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As mãos trêmulas de Eros em tempos certos de tragédias . Cadê as utopias?

Muitos não dirão, mas eu digo, não vivemos uma “belle époque” ou “os loucos anos 20”, embora, muitos vivam hoje alucinadamente em bunker, enquanto outros, os também afortunados estão em contagem regressivas para irem a Marte – a feitura e a feiura do nosso tempo anunciam que estamos lascadamente em carne viva! Isso até pode soar como algo sonoramente erótico ou de natureza libidinosa, mas não é. Antes fosse!  A questão, entretanto, é que a “cobra humana” perdeu a pele, e somente um novo “tecido civilizatório " poderá nos salvar. Mas, isso não se resolve sem que a cobra morda o próprio rabo. Sobre Eros, aquele filho de Ares e de Afrodite, hoje flerta com a nossa pele encharcada de feridas, e suas flecham só acertam os nossos alvos já intoxicados. De sorte que os amantes, cada vez mais de calcas curtas, preferem a ostentação dos seus coletes à prova de caricias! Ninguém ama além dos seus próprios músculos.  Ora, o dito acima revela duramente uma coisa: perdemos a utopia. Perdemo...

O sapo das nossas tragédias. Lições da metafísica

As catástrofes climáticas, como as que presenciamos no Rio Grande do Sul, entre outras coisas, põem o homem no lugar do sapo. O problema, entretanto, é que o lugar que antes servia de habitat para o sapo, não está mais ali e nem acolá, aliás não está mais em lugar algum! E o que sobrou? Ou que o é homem no lugar em que nem mesmo sapo habita? Ora,  afirmar  que as catástrofes climáticas nos colocaram no lugar do sapo, não é aludir a natureza principesca do sapo presente nos contos de fadas – antes fosse -, mas é o contrário, ou seja, o homem é deslocado da sua condição de “majestade” entre todas as outras criaturas, e revela também  o que na visão do mais simples dos insetos sempre foi clara: o homem é o próprio sapo em pessoa!  Puta, merda! Sim, este é o homem atolado naquilo em que o dinheiro também nos oferece quando a própria natureza é o limite! As   avalanches de acontecimentos provocados pelo desrespeito a natureza são tão espantosas que não há espaço...

Qual a maior de todas as nossas tragédias, primo?

Por Gilvaldo Quinzeiro  Arrogância é o nome da nossa maior tragédia, essa nem com “chuvas de facas” é superada!  Há pouco tempo fomos atacados pela pandemia da covid-19.  E a nossa primeira reação foi negá-la ou nos dividir jogando uns contra os outros.  Os “homens de bem” se recusaram a tomar vacina,  e mais do que isso, se apressaram em declarar guerra contra a ciência! O vírus dessa mortal pandemia continua por aí a fazer vítimas, e nós continuamos a destilar ódio uns contra os outros. Conclusão: não aprendemos, e estamos em carne viva.  Não há defesa para um mínimo ataque que seja! A tragédia provocada pelas enchentes do Rio Grande Sul, diga-se de passagem, anunciada, é gigantesca em qualquer que seja as estatísticas, contudo, não supera nem de longe a nossa soberba. Mais uma vez, somos pegos cuspindo no próprio prato – na natureza antes de tudo e nas pessoas também por arraigados hábitos! O que falta vir?  Nestas últimas horas a terra tem sido “sa...

A racionalidade diante das tragédias. Como separar o barro da lama cotidiana?

Gilvaldo Quinzeiro    De Repente tudo é lama. Qual o “barro” em que se finca a realidade? O que é a realidade que precisa se alimentar tanto da ficção?  O dito acima é uma breve introdução ao texto abaixo recheado pelo barro das  nossas tragédias. Um esforço reflexivo , digamos assim , para,  se não dar nome aos bois, posto que estes perderam suas cabeças , mas  para chamar atenção para a urgente necessidade de separar o barro da lama. Ei-lo. Pois bem, separar o joio do trigo, a verdade da pós-verdade, o homem do pós-homem, a modernidade da pós-modernidade , tudo isso circunscrito a uma só coisa: a realidade, que nos escorrega. Entretanto , não bastasse o grau de complexidade que é dar  conta do imponderável, uma das tarefas mais árdua hoje do ponto de vista da racionalidade, é,  em  que status colocar a mentira, diante daquilo que  hoje se convencionou chamar de fake new.  Ora, a estupidez das transformações na qual nos encontramos...

A pedagogia das tragédias, e as novas espécies de urubus

Por Gilvaldo Quinzeiro  Os tempos são de completas  escuridões, e as tragédias, como as que estão ocorrendo no Río Grande do Sul, reveladoras dos detalhes macabros. É preciso, pois,  muita atenção ao que não aparece no nosso primeiro plano de visão. É necessário uma leitura mais apurada dos espantosos acontecimentos! Por exemplo , há entre nós quem não seja mais humanamente um de nós! Eis o que também as tragédias do Rio Grande do Sul têm revelados. É claro que, para o bem de todos ,  temos anjos!  O esforço de solidariedade de várias partes do Brasil e de vários setores da sociedade, revela isso. Contudo, estamos também diante de monstros que saqueiam , abusam e disseminam o caos. Mas não só estes. Há entre nós aqueles monstros disfarçados de cordeiros , e que se utilizam da audiência de seus milhares de seguidores para propagarem ódio e mentiras - para estes o que interessa é,  o quanto pior,  melhor! São estes uma nova espécie de urubus, com todas a...

Prosperidade! E o parto dos homens?

Por Gilvaldo Quinzeiro  Estamos em pleno trabalho de parto, meus filhos , mas ninguém se preparou para ser a  parteira! E o que temos feito afinal? Nada além de  nos esfolarmos para ser o pai de uma coisa chamada de prosperidade! Sim, nesta sociedade regidas por coach, todos padecemos de  algo em comum: a loucura de termos pretensão de ser a luz do mundo! Mas , o mundo é como uma cobra, assim como nós, isto é, muda de pele de tempos em tempos. Não há remédio que recupere  a pele que já se desgrudou …É como o rio de Heraclito no qual não se banha duas vezes! Para que mundo pedimos as nossas preces? Por quem nos ajoelhamos, se temos dúvidas para onde foi a nossa cabeça? Do que vale pregar a teologia da prosperidade que tanto inunda hoje os templos sem cuidar verdadeiramente  da alma dos homens?  Estamos todos loucamente atrás de receitas milagrosas disso e daquilo. Nunca fomos tão ávidos por milagres! Mas enfrentar a própria dor, esta tem sido a maior de...

Sim. Freud tinha razão. As nossas tragédias no divã

Por Gilvaldo Quinzeiro  Enquanto um rio se afoga,  poucos pensam. A maioria arrota suas visões de um mundo despedaçado “ pela força da grana” . E uma onda de  impropérios invade os templos , as redes sociais - moradia também das famílias do bem! Que diabo é isso ou aquilo? Uma multidão de joelhos a posar para a foto mais curtida! Enquanto, os mais afortunados da fé, espalham a febre das fakes news!  Não,  irmãos. Não é a Babilônia, antes fosse! É a seca de homens - a maior de todas as nossas tragédias que nos abate desde  os últimos dez anos! Freud, seria amado hoje não pelas suas explicações, tão assustadoras como os ciclones que arrasam o Sul, mas por ser o único a saber  ouvir , o que se diz não mais com a palavra - mercúrio em nossos rios - mas com a carne viva! Sim, os homens não só perderam  a capacidade da fala, mas a pele , o único interdito entre as coisas pulsantes e o  mau cheiro das nossas vísceras. Em outras palavras, também freu...