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Uma prosa sobre a porteira do curral

Por Gilvaldo Quinzeiro     Futebolisticamente, o Brasil se encolheu feito um cunhão de bode durante a capação: muito berro pra nada!   De fato, os nossos atletas não passaram de “bodes embarcados”. Adeus Copa América! Oxente! Por falar em cunhão encolhido, como estarão os de Neymar ao se sentir mais que um cabrito? O Brasil, portanto, se quiser vencer, não os amistosos, mas uma competição oficial, precisa ser como Tom Zé, isto é, autêntico e ousado. Chega de tanto jogada ensaiada, pra muito pouco aproveitamento! Sim, não é só o Brasil do futebol que precisa aprender com a autenticidade Tom Zé, mas o Brasil real - aquele no qual as redes de tanto puídas já não suportam nem os remendos! Falando em redes puídas. A nossa política, em tempo de grave crise econômica, anda arrastando a bunda no chão! Aqui nem Tom Zé, nem tom algum parece dar jeito. Tudo parece fluir para o estouro da boiada! Na política local, então, muito tons de cinza. Algumas caras j...

A palha de tanger galinha

Por Gilvaldo Quinzeiro   Pois é meu compadre! A palha de tanger galinha. Este tempo ficou para trás. Hoje com tantas portas atravancadas, a da frente da casa se planta nua para à rua! O vaqueiro com seu gado geneticamente alterado, pela força da pressão do mercado, daqui a pouco caga dinheiro -, marcha com a bunda colada sobre o tanque quente de uma moto por estradas de pó avermelhado pela chuva de tantos fertilizantes agrícolas! Ah meu “compadre de fogueira”! nas noites juninas não mais se tocam baião – só forró eletrônico em bandas caras de dançarinas quase nuas! Tudo em forma de “pacote” só para as Prefeituras desviarem  dinheiro! “Compadre de fogueira”? Sim, houve tempo em que se “passava fogo” para, a partir daquele dia os vizinhos todos serem chamados pelo outro, de compadre ou comadre! Isso entre os mais velhos, pois entre os moços, era “noivinhos”;       queridinhos” e outros que tais. Também se “passava fogo” de primo; irm...

Ganhamos vozes ou perdemos os ouvidos?

Por Gilvaldo Quinzeiro   Hoje todo mundo fala. Todos, enfim, ganharam vozes! As redes sociais estão ai mesmo!   Tudo ficou magicamente ao alcance de um simples dedo! Que maravilha? Entretanto, para as coisas ditas, mas que não “bombam”, os ouvidos se fazem de surdos, logo, a notícia não é aquela que informa, educa e esclarece, e sim aquela coisa que grita: Baroom! Baruuum! - Mais um corpo estraçalhado no chão! “O compartilhar” de sangue ainda misturado com areia, torna todas as pessoas “solidários”; as mesmas pessoas que jamais ofereceriam uma xicara de café a um vizinho ou cumprimentariam o colega de trabalho com um “bom dia”! Todos sangrando com a banalização da vida! Que diabo? – Não o deus nosso de cada dia! De repente, tudo ficou rasteiro com a bunda no chão! Eh! ganhamos vozes  e até  alto-falante. Oba!   Mas quem se abstrai? Tudo virou só distração! Bumm!        

Casa & tapera

Por Gilvaldo Quinzeiro   Assim como há falas que ao invés de revelarem, ocultam e silenciam, os segredos mais remotos     se expõem  facilmente nas dobradiças e fechaduras no duro exercício do viver diário. De tal modo, a casa que em si mesmo não traz os resíduos de uma tapera, não está suficientemente erguida para sobreviver aos  seus gemidos e as suas assombrações. Portanto, viver moído é diferente de ser moinho. A dor não só nos ensina, como há um ‘gozar’, que de outro  modo   por  nós   nunca   se realizaria!        

O mundo sem maquiagem. O drama dos milhões de refugiados

Por Gilvaldo Quinzeiro   Sem água, sem pote e sem rudia. O mundo enfrenta a pior de todas as ‘secas’ – o ódio. E por isso mesmo se torna perigosamente pequeno! Milhões de pessoas entre crianças, jovens e adultos estão em marcha, porém, sem ter para onde ir.   Segundo relatório divulgado neste mês de junho pelo Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), o ano passado, 60 milhões de pessoas foram obrigadas a fugir de seus países, seja pelas guerras, perseguições religiosas, seja por perseguição política. Para muitos só há dois caminhos, ambos, traiçoeiros diga-se de passagem, a saber, os desertos escaldantes ou a fúria dos mares revoltos. Uma fuga em massa diante de um mundo cada vez menos amistoso. País como a Hungria, por exemplo, está disposta a erguer um muro de quatro metros de altura, a fim de impedir a passagem para seu território de imigrantes. Muito desses imigrantes vindos da Síria, palco de uma sangrenta guerra civil ...

Uma introdução à intolerância religiosa

Por Gilvaldo Quinzeiro   Deus e a intolerância religiosa – que Deus? – sim. Que Deus se nutre do ódio e da intolerância religiosa? Eu acredito que Deus no seu infinito poder, prescinda da mesquinhez e querelas dos homens para reinar! Ou seja, quando estas questões, como   a da intolerância religiosa,   por exemplo, ganha o discurso e a práticas dos homens; dos homens (pasmem!)   que ‘falam em nome de Deus’ -     é porque   de fato estamos apenas a serviço dos interesses das   religiões,     mas, nunca de Deus! Isso me faz pensar que, nada é mais humano do que as bases que sustentam a religiosidade! Ainda bem! Nesta semana, uma garota de 11 anos foi apedrejada por dois homens, quando retornava para casa, depois de participar de um culto de Candomblé. A menor foi socorrida e internada em um hospital   com ferimentos na cabeça. O fato aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, e vem ganhando repercussão nas redes sociai...

O andar sobre as águas...

Por Gilvaldo Quinzeiro   “O segredo de andar sobre as águas”, se há algum segredo, é se fazer de ponte, quando as travessias não forem  possíveis  à passos comuns. Ou seja, é se afundar em si mesmo, no mais profundo de si. Ora, esta reinvenção de si mesmo implica em sobreviver a “curvatura do espelho”! O mar que nos afoga é também o mar que nos transforma! Quem de mim me espera lá do outro lado, certamente  sobreviveu a todas as tormentas. O segredo das árvores, a despeito das tempestades, é não se ‘desarvorizar’! Uma pena, pois, passarmos toda uma vida atolada na pressa, que nos desfaz ao mais leve sopro das brisas!