Em Tempos de Roupas Sujas: 8 Dicas de Ditergentes aos Ministros do Supremo Tribunal Federal na Sessão de Hoje
Por Gilvaldo Quinzeiro
1.O problema da lavagem: O dilema de se lavar tanta roupa suja em praça pública não reside na quantidade de sabão ou detergente consumida, mas na conveniência de terem escolhido justamente a sessão de hoje para fazê-lo. Por que hoje?
2.A régua moral: Sob a ótica da sabedoria popular, quando o sujo resolve acusar o mal lavado diante das câmeras, confirma-se apenas uma verdade incômoda: todos conviveram muito bem durante muito tempo com mesma sujeira.
3.A vergonha compartilhada: A tragédia da degradação institucional produz uma espantosa simetria: tornamo-nos rigorosamente iguais no constrangimento e no desconforto de termos de olhar uns nos olhos dos outros.
4.A nudez por trás do tecido: A toga de um magistrado muitas vezes tenta impedir que o público o condene pela nudez escandalosa de seus atos; no fundo, isso só expõe o quanto nós, espectadores, continuamos vestidos com a nossa própria e disfarçada hipocrisia.
5.O circo institucional: O espetáculo grotesco não pode ser transformado em rito oficial, sob pena de a própria sociedade esquecer o seu papel e se resignar à mera condição de plateia dócil.
6. A derrota coletiva: Em um cenário onde a justiça vira arquibancada, não haverá vencedores; resta apenas o vexame de quem escolheu torcer cegamente por um dos lados. Que lado?
7.A tensão do elástico: Quando o varal que sustenta as instituições é esticado além do limite — esquecendo-se de que opera sob a tensão de um elástico —, o desfecho é inevitável: o estalo do retrocesso chicoteará o rosto dos incautos. Ai?
8.A gravidade da terra: O andar de cima precisa provar do remédio amargo daquilo que jamais deveria ter esquecido: por mais alta que seja a cúpula, é na terra firme do povo que continuam fincados os seus pilares de sustentação.
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