Pular para o conteúdo principal

O pensar sobre " a boa" educação, mas sem "o fazer": basta?


Por Gilvaldo Quinzeiro

 

Que estamos todos “grávidos” por uma educação melhor, isso está mais do que claro, pois constitui as nossas dores e contrações. Parir, é que outra coisa! Quem se arriscará partir-se ao meio? Quem derramará seu sangue por uma coisa nova e duvidosa? Quem? Quem?

Pois bem, o pensar lá em cima sem os pés fincados no chão, quando verbalizado é só “blábláblá”. O fazer, por mais incipiente que seja, nos faz erguer a cabeça. A realidade nos impõe condições que só teorizar não ajuda em nada! Graças a estas condições, isto é, as impostas pela realidade, e sobretudo, as suas lições, é que ficamos sabendo da cor do “sangue” que, de outro modo, não aprenderíamos!

A realidade é mãe de toda os contextos, o atuar sobre eles é a parteira de todos os pensamentos, ainda que tortos!

A maior de todas as crises, não é a que nos impede de pensar, mas aquela que nos imobiliza e nos faz sentar sobre a própria m...

A educação é antes de mais nada, gestos concretos. E o mais concreto dos gestos é o de se sobrepor as adversidades! O de devorar seus medos e fantasmas a luz dos mais obscuros dos olhares.

A escola é a porta aberta sempre. É “o destravancar” do lá fora; o caber de todas as oportunidades.

Portanto, o processo de ensino-aprendizagem é o chão, no qual se deve fincar os pés; o rabiscar com os dedos e o erguer a cabeça! O blábláblá das palavras soltas, não é pois, “o barro” edificador -  só o exemplo, o arregaçar das mangas – é lição!

Bom dia, a todos!

 

 

 

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...