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O homem e suas alegorias

Por Gilvaldo Quinzeiro O homem é a mais convincente de todas as metáforas. Contudo, e por isso mesmo,   significa dizer, que o homem é também “uma coisa em si”, logo, paradoxalmente é da ordem que palavra não alcança.   Portanto, o homem enquanto metáfora de si se constitui apenas no rio, já o homem enquanto, “a coisa em si”, é o mar no qual o rio se afunda. Ora, estou consciente de que o   dito acima   é assombroso! Mas, o que é mais assombroso, senão se constituir no “ bicho que corre atrás de si mesmo”? Pois bem, se o homem é uma “coisa”, e a palavra, a sua “mascara” então,   o ato de representar esta coisa que nos escapa   se constitui na mais viva obra de Willian Shakespeare. “Ser ou não ser, eis a questão”?

A periferia que nunca “dormiu”, acorda a igreja e a política: que fome deve ser saciada primeiro?

Por Gilvaldo Quinzeiro O Brasil   não só chega tarde a periferia, e, pasmem,   pelos pés dos outros! Primeiro, em 1996, com a visita de Michael Jackson, no Morro de Santa Teresa,   para   a gravação de um clipe,   quando só então o Brasil se deu conta de que tinha favelas. Segundo, agora, na Jornada Mundial da Juventude,   com a visita   e bênção do Papa Francisco, a favela de Varginha, quando, nos demos conta de   que “o Brasil que não se via,   era realmente   diferente daquele que virtualmente   nos cegava”. Ora, se o Brasil continuar precisando dos “pés dos outros” para   só então pisar no seu próprio território, certamente para isso não vai faltar quem queira. A questão, porém,   é o que isso despertará   nos visitantes e,   especialmente nos visitados? Se depender da mensagem do Papa Francisco,   entretanto, ele, um jesuíta,   a igreja católica nunca mais deverá sair das perif...

Uma peregrina já está além do nosso céu: a sonda espacial voyager 1

Por Gilvaldo Quinzeiro Um feito digno de quem tem fé:   a sonda espacial voyager 1, lançada ao espaço em 5 de setembro de 1977 pela NASA, está chegando na fronteira do sistema interestelar, lá onde homem com toda a sua fé, não ousaria ter   chegado!... O mais incrível, entretanto,   é ver de lá do mais longínquo confins do universo,   a Terra – um pequeno traço luminoso, acompanhado por   outro quase que apagado – a lua. Quão grato deveríamos ser ao sol, pois, ainda de tão longe é tão somente sua,   a luz que a nossa Terra   reflete!... Enquanto isso, aqui na Terra,   muita fé e nenhuma humildade. Muitas filas dos que já sentem no céu, enquanto, “o próximo” pode ser aquele que ainda esteja disputando com um cão, o mesmo resto de comida!... Contudo, lá no alto,   alheia   aos templos lotados; templos estes nem sempre erguidos para   servir Deus, mas apenas aos seus “pastores e suas ovelhas”, a sonda voyager s...

De quem é a mão que nos acena no “novo”, quando tudo que é “velho” ainda se ver no espelho?

Por Gilvaldo Quinzeiro O mundo que está “grávido” doutro mundo ainda não “pariu”, contudo, até este vir a dá à luz, ainda que esta nos pareça a face mais obscura, sentiremos a suas dores e contrações. Que pessimismo! Não, por incrível que pareça, a pior das condições é aquela em que dor alguma já não se sente!... Ora, o presente já nos   arrasta precocemente para o futuro, todavia, paradoxalmente, tudo que é “velho” ainda se ver no espelho, enquanto isso,   “o novo”, talvez por ser movido pela “pressa” que ofusca o próprio tempo, não   tem para si, espelho algum... Quiçá, “o novo” não seja necessariamente belo de se ver, porém, não há como não se “enfeitiçar” por ele! Deste modo, nos surge uma inevitável e   assombrosa questão: de quem é aquela mão que já nos “acena”, quando as nossas já não podem ser mais estendidas, haja vista que   as dos outros estão expostas no lugar   onde   tudo,   os homens descartam? Pois bem, ...

A pescaria é de jovem, mas o mar nem sempre está para Pedro: um olhar sobre a visita do Papa Francisco ao Brasil – um mar de aguas agitadas.

Por Gilvaldo Quinzeiro Aberta oficialmente a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013, na praia de Copacabana, e com ela,   a mais emblemática de todas as pescarias – aquela em que o pescador também tem que se oferecer como isca, pois, do contrário, as outras redes fisgarão o próprio mar, tornando o que é de Pedro, pedra...Aliás, o que é de pedra que também não é de Pedro? Pois bem, não há como negar que no meio de tantas “redes”, as   das drogas e a da violência arrastam os jovens sem piedade alguma para as profundezas do inferno humano. Alias, é bom que se diga que nunca o inferno se tornou tão atrativo como nos últimos tempos.   E,   se a tarefa da religião é levar o homem para o céu, então, “fisgar” os jovens de onde quer que eles estejam, significa pescar o futuro que já nos escapa.     Mas para quem   as religiões pescam os jovens   para Deus ou apenas para si mesmo? Que religião é   capaz de se sustentar sem os braços...

O que é a coisa na coisa que se abocanha? Uma simples mordida psicanalítica nas coisas que já nos engolem.

Por Gilvaldo Quinzeiro É coisa da mais pura   filosofia querer como a criança que veio ao mundo sem coisa alguma, “ abocanhar” todas as coisas. Ora, Freud “mastigou” isso até o final da sua vida, ou seja, ele defendeu   a ideia de que o nosso primeiro contado e noção da realidade se dão exatamente pela boca. Isso implica dizer que primeiro tudo “engolimos” para só então cuspir o mundo que não nos interessa.   Se não fosse assim, sabe por quem seriamos engolido? É deste modo, portanto, que nos afundamos na   “coisa” para dela só se desvencilhar quando, o que antes mastigado e engolido, aparece constituído naquilo que   nos “enoja”   na ponta dos nossos dedos. Eis aqui a noção rudimentar de alteridade? Eis aqui a nossa dificuldade de lidar com o outro? Ora, esta questão   sem um exame mais apurado   do caso não há nem como afirmá-lo , e muito menos como negá-lo... Pois bem, a boca é tudo aquilo que nos cabe. O que  ...

O nó da realidade, como explicar o que já está desatado? Uma introdução ao cotidiano que se faz tão frouxo sem corda alguma.

Por Gilvaldo Quinzeiro   Há dois meses, a realidade brasileira tinha seus “amarradios”, e   todos nós de alguma forma sabíamos     onde estava “a ponta da corda”. Hoje, do que se queixam as mais altas autoridades da área de segurança, senão de não saberem   quais as cordas   que estão a  puxar as manifestações em cujos nós estão a perplexidade? Tudo, enfim, virou uma espécie de “bolha” que ora, estoura   aqui, ora estoura acolá. E, diga-se de passagem, onde ninguém tem tempo para contemplar bolha alguma, pois, tudo é da ordem da frouxidão. Pois bem, tais eventos têm ao menos revelados algo assustador: o quão puído estava a nossa realidade que, para alguns estava atada com “nó cego”. Que engano, não?   Cegos estamos todos   nós sem compreendermos que a realidade pode ser feita não só de corda, laços e nós, mas também   de linhas tênue e com estas, seus “bordados”! Contudo,   uma coisa é certa: nada poderá...