Pular para o conteúdo principal

E se os bebês tivessem escolha, quem enfim, se tornaria o ‘galo humano’?


Por Gilvaldo Quinzeiro





A casca do ovo protege o próprio ovo, não o pinto. O pinto, pobre coitado, ao nascer rompe a casca, e ciscará o mundo, entre cobras, lagartas e gigantescas patas, na solitária missão de vir a ser o galo!

E quanto a condição do ‘galo humano’, em especial nos dias atuais, o que significará    a ruptura da casca, se de ‘bolhas’, não passamos?

Não há ruptura maior do que o ato de nascer. Parabéns para o pobre do pinto que conseguirá vir a ser o galo! O problema é o ‘feliz’ bebê humano que nesta condição se fixa. Os que arguirem ao contrário, respondam-me, pois, o que é ser ‘adulto’ hoje em dia?

E se os bebês tivessem opção de escolhas entre a proteção de não nascerem, posto que em algum lugar, eram como ‘grãos de areia’ e   ou o ‘rasgo’ do nascimento, no qual, aos poucos ganharão pele, e, ao contrário do pinto, viverão fugindo do mundo adulto?

Veja que comparação! O pinto X o bebê! Ambos pobres coitados: não sabem que realidade lhes aguardam!

A realidade o que é, senão, o inabitável. Daí porque uma multidão passou a morar não mais em si ou no mundo, mas nas ‘cracolândias’ – eis aqui não o galo, mas o ‘pinto humano’ naquilo que lhe representa o ovo.

Por fim, uma questão umbilicalmente humana:  no que hoje se tornou o desejo?






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...