Sobre a polêmica do carnaval de 2026 e a ressaca dos arrependidos?



Por Gilvaldo Quinzeiro 


Eu não queria entrar e nem entrarei na polêmica carnavalesca criada pela homenagem da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o Presidente Lula, com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", no desfile na Sapucaí,  até porque ainda é carnaval… Até porque o  samba no pé mexe com tudo para além das avenidas ...porém, a despeito da minha ressaca, ei-la:


Primeiro. Embora as religiões e as elites  se apropriem da arte para tecer o seu imaginário, porém, a Arte não é o amém das religiões, e muito menos das elites dominantes - ainda bem!


Segundo. A arte carnavalesca sempre foi, e espero que ainda  seja,  provocadora de reflexões! Assim como o bobo da corte tinha a autorização de, quando em performance, debochar do próprio rei, o carnavalesco é livre para inventar o seu enredo falando bem ou mal até de gravetos!


Terceiro. No carnaval se pode dizer “ mamãe eu quero mamar”, a despeito do entendimento contrário do significado da frase .


Quarto. Ao contrário de Roma, que na luta entre os gladiadores, “ encenava “ a carne viva que faltava no prato do povo, o mesmo povo que se empanzinava  ao assistir horrendo espetáculo, o carnaval usa a plasticidade para falar de qualquer coisa que seja - toda  ferida aqui é bem-vinda!


Quinto. Ora, os que se sentem feridos ou condenam a Escola  de Samba Acadêmicos de Niterói por ter homenageado Lula, oraram, profetizaram, fizeram do púlpito palanque político; fecharam rodovias e invadiram e depredaram o Supremo Tribunal Federal em prol de Jair Messias Bolsonaro. Ou seja, fizeram “o relógio do tempo girar ao contrário”; reduziram e confundiram o nome de Deus a um sabugo!


Sexto. Em outras palavras, usaram de todas as suas forças reais e imaginárias , tudo com base , acreditem, nas escrituras sagradas?


Sétimo. A diretoria da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói lançou uma nota, na qual revela ter sofrido perseguição muito antes do desfile.


Oitavo. Se tal feito foi uma propaganda eleitoral antecipada , o que dizer daqueles candidatos a deputado estadual, da minha cidade, por exemplo, que fizeram eventos carnavalescos em seus “santos nomes”?


Amém?

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