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Sobre a polêmica do carnaval de 2026 e a ressaca dos arrependidos?

Por Gilvaldo Quinzeiro  Eu não queria entrar e nem entrarei na polêmica carnavalesca criada pela homenagem da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o Presidente Lula, com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", no desfile na Sapucaí,  até porque ainda é carnaval… Até porque o  samba no pé mexe com tudo para além das avenidas ...porém, a despeito da minha ressaca, ei-la: Primeiro. Embora as religiões e as elites  se apropriem da arte para tecer o seu imaginário, porém, a Arte não é o amém das religiões, e muito menos das elites dominantes - ainda bem! Segundo. A arte carnavalesca sempre foi, e espero que ainda  seja,  provocadora de reflexões! Assim como o bobo da corte tinha a autorização de, quando em performance, debochar do próprio rei, o carnavalesco é livre para inventar o seu enredo falando bem ou mal até de gravetos! Terceiro. No carnaval se pode dizer “ mamãe eu quero mamar”, a despeito do entendi...

O caso Itumbiara: quando Tânatos se envergonha de Eros?

Por Gilvaldo Quinzeiro O caso de Itumbiara, no qual, o marido depois da constatação da traição da sua esposa, e como resposta, matou os dois filhos e em seguida veio matar a si também,  é, para começo de conversa, uma tragédia nossa! Não é, pois, uma tragédia restrita ao âmbito da família enlutada. Ela pertence a todos nós, e cabe a nós refletirmos e aprendermos sobre ela! Pois bem, é tendência humana evitar a tensão, a fruição, a vergonha, o sofrimento, a dor, isto é, o desprazer.  A evitarmos isso, no entanto, estamos retornando ao útero da pedra, mãe de toda a humanidade, quando a humanidade sequer pensava ser batizada por este estranho nome! Porém, não há como fazer isso sem que não se esteja flertando direto e perigosamente com a morte.  Viver, é, portanto, estar exposto a todo tipo de ridículos vexames, até aqueles ridículos vexames em nome do mais puro amor; porém, nestes ridículos vexames, está o melhor, que a vida em seu longo e sofrido processo evolutivo pode no...

O caso Epstein: quando a águia esquece que sua comida se rasteja no chão ou uma sofisticada atualização do conto de Chapeuzinho Vermelho e das posições arquetípicas?

Por Gilvaldo Quinzeiro  Mesmo morando nas nuvens, e  os que moram em Palm Beach, Flórida,    se sentem assim, isto é, no céu, contudo, todo ser humano traz consigo a única  posse da mais velha das posições humanas, sem qual,  em nada teríamos empreendido , desde quando  o homem é homem, do nômades ao astronauta;  de um miserável morador de rua a um bilionário, a saber, a “posição de cagar”. Epstein tentou convencer a si mesmo , bem como a magnatas , a   príncipes e a  políticos de várias partes do mundo que eram diferentes. É claro que podemos até imaginar que pudessem limpar a bunda com dinheiro, ao invés de com  papel higiênico. E até aí tudo bem! Freudianamente falando, e talvez essa seja a razão pela qual muitos odiarem Freud ou a psicanálise, somos, ao menos nisso, todos iguais! Ou seja, se andamos ou voamos, mas não passamos de merdas, embora estas, quando crianças, são o que temos de melhor para oferecer de presentes! Or...

O carnaval como tradição é terapia. Mas como uma outra coisa: é heresia

Por Gilvaldo Quinzeiro O carnaval sem a sua liturgia, qual seja, o rei momo, as tradicionais marchinhas, as fantasias, e sobretudo, a alegria e a irreverência do povo, não é carnaval. É uma outra e perigosa coisa, sem a proteção da tradição.  Uma outra e perigosa coisa, que, sem o manto da fantasia tradicional, é simplesmente carne em exposição no açougue!  O que se vê hoje, por exemplo, naquilo que apenas leva o nome de carnaval, são gastos milionários para se   armar palco para apresentações de bandas e atrações também milionárias, porém, que nada têm a ver com a festa momesca. Uma heresia, digamos assim! Uma tradição, por ser tradição, vai além do modismo; de mal gosto inclusive, como contratar paredões, com música cujas letras arrancam-nos o tampo de tão grossa que são, mas passam longe da poesia e estética carnavalesca – o que é uma monstruosidade! Como se não bastasse, ainda aparece o prefeito fazendo gracinhas, que é tudo, menos uma caricatura típica do carnav...

