Este é um espaço humanamente acangalhado para ajumentar os pensamentos que nem sempre se deixam prender ao cabresto, tal como um jumento que corre em disparada ao ver aberta a porteira.
Digerindo a realidade
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Por Gilvaldo Quinzeiro
A realidade é uma pílula, que não engolimos, logo, vivemos
empanzinados pelos gravetos da loucura: juntamos com a boca, o que com as mãos
não caberiam quaisquer gestos!
Por Gilvaldo Quinzeiro Hoje, a Venezuela, da qual ninguém quer ser vizinho. Sinais de um tempo, que atualiza Édipo, e seus complexos: estamos repetindo sempre e da pior maneira, o que Napoleão Bonaparte, para citar apenas um, por ser mais recente, entre tantos outros, que tentaram resolver suas feridas pessoais banhando de sangue o mundo inteiro. Alexandre, O Grande, por exemplo, sempre quis superar o feito do seu pai, Felipe II. Mas, amanhã, pode ser a Groenlândia, de quem os europeus também devem se manter distantes. Donald Trump ao se comparar compulsivamente com Joe Biden, altera a escala e as regras de todas as medidas e equações vigentes: tudo é medido com a palma da sua mão. Tudo tem que atender a extensão do seu ferido ego. Deixando as considerações psicanalíticas de lado, vivemos hoje a diplomacia do ódio e da soberba. Algo semelhante a uma caixa de fósforo. Isto é, um mundo pequeno, super povoado, espremido e onde todos estão prestes a ter sua cabeça ...
Por Gilvaldo Quinzeiro 1 – A civilização rejeita aquilo que é mais íntimo no indivíduo em nome do bem-estar de todos. E o que entendemos pelo mais íntimo no indivíduo? São seus desejos, odores, excrementos, agressividades, sonhos, etc. É como se recebêssemos um convite para uma ceia, com a orientação de que deixássemos a boca logo na entrada da porta. Ora, um convite desse no qual o indivíduo é obrigado a deixar de lado a sua voracidade, não pode ter efeito sem que se ofereça algo maior e melhor entronca – será? É aqui onde todos viram peixes em um lago farto de isca – motivo pelo qual vivemos todos enfartados? Pobre indivíduo ou pobre civilização? 2 – Sigmund Freud chamaria o dito acima de “O Mal-Estar na Civilização”. Algo assim se passa numa antiga fábula contada pelos nativos da região dos cocais maranhenses que, segunda a qual, uma certa vez, todos os cães de uma localidade foram convidados para um baile, porém, em sinal de respeito ao dono da festa e de seus convidados, nenh...
Gilvaldo Quinzeiro No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos. A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia? O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem? Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalípti...
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