Nos dias de hoje, a loucura é a nossa pele: uma breve reflexão sobre o corpo que nos escapa!


Por Gilvaldo Quinzeiro

 

A loucura está para o sujeito nos dias de hoje, assim como a pele está para o corpo, ou seja, um sem o outro é a não “normalidade”. Ora, o dito aqui nos leva a concluir que, já não podemos falar da loucura, quando a “normalidade” é constituída desta. Então a pergunta é: o que é esta tal “normalidade” de agora, naquilo em que a loucura se torna a pele que a reveste?

Um certo dia, deparei-me com uma jovem que travava uma luta renhida contra o desejo de arrancar o próprio “tampo” da pele e comê-lo. Ora, o corpo nesta nossa “normalidade” é a primeira coisa que nos escapa, e, a nossa luta não é outra, senão aquela para trazê-lo de volta!

Eu me lembro de um outro episódio no qual, um grupo de crianças que brincava no recreio de “pegador” em que, uma delas ao se esconder debaixo da mesa, se “apagou”, como se diria no linguajar de hoje, ou seja, esqueceu de si mesmo, e embora já tendo terminado a brincadeira e, pasmem, o recreio, ela continuava lá. Seu retorno, porém, só se deu por conta da intervenção da professora!

As mães também estão esquecendo com frequência assustadora seus bebês dentro do próprio carro, e, quando se dão conta do ocorrido, já é tarde demais -  o bebê está morto!

O que é um bebê a princípio, senão, próprio corpo da mãe?

Mas voltando falar do “corpo que nos escapa”. Quanto destes corpos estão sendo “buscado” naqueles outros que foram dilacerados nas avalanches de acidentes de trânsitos ou naqueles que se encontram amontoados nos necrotérios vitimados pela nossa violência carniceira?

A violência, portanto, pode estar na busca da realidade corpórea. É aquilo que se diz comumente “os caçadores de adrenalina”. Ora, quando as coisas são da ordem do “corpo que nos escapa” – a normalidade pode ser a sua ausência, e consequentemente na sua louca procura!

Pode ser uma mera coincidência, mas por que será que fazemos das tatuagens, algumas tão devoradoras a ponto de abocanhar o corpo, a nossa própria pele?  

Então, por fim, nada mais atual que o velho ditado: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”!

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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