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O carnaval como tradição é terapia. Mas como uma outra coisa: é heresia

Por Gilvaldo Quinzeiro O carnaval sem a sua liturgia, qual seja, o rei momo, as tradicionais marchinhas, as fantasias, e sobretudo, a alegria e a irreverência do povo, não é carnaval. É uma outra e perigosa coisa, sem a proteção da tradição.  Uma outra e perigosa coisa, que, sem o manto da fantasia tradicional, é simplesmente carne em exposição no açougue!  O que se vê hoje, por exemplo, naquilo que apenas leva o nome de carnaval, são gastos milionários para se   armar palco para apresentações de bandas e atrações também milionárias, porém, que nada têm a ver com a festa momesca. Uma heresia, digamos assim! Uma tradição, por ser tradição, vai além do modismo; de mal gosto inclusive, como contratar paredões, com música cujas letras arrancam-nos o tampo de tão grossa que são, mas passam longe da poesia e estética carnavalesca – o que é uma monstruosidade! Como se não bastasse, ainda aparece o prefeito fazendo gracinhas, que é tudo, menos uma caricatura típica do carnav...

O Nordeste: o santo graal ou a heresia na visão apocalíptica da extrema direita?

Por Gilvaldo Quinzeiro Quando o Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL-MG), gritou sob chuva e raios, em Brasília, que “o Nordeste precisa ser libertado”, isso me soou como um sinal de alerta! Que diabo significa isso? O que querem?  Por que? Por quem? Não é de agora que a elite do Sul vem fazendo uma propaganda ostensiva e ofensiva ao Nordeste e ao povo nordestino, diga-se. Até mesmo pregações dentro de templos religiosos são feitas por pastores incentivando aos seus seguidores a boicotarem o turismo no Nordeste. O pastor Silas Malafaia, ele que se considera o Papa dos evangélicos, esteve na última semana em solo nordestino – pra quê? – Para   num evento gospel, em Pernambuco, sugerir que sem seus gritos, penso, não há salvação? Pois bem, berrar aqui, pastor Silas Malafaia, num evento gospel, jogar os alunos contra os professores; criar uma espécie de cruzada contra os educadores, isso é, sem dúvida alguma , entre outras coisas, uma eloquente demonstração de que  ...

A marcha de Nikolas Ferreira, Édipo e seus pés feridos: qual a lição dos raios sobre as cabeças?

Por Gilvaldo Quinzeiro Se Édipo são os nossos pés feridos, e os nossos pés feridos nos impõem limites e respeito aos sinais das estradas, bem aos dos nossos próprios pés,  isso desde à Grécia Antiga onde se fazia entender em  um letreiro  conheça-te a ti mesmo;   uma perigosa  marcha, constituída na sua maioria por quem nunca tocaram os pés no chão, devido os seus berços de ouro – não temos nada contra isso, e sim a ver com a conta -, marcha esta,  que saiu de Minas Gerais,  rumo à Brasília, liderado pelo aloprado  Deputado Federal Nikolas Ferreira(PL-MG),  se soubesse este da existência da Esfinge, e de que esta devora os incautos e os incultos face a face às suas perguntas sem respostas. Uma pergunta, digo, em tempo em que os excessos, mesmo de luz sempre é cegueira, pode abrir os caminhos, além de evitar os atos extremos dos que acreditam ter todas as respostas! Acreditar que já se anda pelas nuvens, não é só contrariar as leis da fís...

Ao menos na metafísica este mundo não acabou. No mais, já se foi...Enquanto nós, seus eloquêntes fantasmas!

