A guerra do Oriente Médio e sua ontologia estruturante
Por Gilvaldo Quinzeiro
A guerra e a nossa falta estruturante. O que isso significa dizer? É que jamais devemos encontrar aquilo que nos preencha a falta, pois, sem ela não existiria o homem.
Uma guerra pode ser um recurso fantasistico para o sujeito preencher a sua falta, por exemplo, a necessidade de ser reconhecido como o todo poderoso! Mas para se fazer uma guerra, o sujeito precisa sair do campo da fantasia, para o campo da realidade. É, pois, aqui na realidade que todo o material fantasistico se dissipa, mas não sem as consequências desastrosas provocadas por uma guerra – isso é real!
O ataque dos Estados Unidos/Israel ao Irã, leia-se a Pérsia, ocorrido no último sábado, 28, onde foi bombardeada logo de cara, uma escola na qual mais de 100 meninas foram mortas. Fato este vergonhosamente ocultado pela grande mídia, e por aqueles que se julgam ser os guardiões do bem – é o registro trágico de como o imaginário coletivo pode armazenar por milhares de anos, não obstante as inúmeras guerras, as cenas de uma batalha apocalíptica.
Sim. O que estamos vendo no conforto dos nossos lares, se é que estamos tendo a capacidade de ver, não é um conflito qualquer, mas uma guerra de extermínio entre as duas mais antigas civilizações da história.
De sorte que quem quer que tenha começado esta guerra, embora, esta, para alguns analistas era inevitável, vai sair dela menor do que entrou – quase um sabugo!
Se invadir um país inimigo com o uso de toda a sua esmagadora capacidade militar, é tentar preencher o vazio que já existe a priori, isto é, mesmo com todas as armas, isso é fazer o registro da falta!
Cada vez que o Presidente dos Estados Unidos Donald Trump vem à público dar explicações, este expõe eloquentemente suas faltas: falta de palavras que justifique a guerra; falta de humildade; falta de respeito; falta de diplomacia; falta de conhecimento da realidade.
Em outras palavras, nestes 5 dias da guerra entre Estados Unidos/Israel vs Irã, o mundo está atolado até o pescoço! Pode nos faltar o último fôlego civilizatório!
De novo, estamos diante das velhas questões: aqueles que se julgam do lado do bem, e que possuem a prerrogativa para destruir o mal.
Infelizmente, como eu venho falando, o mundo, ao menos o mundo dito como “civilizado” já há algum tempo acabou! Não há quaisquer vestígios daquele. As normas e as instituições, antes responsáveis pela ordem e pela normalidade, como a ONU, não passam hoje de páginas amareladas. E há, é claro, quem se aproveite disso!
O ataque dos Estados Unidos/Israel ao Irã ocorreu em plena mesa de negociação. As lideranças iranianas estavam reunidas discutindo em Teerã a posição iraniana a ser defendida na próxima reunião, quando foram surpreendidas e mortas por uma chuva de bombas!
Exigir que o inimigo se desarme ditando o tamanho do seu potencial bélico, ao mesmo tempo em que se gaba de, com uso das mais poderosas armas, reduzir o seu oponente ao chão em escombro – é no mínimo rasgar todas as cartas civilizatórias!
Uma guerra, qualquer que seja esta, é a derrota do mundo civilizado. Fazer uma guerra com o uso de armas que ninguém mais possui, e com esse mesmo gesto querer convencer a outrem, que não se arme, é impor ao mundo uma falsa e perigosa diplomacia!
Sim, o mundo nestes 5 últimos dias, ficou pequeno demais e perigosamente inseguro: para todos!
Há caos sendo instalado na navegação marítima, quanto aérea. Há caos sendo plantado na economia global. E a tendência é que com a continuidade do conflito, a situação tende a piorar. Se o Irã e Israel se prepararam para esta guerra, então, estamos assistindo uma batalha decisiva: o pior ainda está por vir!
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