Carta dos bichos aos líderes mundiais na Assembleia Geral da ONU
Por Gilvaldo Quinzeiro Vossas Excelências, Se reuníssemos os filhotes de todas as espécies em um mesmo berço primordial, o instinto básico da fome despertaria em cada um deles uma voracidade cega pela sobrevivência. Entre todas as crias, apenas uma levaria o polegar à boca como gesto solitário de desamparo: o filhote humano. Ironicamente, nenhum outro animal, por mais faminto ou feroz que seja, seria capaz de aniquilar o próprio ninho. Apenas a vossa espécie desenvolveu a capacidade — e a deliberada inclinação — de devorar o próprio berço que a sustenta. E resta a dúvida que ecoa pela biosfera: seria essa mesma espécie capaz de salvar todas as outras? Essa parábola sobre a fragilidade biológica e a soberba civilizatória dos homens ganha contornos de urgência absoluta às vésperas de mais uma sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Em Nova York, dezenas de chefes de Estado e de governo — entre eles o presidente do Brasil — subirão à tribuna para discursar sobre...