Por Gilvaldo Quinzeiro   Se quisermos compreender a gravidade do mundo atual, seja, no que diz respeito às guerras comerciais, seja na intenção do Donald Trump em anexar a Groenlândia; seja, no sequestro do presidente Venezuelano, bem como na nova e desesperada corrida armamentista por parte de todos os países, bem como no seu desdobramento -, é precioso, então, que partamos de uma constatação inequívoca: o mundo acabou! Ou seja, como eu já venho alertando há algum tempo, os nós civilizatórios não só estão todos puídos (os acordos, as normas, a diplomacia e as instituições, como a ONU, a OMC), como foram todos desatados pela interferência abrupta do próprio tempo. O dito aqui se não for do campo da física, é da metafísica – qual o problema?! Mundos como o dos sumérios, gregos, egípcios e romanos acabaram! Todos estes povos, uns mais do que outros, como os egípcios, pautaram ou fincaram suas obras pensando na eternidade – o que nós temos de melhor e mais sofisticados do que estes, u...

O caso das 3 crianças desaparecidas em Bacabal: uma hipótese sobre que não estamos mais vivendo a realidade. Um estudo de caso na visão da Meta-Noogênese

Por Gilvaldo Quinzeiro O caso das 3 crianças desaparecidas em Bacabal, no interior do Maranhão, na comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, que entra hoje no 14º dia de buscas. Das três, apenas uma foi encontrada até agora, trata-se de Kauan, de 8 anos; duas permanecem desaparecidas, Allan Michel, de 4 anos e Ágata Isabele, de 5 anos, talvez nos revele mais do que simples um caso de uma operação policial de buscas, como tantas outras.  O caso, que ganhou repercussão midiática, como não poderia ser diferente, nos obriga a olhar para o mesmo sob diferentes visões, incluindo uma nova abordagem epistemologicamente, digamos assim, da qual eu me sinto se não o pai, mas seu parteiro, a saber, a Meta-Noogênese, isto é um estudo para além da origem da mente, numa época de imersão nas redes sociais e de “cérebros hackeados”. Neste sentido proponho a seguinte linha de raciocínio, em caráter especulativo, digo. Primeiro, nós não estamos com os pés fincados na mesma realidade; a reali...

A complexa diplomacia do nosso tempo

Por Gilvaldo Quinzeiro   Hoje, a Venezuela, da qual ninguém quer ser vizinho. Sinais de um tempo, que atualiza Édipo, e seus complexos: estamos repetindo sempre e da pior maneira, o que Napoleão Bonaparte, para citar apenas um, por ser mais recente, entre tantos outros, que tentaram resolver suas feridas pessoais banhando de sangue o mundo inteiro. Alexandre, O Grande, por exemplo, sempre quis superar o feito do seu pai, Felipe II.  Mas, amanhã, pode ser a Groenlândia, de quem os europeus também devem se manter distantes. Donald Trump ao se comparar compulsivamente com Joe Biden, altera a escala e as regras de todas as medidas e equações vigentes: tudo é medido com a palma da sua mão. Tudo tem que atender a extensão do seu ferido ego.    Deixando as considerações psicanalíticas de lado, vivemos hoje a diplomacia do ódio e da soberba. Algo semelhante a uma caixa de fósforo. Isto é, um mundo pequeno, super povoado, espremido e onde todos estão prestes a ter sua cabeça ...

A espiritualidade em tempos líquidos e os desafios da masculinidade em escalar as montanhas

Por Gilvaldo Quinzeiro Se subir uma montanha aos gritos é a prova de que temos masculinidade, há cursos caros dando “certificado” neste sentido, e muitos homens raivosos sentados na Bíblia para realizar essas incursões – os chamados legendários -, é porque, penso, cada vez mais nos distanciamos da serenidade daquele jovem de 33 anos, que hoje dispensaria ganhar músculos numa academia ou fazer parte de quaisquer grupos de WhatsApp para pregar o mais poético e sensível de todos os discursos, a saber, o Sermão da Montanha! Ora, somente uma masculinidade puída ou recheada de dúvidas, isso a psicanálise trata como inerente à condição humana, e que mesmo na tenra infância somos tecidos por uma sexualidade polimorfa; ter como ideal bíblico ser “macho como Jesus”, não é só erotizar o próprio Pão nosso de cada dia! – O que Freud diria charmosamente fumando seu charuto, é isso mesmo – ,  como também significa levar a espiritualidade ao mesmo nível das minhocas. Este é o nível máximo de toxid...