O trágico é não se conhecer
Por Gilvaldo Quinzeiro “Deste o começo do mundo”, como diria os antigos mestres e contadores de histórias, o conhecimento e a ignorância distinguem os deuses e os homens. De lá para cá, a recompensa e o castigo; a vida e morte; vitória e derrota são compreendidas como um resultado da evolução de uns ou da involução de outro. Enfim, ‘o trágico’ tem sido parte daqueles que não acenderam a outra ordem hierárquica. Pois bem, ‘o trágico’ é aquilo que se repete, quando um enigma não é decifrado. Cada um de nós é um enigma, logo, somos também trágicos à medida que nos desconhecemos. Decifrar um enigma é, pois, alterar o próprio destino! Para os egípcios e os gregos antigos, por exemplo, a decifração um enigma era uma questão de vida ou morte! Em Édipo Rei Antígona (de Sófocles), o trágico e o enigma são partes do mesmo espelho. Mas, trata-se de um espelho outro – aquele em que nada se ver, posto que seja da ordem daquilo que nos é ocultado. Ora, o d...