A linha e o cerol



Por Gilvaldo Quinzeiro

 

 Educar é escorregar por entre as mãos “a linha com o cerol”. Ou seja, é correr riscos imediatos e tardios, tais como aqueles sofridos por uma pipa já em pleno ar.

Educar é também  se encantar pela pipa! Porém, isso não nos tira a responsabilidade que o ato de empinar pipa, sobretudo com a linha impregnada de cerol, poderá trazer outros efeitos que não o lúdico.

A pedagogia precisa se impregnar do cheiro dos quintais. Aliás, eu sou defensor da Pedagogia de Fundo de Quintal – aquela que parte da premissa que as maiores descobertas cientificas, não se deram nos laboratórios, mas no fundo dos quintais!

Em outras palavras, as escolas precisam “pescar” seus gênios dando-lhes iscas para a sua criatividade. Um menino que confecciona um artefato e com ele explode um banheiro é, sem dúvida nenhuma um gênio. Porém, ele pode estar se sentindo acuado, por isso o seu ato destrutivo!

Nesta semana, eu entrei numa sala dos alunos do 3º ano – o TERCEIRÃO como eles dizem! E os fiz entender que aquele momento poderia ser o último deles juntos. Em seguida, os convidei para uma roda, de modo que cada estivesse abraçado uns com os outros. E assim, pedi que  dissesse algo que tivesse vontade de dizer ao outro. Uns pediram perdão. Outros choraram. No final eu pedi que cada um abraçasse o outro!

Pois bem, gestos como estes estão ficando cada vez mais raros. Como educar se dentro do ambiente escolar, já não é mais possível à emoção do encontro, do reencontro e das despedidas?

Veja os casos dos trotes cada vez mais violentos praticados por alunos veteranos em calouros nas universidades.  Só nesta semana foram noticiados dois casos. No primeiro, uma jovem sofreu queimaduras nas pernas por uma substância química que lhe foi jogada por um aluno veterano. No segundo caso, um jovem foi obrigado a ingerir bebida alcoólica, e ficou desacordado!

Em outras palavras, o trote violento como os que aqui foram citados, é “barbarizar” o outro com a  caverna que nunca saiu de nós, a despeito da desculpa de fazermos parte da “civilização”.

Por fim, voltando a falar da “linha e o cerol”. Vão-se os dedos, finca-se a dor.  Não a dor que pedagogicamente nos ensina, mas aquela que nos tornam “monstros” ao provocá-la  no outro!

 

 

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