Como marcham os cavalos com destino a Terceira Guerra Mundial? Uma reflexão psicanalítica sobre os desenhos e arquitetura sintomáticas do nosso tempo.


Por Gilvaldo Quinzeiro


Sim, estamos marchando a passos largos rumo ao pior cenário. Nisso não há dúvida. Porém, a questão é o espanto da constatação de que todos nós somos as pedras e os tijolos desta trágica arquitetura. Para explicar isso vamos recorrer a duas metáforas.


Primeiro. Há uma fábula, que conta a história da onça e o macaco construindo sem que ambos soubessem, a mesma casa. Quando um chegava no canteiro de obra, uma tarefa da casa já estava feita, no que este resmungava, “deus está me ajudando”. E assim ocorreu até a casa ficar pronta, para, enfim, na hora da dormida, um se encontrar com o outro: um espanto e a constatação de que velhos inimigos criaram uma arapuca para  ambos. Quem come quem?


Segundo. Para domesticar mais o assunto, isto é, fazendo um esforço para compreender a possível arquitetura da Terceira Guerra Mundial, já em curso (?), vamos recorrer a metáfora de três cavalos, em que no primeiro momento, isso é uma análise de cunho psicanalítico, os dois cavaleiros, colocam os arreios no cavalo, sem que um saiba do outro. E chega o momento da viagem, em que ambos estão montados no mesmo cavalo ( sem nada saberem do outro). De sorte que ao chegar no seu destino, e somente aqui, ambos cavaleiros, darão conta de  que, por um desconhecer o outro, ao invés de um só cavalo, haverá três. É deste espanto que nasce a constatação da existência dos três cavalos, iniciando assim, o seu retorno. Quem convencerá quem dos motivos e do destino de tal viagem? Quem assumirá as rédeas de quem daqui para a frente?


Pois bem, o dita acima, se fosse numa clínica psicanalítica,   é bom que se saibamos que todos precisamos, se faria com a seguinte escuta:


O Primeiro Cavalo (A Voz do Consciente/Racional): É o cavaleiro que acha que está no controle. Ele chega com queixas lógicas, justificativas morais e narrativas de vitimização. Ele diz: "Eu fiz tudo certo, a culpa é do outro". Sua demanda é ter razão. O dito aqui pode se configurar como sendo Donald Trump ou o primeiro-ministro Israelense Benjamin Netanyahu. Assim também como pode se configurar como sendo   as autoridades iranianas, russas ou chinesas.


O Segundo Cavalo (A Voz do Inconsciente/Pulsional): É o sócio oculto desta viagem. Ele não fala a linguagem da lógica, fala através dos atos falhos, das repetições destrutivas, dos sonhos e da sabotagem. Sua demanda é a promessa do gozo, custe o que custar.  O dito aqui pode se configurar como Donald Trump ou o primeiro-ministro Israelense Benjamin Netanyahu. Assim como podem ser as autoridades iranianas,  russas ou chinesas.


 O Terceiro Cavalo (O Corpo): O cavalo original, a carne. Ignorado pelos dois cavaleiros, ele fala através do esgotamento. Sua linguagem é o sintoma, a doença psicossomática, a ansiedade física, a insônia. Sua demanda é simples e urgente: sobrevivência e repouso!  Este terceiro cavalo é a velha humanidade cansada de todas as guerras. Ou seja, somos todos nós – duramente castigados e domesticados pelos conceitos, crenças,  normas e valores vigentes na sociedade. Normas, crenças e valores que estão a nos fazer marchar para a guerra?


Por fim, tenhamos cuidados com os discursos e as decisões de quem acredita estar no comando. E  não importa o lugar das guerras, se aqui ou acolá, pois, em que pese a nossa  gritante indiferença  sobre  outro, somos todos um só cavalo : a humanidade!

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