O caso Epstein: quando a águia esquece que sua comida se rasteja no chão ou uma sofisticada atualização do conto de Chapeuzinho Vermelho e das posições arquetípicas?



Por Gilvaldo Quinzeiro 


Mesmo morando nas nuvens, e  os que moram em Palm Beach, Flórida,    se sentem assim, isto é, no céu, contudo, todo ser humano traz consigo a única  posse da mais velha das posições humanas, sem qual,  em nada teríamos empreendido , desde quando  o homem é homem, do nômades ao astronauta;  de um miserável morador de rua a um bilionário, a saber, a “posição de cagar”.


Epstein tentou convencer a si mesmo , bem como a magnatas , a   príncipes e a  políticos de várias partes do mundo que eram diferentes. É claro que podemos até imaginar que pudessem limpar a bunda com dinheiro, ao invés de com  papel higiênico. E até aí tudo bem!


Freudianamente falando, e talvez essa seja a razão pela qual muitos odiarem Freud ou a psicanálise, somos, ao menos nisso, todos iguais! Ou seja, se andamos ou voamos, mas não passamos de merdas, embora estas, quando crianças, são o que temos de melhor para oferecer de presentes!


Ora , quem Epstein atraía para os céus das suas  ilhas e mansões, com o intento de saciar a sua bruta  fome ? Pessoas miseráveis seja econômica, seja social , seja emocionalmente. Isso sem falar naquelas pobres e indefesas, as crianças!


O dinheiro até pode comprar as pessoas e abafar os sussurros,  mas não muda os nossos traços filogenéticos. Ou seja, somos vestidos de animalesca pulsões!


Epstein foi aquela Águia que, quando voando, esqueceu-se de que a sua comida se rasteja no chão, e por isso, caiu na sofisticada armadilha da sua própria arrogância!


A águia quando voa , não está a voar simplesmente, pois está a caçar sem se arrogar de dona dos céus.


O caso Epstein, infelizmente, não é uma exceção, é uma realidade: é que já nos acostumamos com os urubus!


Por trás do discurso de prosperidade; e o discurso de prosperidade, paradoxalmente,  se somam aos  apocalípticos -,  se revela o lobo andando por veredas; as mesmas veredas que rotineiramente passa Chapeuzinho Vermelho: é só prestar mais atenção em tais discursos, e lá estarão os presentes… 


O mais assustador dos nossos assombrosos tempos é a condição na qual negamos a bizarra condição humana, na qual, mesmo quando em Marte, não passaremos de lobos disfarçados  em pele de ovelhas - é que hoje há uma indústria da retórica do bem,  onde   todos posam , mesmo lhes faltando os dedos, de bom samaritano !

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