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Mostrando postagens de julho, 2026

geopolítica em chamas: entre o sonambulismo social e a sombra de um conflito global

Por Gilvaldo Quinzeiro  Enquanto a Terra chacoalha sob nossos pés — com o registro de cerca de oito sismos de magnitude igual ou superior a 7 na escala Richter entre fevereiro e julho deste ano —, no campo da disputa geopolítica a diplomacia vai sendo soterrada. Na América Latina, países vizinhos como Argentina e Brasil sofrem fraturas expostas em suas relações diplomáticas devido ao distanciamento ideológico entre seus governantes. Isso para não citar as históricas e profundas tensões em outras regiões do globo. ​Por outro lado, dois conflitos de grande escala — a Guerra da Ucrânia e as crescentes hostilidades no Oriente Médio (envolvendo o Irã, Israel e a aliança com os EUA) —, embora distantes geograficamente, convergem no redesenho da nova ordem mundial. Essas crises rompem fronteiras e passam a se influenciar mutuamente. Seria o espectro de uma Terceira Guerra Mundial se configurando a cada dia? ​Para diversos analistas, esses conflitos vêm sendo utilizados como "balões de en...

Que nos venha o luto, mas não a melancolia!

  Por Gilvaldo Quinzeiro A derrota da Seleção Brasileira por 2 a 1 para a Noruega, no último domingo, não pode ser vista apenas como um acidente tático. Ela é, sobretudo, o sintoma psíquico-social de algo maior e mais complexo. Afinal, jogamos ou não com os pés atados pelo peso da pressão externa? Refiro-me ao asco oriundo da nossa polarização eleitoral, que transformou o campo em palanque, de sorte que a vitória ou a derrota seriam instrumentalizadas por diferentes bandeiras políticas. Aliás, diga-se de passagem, o circo já estava montado, com palhaços e malabaristas prontos para celebrar qualquer resultado — inclusive o do não pertencimento à pátria. Diante disso, cabe a provocação: terá sido melhor a derrota? Ganhar o tão sonhado hexacampeonato em uma competição esportiva que ficou conhecida como a “Copa da Vergonha” significaria tudo, exceto ter participado de uma Copa do Mundo genuína. Especialmente quando o resultado simbólico e a soberania do jogo parecem subordinados a orde...

A consagração dos novos bispos “católicos” em Écône: a aranha e a mosca em disputa pela teia civilizatória?

Por Gilvaldo Quinzeiro No teatro das grandes instituições, o dia de hoje, 1º de julho, em Écône, Suiça, não marca apenas um evento de dissidência religiosa; marca o instante exato em que o fio de uma teia milenar se rompeu de forma irreversível. A consagração dos quatro novos bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), realizada à revelia da severa carta de advertência do Papa Leão XIV — datada de 29 de junho, na festa de São Pedro e São Paulo —, é mais do que um ato de desobediência eclesiástica. É o sintoma visível de uma crise na própria arquitetura do que entendemos por civilização.  Durante séculos, operamos sob a premissa de que as grandes instituições religiosas, em particular, a igreja católica apostólica romana, são as "aranhas civilizatórias". Ou seja, elas tecem a ordem, delimitam as fronteiras do sagrado e estabelecem as leis que mantêm a coesão social. A teia é o casulo que nos protege do caos. No entanto, o que testemunhamos hoje é a inversão trágica de...