O Nordeste: o santo graal ou a heresia na visão apocalíptica da extrema direita?

Por Gilvaldo Quinzeiro Quando o Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL-MG), gritou sob chuva e raios, em Brasília, que “o Nordeste precisa ser libertado”, isso me soou como um sinal de alerta! Que diabo significa isso? O que querem?  Por que? Por quem? Não é de agora que a elite do Sul vem fazendo uma propaganda ostensiva e ofensiva ao Nordeste e ao povo nordestino, diga-se. Até mesmo pregações dentro de templos religiosos são feitas por pastores incentivando aos seus seguidores a boicotarem o turismo no Nordeste. O pastor Silas Malafaia, ele que se considera o Papa dos evangélicos, esteve na última semana em solo nordestino – pra quê? – Para   num evento gospel, em Pernambuco, sugerir que sem seus gritos, penso, não há salvação? Pois bem, berrar aqui, pastor Silas Malafaia, num evento gospel, jogar os alunos contra os professores; criar uma espécie de cruzada contra os educadores, isso é, sem dúvida alguma , entre outras coisas, uma eloquente demonstração de que  ...

A marcha de Nikolas Ferreira, Édipo e seus pés feridos: qual a lição dos raios sobre as cabeças?

Por Gilvaldo Quinzeiro Se Édipo são os nossos pés feridos, e os nossos pés feridos nos impõem limites e respeito aos sinais das estradas, bem aos dos nossos próprios pés,  isso desde à Grécia Antiga onde se fazia entender em  um letreiro  conheça-te a ti mesmo;   uma perigosa  marcha, constituída na sua maioria por quem nunca tocaram os pés no chão, devido os seus berços de ouro – não temos nada contra isso, e sim a ver com a conta -, marcha esta,  que saiu de Minas Gerais,  rumo à Brasília, liderado pelo aloprado  Deputado Federal Nikolas Ferreira(PL-MG),  se soubesse este da existência da Esfinge, e de que esta devora os incautos e os incultos face a face às suas perguntas sem respostas. Uma pergunta, digo, em tempo em que os excessos, mesmo de luz sempre é cegueira, pode abrir os caminhos, além de evitar os atos extremos dos que acreditam ter todas as respostas! Acreditar que já se anda pelas nuvens, não é só contrariar as leis da fís...

Ao menos na metafísica este mundo não acabou. No mais, já se foi...Enquanto nós, seus eloquêntes fantasmas!

Por Gilvaldo Quinzeiro   Se quisermos compreender a gravidade do mundo atual, seja, no que diz respeito às guerras comerciais, seja na intenção do Donald Trump em anexar a Groenlândia; seja, no sequestro do presidente Venezuelano, bem como na nova e desesperada corrida armamentista por parte de todos os países, bem como no seu desdobramento -, é precioso, então, que partamos de uma constatação inequívoca: o mundo acabou! Ou seja, como eu já venho alertando há algum tempo, os nós civilizatórios não só estão todos puídos (os acordos, as normas, a diplomacia e as instituições, como a ONU, a OMC), como foram todos desatados pela interferência abrupta do próprio tempo. O dito aqui se não for do campo da física, é da metafísica – qual o problema?! Mundos como o dos sumérios, gregos, egípcios e romanos acabaram! Todos estes povos, uns mais do que outros, como os egípcios, pautaram ou fincaram suas obras pensando na eternidade – o que nós temos de melhor e mais sofisticados do que estes, u...