A consagração dos novos bispos “católicos” em Écône: a aranha e a mosca em disputa pela teia civilizatória?
Por Gilvaldo Quinzeiro No teatro das grandes instituições, o dia de hoje, 1º de julho, em Écône, Suiça, não marca apenas um evento de dissidência religiosa; marca o instante exato em que o fio de uma teia milenar se rompeu de forma irreversível. A consagração dos quatro novos bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), realizada à revelia da severa carta de advertência do Papa Leão XIV — datada de 29 de junho, na festa de São Pedro e São Paulo —, é mais do que um ato de desobediência eclesiástica. É o sintoma visível de uma crise na própria arquitetura do que entendemos por civilização. Durante séculos, operamos sob a premissa de que as grandes instituições religiosas, em particular, a igreja católica apostólica romana, são as "aranhas civilizatórias". Ou seja, elas tecem a ordem, delimitam as fronteiras do sagrado e estabelecem as leis que mantêm a coesão social. A teia é o casulo que nos protege do caos. No entanto, o que testemunhamos hoje é a inversão trágica de...