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O espelho e suas construções dos pedaços de nós

Gilvaldo Quinzeiro Ontem, mesmo estando de “cara feia” para cada espelho tudo era um sorriso, hoje, entretanto, tenho que sorrir por mim, num gigantesco esforço de fazer de mim, quebrado ou não, o espelho que pra outras caras, a minha, já não faz nenhum gosto de se ver!... Portanto, é hoje, e não ontem que tenho que erguer de mim e para mim a melhor companhia. Ora, isso é da ordem do “Sercimento”, como por mim foi suscitado em outro texto. Afinal, a existência é para o que mesmo, senão dá ela, de nós mesmo, uma arquitetura? Então é no espelho de agora que para a nossa cara temos que sorrir, caso contrário, o nosso inevitável  desmoronamento será para o espelho de ontem!...

Os desejos por seus caminhos

Gilvaldo Quinzeiro Desejar não significa necessariamente obter as condições para a sua realização, e nem quando da sua “realização” significa que o foi plenamente realizado. Contudo, o desejo é um sinal de “fogo e combustível,”, ou seja, negligenciá-lo é ceder os próprios pés para os ventos, e assim, ter que andar por outros caminhos!... Todavia, quando os caminhos se findam, eis que as nossas dores, ainda assim, contém expressões abafadas dos nossos desejos nunca realizados!...

O cão que nos morde é o da realidade, não obstante as palavras para amansá-lo...

Gilvaldo Quinzeiro “Os novos conceitos” sem a apuração devida, não passam de tijolos sendo postos em velhas edificações pelo tempo carcomida. Dito com outras palavras, os novos conceitos tão enfaticamente pronunciados, mas, tão pouco mensurados, merecem um estudo mais aprofundado, antes de serem cegamente abraçados como sendo os “nossos olhos” sobre o que antes nos parecia ser apenas os olhos cegos dos outros. Pois bem, neste sentido, uma questão precisa ser levantada que é a seguinte: como acreditar que uma simples mudança de retórica ( que é o que se tem visto), altere as velhas demandas oriundas da mesma realidade diante da qual “estamos com a língua de fora”? Portanto, é bom que se diga também o seguinte: quando a realidade ( como da qual estamos tratando) já não mais nos “atende” pelas mesmas palavras que antes acreditávamos dominá-la, então, é sinal de que nos encontramos na mesma situação desesperadora na qual “o cão passa violentamente a desconhecer o seu dono”. ...

Aquelas canções se foram, e as de hoje tocam quem?

Gilvaldo Quinzeiro Assim como a cabeleira de Neymar com seus milhões de admiradores, as canções de hoje “bombam”, mas, francamente, conquistam apenas os mercados e seus compulsivos consumidores, porém, nunca os corações de quem ainda não se tornaram de plásticos!... È como a Seleção Brasileira de Futebol que, quando ganha, não convence a ninguém, exceto aos locutores esportivos que, sem a “emoção” não podem gritar o gol, isto é, tudo é festa! E assim, “o pior” vai ganhando força num contexto no qual nos tornamos o barro de uma sociedade sem reação! Ontem à tarde, depois de um ensaio visando os preparativos do “Caminhando e Cantando Antigos Carnavais”, eu, Carloman, Antônio Luis e Chagas Jr, fomos ao Excelso Hotel, onde lá já se encontrava Seu Hilter que, a meu ver, é um dos maiores violonistas do Meio Norte - tudo perfeito para se ouvir um refinado repertório musical, e até que tentamos, mas, ao lado de cada mesa havia um carro de som, cada um ligado no último volume – e assi...

Aquilo lá somos nós na condição de desconhecidos...

Gilvaldo Quinzeiro A existência é mais complexa do que a de qualquer um, isoladamente, isso nos faz pensar na responsabilidade (nem sempre refletida) a respeito da nossa. Pois bem, a existência nos faz passageiro de uma nave (desconhecida), que é o nosso próprio corpo – ferramenta na edificação de nós mesmos ao longo da nossa curta existência. E assim, se o nosso corpo, casulo da nossa espécie, nos é desconhecido, então como afirmar quem somos nós e qual o nosso destino nesta viagem pelo cosmo? Uma coisa é certa: muito temos feito sem saber por que, prova inconteste do nosso blecaute! Ora, por fim, vamos nos dá conta (tarde demais) que a única coisa que funcionava bem em nós, era exatamente “o desconhecido”... Portanto, outra coisa precisa ser dita: somos sim, um viajante de muita sorte por está ao menos falando disso!... Do contrário, estaríamos falando do quê?

Dos laranjas, as cidades perdem suas raízes

Gilvaldo Quinzeiro As cidades, entre elas, Caxias vivem o mal-estar da falta de um “olhar civilizatório”, consequencia das gestões que, para se sustentarem no poder, fecham os olhos para o público e abrem as mãos para os que são apenas de seus interesses particulares. È nesta ótica que surgem as tais empresas prestadoras de serviços, a figura dos laranjas, agentes tão nocivos ao processo civilizatório, mas, hoje tão vitais para os esquemas de enriquecimentos ilícitos! Pois bem, e assim, as cidades só acordam para si, quando lhes desabam as tragédias! Mas, e os que não conseguem acordar? Estes perecem sob os escombros!... Às vésperas de uma Copa do Mundo, como ao mundo prestar conta de que estamos preparados, se entre nós, não sabemos calcular os nossos desperdícios? Cá, entre nós, os caxienses, afinal pra onde foi o nosso imaginário? Ou tudo que imaginamos estar estampados nos outdoors? È bom não se perder a capacidade se pensar, e de se indignar!...

Às vésperas das eleições e a falta de bandeiras políticas

Gilvaldo Quinzeiro Às vésperas de mais uma eleição municipal, o que se ver é o que já nos faz cegos, isto é, “tudo” em prol de poucos; “nada” em prol da cidade. Isso para não falar da nossa surdez de ouvir os arrotos dos que já se consideram donos das nossas cabeças!... Sim, a cidade se torna cada vez mais pálida pela falta de uma política de revigoramento do centro histórico; das suas tradições culturais e uma agenda que privilegie o nosso “espírito de caxiensidade”. Dos até então pré-candidatos o que se ver é apenas a disposição de venderem a própria alma, para assim, viabilizar sua vitória eleitoral, e nada de um comprometimento político em defesa dos interesses dos cidadãos caxienses! Falta-nos a figura de um Jadhiel Carvalho e bandeiras de lutas, ou seja, politicamente falando estamos todos órfãos!