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"Não dói o útero, e sim a alma".

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Por Gilvaldo Quinzeiro A frase acima é de uma garota de 17 anos, vítima de um estupro coletivo (30 homens), ocorrido no Rio de Janeiro. O caso vem ganhando muita discussão em todos os setores da sociedade. O número de estupro vem aumentado significativamente no Brasil. O que dizer sobre este assunto? Este é o propósito desse texto. “Não dói o útero, e sim a alma”.  Esta frase é por si só perfurante: nela não há dor que não seja sentida. Bem, o dito aqui não pode ser interpretado de outra forma: estamos em ‘carne viva’. Ora isso implica em muitas coisas: Primeiro, estamos vivendo sem a pele protetora. Isto é, somos ‘minhocas’ a perfurar o chão. O chão onde somos todos expostos. Segundo: o gozo se tornou o ‘parafuso’ das nossas dores. Terceiro: os olhos, não os nossos, mas os dos outros, passaram a ser a nossa genitália. Ou seja, nada que não for feito à luz dos olhos dos outros, não nos oferece o ‘gozo’. Sim, estamos falando também do ‘deslocamento...

A morte: um discurso sobre vazio!

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Por Gilvaldo Quinzeiro No quadro acima  “ A vida e a Morte”, de Gustav Glimt, a morte,  a despeito do nosso esperneio, nos perscruta o tempo todo, tal como a cobra a sua presa – a qualquer deslize, e lá estará a morte fazendo o que melhor sabe fazer!   Ao menos na arte podemos enfrentar a morte, contudo, ainda assim, nada há nela que se aproveite – ou não? Ora, como podemos saber, senão morrendo realmente! Eis aqui o homem se erguendo da sua condição argilosa para questionar aquilo que nem os deuses respondem: sobre o útero da morte! A morte, por mais paradoxal que seja, não nos abandonará nunca! Talvez o melhor que devêssemos fazer, seria  dormir com ela? Por que não?  Ora, acordar seja de que jeito for, não significa ter nos  desvencilhados  da morte: ela continuará a nos perscrutar! Freud nos fala em alto e bom tom,  da nossa “Pulsão de Morte” como algo inerente a natureza humana, e, pasme!, pulsante! ...

O peixe da nossa pescaria

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Por Gilvaldo Quinzeiro Do que adianta enfrentar os perigos dos mares para pescar o ‘peixe’ que só pode ser pescado dentro de nós? Sim, somos o ‘peixe’! O peixe   que mesmo facilmente frito, mas que não fora completamente pescado! Tornar-se pescador de si mesmo é ir fundo: além de todas as águas! Os mares ‘interiores’, os que existem dentro de cada um de nós, são sem dúvidas, os mais difíceis de serem enfrentados. Aliás, mares há dentro de nós que nunca foram descobertos! Portanto, o tipo de ‘peixe’ que somos nos faz também da isca fugitiva – aquela que nos afoga enquanto pescamos o peixe que não nos diz respeito. Boa pescaria, a todos!

Abandono

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Por Gilvaldo Quinzeiro Faça chuva ou faça sol, o pior do abandono não é a nossa cara à esmo a contemplar o abandono em si, nem a indiferença dos olhares do outro a nossa dor, mas saber que ao fim da tempestade presente, o amanhecer virá com uma longa estrada – sem chance de, assim como a tormenta passada – encontrar ao menos um chapéu. O pior de todos os abandonos, contudo, é aquele do nosso animal interior! Que isso, pois, nunca ocorra! Quanto ao cão, coitado, mesmo abandonado, ainda assim, é em si que se encontra!  

O medo lhe abunda, prima?

Por Gilvaldo Quinzeiro Dentro de cada um, o palco onde somos de verdade: o medo! Mas não se espante, prima, há também o medo de sentir medo – este certamente é o medo de se lascar! Nos dias atuais, eu tenho observado o seguinte: o sujeito para livrar-se do medo que por dentro lhe abunda, resolve habitar o lado de fora de si. Ora, que errônea defesa: o lá fora é exatamente como lá dentro. E o pior, prima, a cabeça do bicho do qual fugimos de medo é a nossa! Então, pula?

Somos o que somos. Mas afinal o que somos?

Por Gilvaldo Quinzeiro O que somos não é o que nos parece óbvio, nem o que aparentamos ser  na melhor de todas as nossas fotos,  mas o que nos escapa,  porque de outra forma – não nos dariamos conta do  quão não passamos  de  frágeis  amarradios. Sim, somos frágeis amarradios de uma realidade que, não obstante a nossa fome de conhecê-la, em nada a abocanhamos. O que somos? Somos o  puído  pano estendido no varal da existência, isto é, da ordem daquilo que facilmente se rasga.

O dedo na ferida

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Por Gilvaldo Quinzeiro Os dias atuais podem ser representados simbolicamente pela espantosa obra acima, “Confirmação de Tomé”, de Caravaggio. Isto é, quando os dedos, que são cegos, substituem os olhos na constatação da ferida que viceja, é porque dos duros nós das palavras, estamos todos enforcados! Sim, meu senhor, tudo está esfolado! Nestas condições, a arte é uma espécie de esparadrapo: tudo mais é carne viva! Enfim, todos nós somos a trindade: Judas, Pedro e Tomé.