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Gordo, os olhos, quando magra, as feridas

Gilvaldo Quinzeiro Substituir os olhos pelas feridas é humanamente inevitável, contudo, o bicho é o vômito, pois, nestas condições não há como evitar que tudo que se ver não seja “carne podre”. A outra questão também  humanamente inevitável é a fome. Esta virá sempre cegamente, e ai o que se devora poderá ser os próprios olhos! Aqueles ali na frigideira são os seus mano?

Os pássaros e os passos de um calango

Gilvaldo Quinzeiro Quantas palavras ditas me cortaram as asas no exato momento em que alçar o voo era imprescindível! De quantos pedaços de mim refiz as esperanças, quando em minha volta só os urubus pairavam!.. Enfim, nos dias em que fui “filhote de coruja” a última   coisa a perceber era o farejar das   raposas. Ai de mim sem as “sapucaias” que, mais do que me servir da condição   de ninho, eram também os   ouvidos, quando os meus, dos uivos dos lobos não sabiam diferenciá-los! Hoje, eu   me dou conta de que,   mesmo não   passando da condição de um   “calango”, ainda assim, de onde estou pregado só os que possuem   olhos de águia me veem!... Hum Hum! É daqui que me permito   desejar ser uma   lagarta só para aprender mais sobre alquimia!...

Pra não dizer que não fui meus fantasmas

Gilvaldo Quinzeiro O Complexo de Castração. Quem dele não sofre? Eis o quão os nossos fantasmas se tornam devoradores! Que fantasmas? – os que alimentamos com a nossa carne. Ora, é aqui, e não em outro contexto que a nossa carne se constitui na própria boca dos fantasmas, enquanto nós, seus jantares... No tocante a esta questão, Freud mais uma vez, não só tinha razão, como sem suas travessias pelo escuro das noites, todo o corpo se constituiria para algazarra dos nossos fantasmas em “carne frita”! Salve Freud! Os fantasmas, pro inferno! Os meus, não!

As despalavras

Gilvaldo Quinzeiro Tal como a “imbira tanga” para o índio, as palavras não dão conta nem de longe em tampar a realidade. Contudo, não é esta a intenção do índio ao usar a “imbira tanga”, o mesmo não se pode afirmar a respeito daqueles que usam as palavras como que da realidade tivessem absoluto controle. Ora, a imbira sem nó é como as palavras sem amarradio, isto é, qual o sentido de se evitar a nudez das coisas? Pois bem, nós não só estamos completamente nus, como as palavras não valem mais que uma “imbira tanga”, a diferença que esta se sobrepõe ao “nó” que em outros contextos têm os dedos como substitutos, enquanto aquelas em que contextos não são as mais convictas das nossas máscaras? Estão escondendo o quê seus "pintos pelados"?

Os dias como as noites

Gilvaldo Quinzeiro As realidades. Todas sem um nó sequer. Tudo, portanto, está escancarado. Nada se passa como à luz do dia: tudo eclode como germes em “bicheira”. E, nós zumbis tendo como referencias as próprias feridas!... O sujeito quem é? - as vozes que ouvimos de fora! Em outras palavras, tudo fala ao sujeito, enquanto este há que nada se fala! A outra questão é: o sujeito além de fragmentado acimentou-se. Então, o duro é durar até que as outras partes que se despregaram de nós permaneçam moles... O quê?

Os mares e os males de não prestar atenção na vida...

Gilvaldo Quinzeiro Cada momento em nossa vida, conquanto seja este o último, cabe o mar inteiro para se atravessar. Isto é, nos abandonar por um instante que seja; deixar de prestar atenção nas coisas que vão e voltam como ondas, poderá nos custar toda uma vida na condição naufrago. Então que o mar seja o mar, enquanto nós ao menos nos mantemos vivos para continuar acreditando que, nadando cheguemos à praia, pois, mais longo poderá ser a distância entre o que os nossos olhos veem e as coisas em que nossos pensamentos se agarram! Portanto, viva bem o dia inteiro para atravessar a noite escura, ainda que se sentindo aos pedaços, pois, amanhã será uma nova onda que já esta se fazendo agora no exato momento em que você deixou de prestar atenção!...

A Rio + 20 X a subtração das nossas esperanças?

Gilvaldo Quinzeiro Por conta da realização da Conferência Rio + 20, onde se discute não só a sustentabilidade da economia como também a própria sobrevivência da humanidade, por isso mesmo há uma pergunta que a meu ver é oportuna: em que tipo de “macaco” nos transformamos? Pode parecer incrível, mas, chegamos a Rio + 20 com uma gritante contradição, a saber, de um lado possuímos todo um aparato tecnológico que daria a qualquer faraó egípcio a garantia material de uma “farta vida eterna”; por outro lado, os homens perderam a condição humana para se tornar em meros “zumbis diplomados”. Como esperar do planeta, se dos homens já cansamos? Coincidência ou não a Rio + 20 acontece no ano em que muitos acreditam que ocorrerá “o fim do mundo”. Se o mundo está no fim, eu não sei, isso pode ser apenas um jogo de palavras, mas qualquer que seja “um começo”, isso sim está me dando medo... Engraçado, há pouco tempo as crianças brincavam de roda; as lições eram ensinadas oralmente; os n...