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O rastejamento do corpo

Gilvaldo Quinzeiro O corpo é uma “coisa” que se contorce a procura de uma “imagem” com a qual se identificará. Um corpo sem uma “imagem” com a qual se identifica e se agarra, é como uma escultura barroca sem a “fé” que lhe dá “tripa e coração”. Mas, um corpo quando agarrado a uma “imagem”, pode também se transformar na “minhoca” que se afunda na escuridão dos subterrâneos. Trata-se pois, do corpo cuja fome de “imagem” lhe fez ser almoço de “escorpiões”, isto é, esmagado pela “imagem” que do corpo escapa para ao corpo retornar na condição de seus fantasmas. Em outras palavras, por traz do sonho sonhado, do sintoma que nos agoniza, do corpo que cai pro lado, pode estar o desejo por nós ainda não realizado; este é o desejo de uma parte de nós aliada ao desejo dos outros. Os outros que também somos, nos ocupam os espaços vazios; vazios que em nós tomam forma diversas, tal como a água nos cálices que se transforma em vinho.

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos. A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia? O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem? Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalípti...

Palhaço, quem não é?

Gilvaldo Quinzeiro O que se ver no Tiririca é a face oculta daqueles que sempre “armaram o circo” para fazer do povo palhaço. Ou seja, os tiriricas de verdade não querem se ver na face sem “máscara” do palhaço Tiririca! Qual é a graça, palhaços!

As coisas na parede!

Gilvaldo Quinzeiro Os cavaleiros, as armaduras, as lanças, os castelos e a fé, em nome da qual se acendem as fogueiras em cujas labaredas ardem os corpos que não se curvaram ante os inquisidores e de sua fome por sangue. Os alquimistas, eis do que precisamos! O nosso tempo precisa de uma dobra, de um amarradio ou, mais precisamente, de um cambito em substituição as palavras que já não mais representam “as coisas” que, como morcegos estão dependuras nas paredes!... Psiu!

Um voto pra espinhar!

Gilvaldo Quinzeiro O meu voto é um “Dom Quixote” cuja lança aponta pra baixo das pesquisas, sem Rose, Dino ou Lago. Piso o chão sem as armaduras que fazem dos meus adversários fortes e escuros num mundo medieval. Meu voto é apenas um espinho de tucum!... Amém!

O complexo de ser filho de Deus

Gilvaldo Quinzeiro O espelho que reflete a nossa imagem, a nossa imagem que é a “semelhança de Deus”, também é o mesmo espelho que nos faz ver em nossa subjetividade, o quanto Deus não é verdadeiramente a nossa imagem. Deus criou o céu e a terra, sem contudo copular e nem se deixar excitar, mas ao empregar a Palavra, gestou em nós seus filhos, o desejo de não só tê-lo mais próximo, como também o direito de reivindicar a herança que nos foi prometida!...Mas como Deus não tem “sexo algum”, herdamos daí o “complexo de sermos filhos de Deus” com uma anomalia entre as pernas, que tende invadir todo o corpo e a própria alma, transformando-nos em seres que “poderão vir a ser ou não, digno do amor do pai”! De sorte que numa paternidade duvidosa como esta, há entre os “irmãos”, uma disputa fanática e suicida pelos primeiros lugares na “árvore genealógica.” E neste “universo das palavras”, quando estas se tornam inócuas tal como nos dias atuais , se constroem com o poder das pedra...

A metáfora do espelho e o voto, uma reflexão quase psicanalítica

Gilvaldo Quinzeiro Freud explicaria o por que da categoria de professor não votar em professor, tal como ocorreu nas eleições municipais(em Caxias) de 2008, não obstante 21 candidatos ao legislativo serem professores? Ser-nos-á impossível responder tal questionamento, porém, podemos arriscar uma explicação à luz da Psicanálise – ciência criada pelo grande mestre – sem descartarmos as outras explicações de matrizes diversas, inclusive a política. Entretanto, para isso, vamos recorrer a “metáfora do espelho”, isto é, um professor é reflexo indubitável da imagem de um outro professor. E como a “imagem” do professor já é por si mesmo depreciativa, o que se ver no espelho nada mais é do que o nosso reflexo, ou seja, a imagem do próprio “fracasso”. Todavia, como resposta imediata a esta imagem especular (do fracasso) e da baixa auto-estima, surge o “narcisismo” representado em atitudes como: “ele (o outro professor), é pior do que eu”; “não vale apenas, pois, acreditar nele”... E ...