos. No entanto, o que testemunhamos hoje é a inversão trágica de...

A ditadura do algoritmo e o derretimento da espiritualidade? Crise de fé ou de moeda?

  Por Gilvaldo Quinzeiro O que significa hoje o imperativo "Dai a César o que é de César", se a sociedade inteira capitulou e se rendeu ao próprio mercado como divindade absoluta? O que passa a ser a soberania diante do avanço avassalador dos interesses transnacionais? E, afinal, o que é ser patriota quando pertencer a uma pátria se tornou um mero obstáculo nas discussões e nos interesses privados de uma família? Pois bem, assim como no passado a fé se transformou na moeda que se transmutou em espada nas mãos de conquistadores sanguinários como Hernán Cortés e Francisco Pizarro, hoje, em tempos de criptomoedas, bancos digitais e a farra desenfreada das apostas virtuais, a fé virou a farinha algorítmica.  Coaches apontam em suas  falas em tonalidades  artificiais, os atalhos para se chegar mais rápidos aos céus –é o tempo de preces fáceis e apressadas; de gente de joelhos apenas enquanto se posta para uma foto. E nestas condições,  erguem-se templos prósperos de ...

Pergunta feita a IA: E se Sócrates e Jesus estivessem juntos no ano de 2026?

Por Gilvaldo Quinzeiro     Onde? Provavelmente em Jerusalém, o vibrante centro religioso da Judeia no século I d.C., ou quem sabe em Atenas, a capital intelectual da época. Imagine os dois em uma praça pública (Ágora), em um pátio de templo ou em um banquete na casa de algum intelectual local.  O Ambiente: Seria um encontro marcado por tensão, curiosidade e, acima de tudo, um profundo debate filosófico e teológico. Seus métodos de ensino — o diálogo socrático e as parábolas e sermões de Jesus — colidiriam, criando faíscas intelectuais e espirituais.  A presença de Sócrates hoje seria um mistério para os algoritmos. Ele provavelmente seria aquele perfil que não posta fotos, mas comenta em todos os posts populares com perguntas desconfortáveis. O "parto" socrático hoje, terminaria não com uma lição, mas com um "bug" proposital no pensamento do ouvinte: "Você diz que quer ser livre, mas se o Wi-Fi cai, quem é você? Se o seu 'feed' é um espelho, você está o...

As 6 pontas das estrelas da guerra: todas apontam para a dissonância cognitiva

  Por Gilvaldo Quinzeiro 1 – O cenário: quanto pior melhor?   Passados 22 dias da guerra.  O mundo vê a última “lamparina” a queimar o que ainda lhe restou de querosene; as companhias aéreas aumentarem os preços das passagens ou cancelarem seus voos; a fila se formarem nos postos de gasolinas; o último nó do tecido civilizatório sendo desfeito; os turistas fugindo com folga das bombas. Aqui (no Brasil) a guerra também expõe a verdadeira face dos “patriotas”: sabotam a economia e o governo federal ao se aproveitar dos efeitos da guerra, mesmo a milhares de quilômetros do seu epicentro,  para, lucrar com o aumento  abusivo  dos preços dos combustíveis, além daqueles que de  joelho escancaram suas orações   com pedido pela intervenção Norte-Americana no Brasil. Uma greve dos caminhoneiros está sendo ensaiado para instalar o caos em ano eleitoral! 2 – Derrota estratégica: Donald Trump – todos analistas são unânimes em dizer – subestimou a ca...