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A farsa e o fascínio pelos sonhos dos outros na era Trump

Por Gilvaldo Quinzeiro Não há nada que acontece hoje que já não tenha sido testemunhado pelo Sol nalgum lugar do passado; quer tenha sido na Mesopotâmia, quer tenha sido no Egito; quer tenha sido na Grécia ou quer tenha sido em Roma. Em cada um desses lugares, os homens se sentiam elegantemente e em defesa do bem, mesmo tendo que rasgar a tripa dos seus adversários pela ponta de suas lanças! E por que seria diferente hoje com os Estados Unidos da América? Os Estados Unidos, os mesmos que muitos têm na conta de uma “nova terra prometida”, há 160 anos, quase ontem se formos comparar o tempo decorrido da existência das primeiras civilizações como a mesopotâmica e a egípcia, por exemplo, terminavam uma das mais sangrentas e vergonhosas guerras, não contra uma nação estrangeira, mas contra seu próprio povo -, em que um lado, digo, compatriotas,  não abriu mão de , mesmo tendo que perder  a sua,  para usar  aqueles que,  pela força bruta  foram forçados a se torn...

Revisitando o mito Narciso: para não se afogar nas assombrosas declarações de Donald Trump?

Por Gilvaldo Quinzeiro O que as assombrosas declarações de Donald Trump, às vésperas de oficialmente se tornar   o 47º presidente dos Estados Unidos, quer dizer   ao citar a anexação do Canadá e da Groenlândia? Em quais águas a nova face do mundo é lançada?  Ora, as tais falas seriam consideradas no mínimo uma declaração de guerra, se o mundo ainda fosse “o mundo”, mas não é!  O mundo hoje, se quisermos, enfim, dizer alguma coisa sobre ele, temos que vê-lo como uma “bacia” na qual os bebês, os atuais líderes mundiais, disputam o mesmo espaço para o seu terceiro banho!  Pelo dito acima, e em nosso esforço de bem identificar as coisas, num gesto quase que desesperado para salvarmos a própria pele, somos obrigados a revisitar as perigosas e encantadoras águas do mito de Narciso, fontes nas quais a civilização atual ou o que ainda restou dela foi mergulhada.  Essas novas águas, nas quais o Narciso de hoje lança a sua imagem, e com ela se afunda, são o...

O pão nosso de cada dia ou a cada dia o nosso pão?

Por Gilvaldo Quinzeiro Somos todos individualmente ou coletivamente, Sísifo, isto é, repetimos o peso das nossas tarefas acorrentando-se a elas! Porém, a questão não é sermos Sísifo em si, mas no modus operandi de tentarmos escapar dessa condição: é aqui que nasce uma outra condição, não necessariamente melhor do que a primeira, ou seja, da condição de Sísifo, e  que também reverbera no individual e no coletivo, a ficção! Ficção, o imagético coletivo ou a matrix, é disso que estamos falando! Ou seja, um outro tipo de prisão que, não obstante, seja forjada no esforço de nos libertar das agruras e do cansaço da vida diária, nos repete o modus operandi de Sísifo. Ora, não há como se compreender aquilo que chamamos de o mundo real, sem fazermos conexão com o que produzimos e colhemos no nosso esforço individual ou coletivo de tornarmos as condições desse mundo real, amenas. A ficção ganhou carne e osso, e mais, conquistou aquilo que chamamos de “mundo” para si mesma; e nós nos tornamos...

