O dia D das eleições: o eleitor diante da esfinge
Por Gilvaldo Quinzeiro Querendo ou não, sabendo ou não, o instante se impõe: hoje é o ato; amanhã, o seu reflexo. A urna não encerra apenas uma disputa retórica entre o lado A e o lado B. Ela se ergue como a própria Esfinge na encruzilhada da pólis, confrontando-nos com o enigma incontornável da nossa convivência: quem é o teu próximo? Quem és tu depois que a cabine se esvazia? O que verdadeiramente conheces de ti mesmo? Por quem, afinal, arrastaste teus passos cansados até aqui? Decifra-me ou devoro-te — o imperativo mítico agora repousa sobre a ponta dos nossos dedos. O escrutínio contemporâneo nos cerca com as vertigens do nosso tempo. Interroga-nos sobre a voracidade da inteligência artificial e a preservação do que há de humano; sobre as fronteiras da soberania em um planeta em convulsão; sobre o colapso climático e as névoas conspiratórias que asfixiam a lucidez. Em meio a tantas miragens digitais, uma inquietação basilar resiste: o que resta de concreto e tangível em...