As mãos trêmulas de Eros em tempos certos de tragédias . Cadê as utopias?
Muitos não dirão, mas eu digo, não vivemos uma “belle époque” ou “os loucos anos 20”, embora, muitos vivam hoje alucinadamente em bunker, enquanto outros, os também afortunados estão em contagem regressivas para irem a Marte – a feitura e a feiura do nosso tempo anunciam que estamos lascadamente em carne viva! Isso até pode soar como algo sonoramente erótico ou de natureza libidinosa, mas não é. Antes fosse! A questão, entretanto, é que a “cobra humana” perdeu a pele, e somente um novo “tecido civilizatório " poderá nos salvar. Mas, isso não se resolve sem que a cobra morda o próprio rabo. Sobre Eros, aquele filho de Ares e de Afrodite, hoje flerta com a nossa pele encharcada de feridas, e suas flecham só acertam os nossos alvos já intoxicados. De sorte que os amantes, cada vez mais de calcas curtas, preferem a ostentação dos seus coletes à prova de caricias! Ninguém ama além dos seus próprios músculos. Ora, o dito acima revela duramente uma coisa: perdemos a utopia. Perdemo...