Uma contribuição reflexiva aos “pescadores” de alma

  Uma contribuição reflexiva aos “pescadores” de alma I - A nossa “aranha imagética”. Quando somos prisioneiros da teia de nós mesmos? Por Gilvaldo Quinzeiro O texto abaixo é um esforço para chegar até o limite do indizível, do inefável, ou seja, lá onde reside a cena primordial do nosso desespero, do nosso desamparo, das nossas carências mais profundas, e, neste caso, o próprio autor corre sério risco de, ao fazer este mergulho nestas profundezas, não conseguir voltar. O dito acima diz respeito ao que chamaremos de um esboço à uma introdução ao fantasmagórico, um esforço para um possível ponto de conexão entre a psicanálise e o xamanismo conforme ventilou o famoso antropólogo Lévi-Strauss. Em "A Eficácia Simbólica", artigo publicado em 1949, Lévi-Strauss analisa um longo e detalhado relato do xamã Kuna, Nele Kantule, sobre um parto difícil. O xamã, através de um cântico ritualístico, ajuda a parturiente a dar à luz. Lévi-Strauss argumenta que a eficácia do xamã não...

Cadê os homens, primo? Que circunstância é essa que não podemos nos comparar com uma aranha?

Por Gilvaldo Quinzeiro O homem, no seu imenso orgulho de querer pertencer aos céus, pode até não se comparar a uma aranha, posto que não se reconheça como um bicho qualquer. Quanto a aranha, presa ao seu trabalho tecer, não faz nenhum gesto de querer imitar o homem, por isso mesmo permanece em comunhão com as coisas telúricas. Contudo, a finitude de ambos, os colocam na assombrosa teia onde cada um é lançado a dar conta de si mesmo! Um homem esmagado pelas circunstâncias, diferente do que este possa ter pensado acerca de si mesmo, não vale mais do que uma aranha, além do que, são nestas circunstâncias que a teia da vida se coloca claramente aos nossos olhos! As circunstâncias atuais do mundo, não são boas para nenhum homem, e muito menos para uma aranha! A situação atual da Síria, por exemplo, na qual uns festejam a derrubada de Bashar al-Assad, hoje em asilo político na Rússia, enquanto os mesmos que estão a festejar o curso dos acontecimentos, estão impiedosamente a destruir toda a e...

O mundo e seus novos cavalos de batalhas

Por Gilvaldo Quinzeiro As novas guerras desafiam o cavalo do tempo e seu relógio. No campo de batalha, as novas tecnologias, são “cavalos” a cumprirem eficazmente suas missões de alto risco, sem, contudo, reivindicar qualquer afago. Quanto ao relógio do tempo, as novas guerras não só aceleraram seus ponteiros, como já não obedecem a qualquer engrenagem. Enquanto isso, a humanidade permanece adormecida, porém, isso não adia a sua chegada à beira do precipício! A derrubada de Bashar al-Assad, na Síria, no último final de semana, por exemplo, quebrou uma “pata” do cavalo da Rússia e esquartejou o espinhaço das pretensões dos interesses geopolíticos do Irã no Oriente Médio. E colocou Israel e a Turquia como “galo e galinha” a chocarem os ovos de ouros, ao menos a curto prazo, dos seus vizinhos!  Como uma pequena região, quase invisível no mapa mundial, derrubou a sela de todos os cavalos? Por outro lado, não obstante a tudo isso, uma grande “verruga” de encrenca está nascendo na testa ...

Que mundo abraça a vitória de Trump?

Por Gilvaldo Quinzeiro A vitória esmagadora de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, mais do que um recado ao mundo, é a prova de que os “nós civilizatórios” se desataram por completo. Por outro lado, representa a frustração em carne e osso de uma grande maioria da população que prefere um “sabugo” a qualquer coisa que seja “o mais do mesmo”. Esse é um problema, que não se restringe aos Estados Unidos, mas é global. Em outras palavras, falhamos! E falhamos no momento em que não deveríamos falhar. O mundo hoje se tornou um frágil guarda-chuva diante de uma avalanche de problemas que a política sequer desenhou uma resposta. Estamos à beira de uma guerra em escala global, mas este não é o único problema: os eventos climáticos, consequência direta da nossa irresponsabilidade, são bombas com efeitos cada vez mais devastadores!  O dito aqui explica por exemplo, porque os negros e imigrantes votaram em Trump, em que pese a sua ameaça a estes setores da sociedade norte-americana? ...