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Mostrando postagens de Abril, 2014

Racismo no futebol. Quem atira as bananas em campo tem fome de quê?

Por Gilvaldo Quinzeiro
O esporte sempre foi visto, desde a Grécia antiga, como um elo de união entre todos os povos, culturas e torcidas. Daí o chamado “espírito olímpico ou esportivo”. Contudo, nesta segunda década do século XXI, este ideal, sobretudo no futebol, tem sido esquecido, cito de modo especial nos gramados europeus, onde reiteradas vezes têm sido registrados casos de discriminação aos atletas negros. O caso mais recente aconteceu na partida entre Barcelona X Vilarreal, ontem, domingo, dia 27, quando um torcedor atirou uma banana ao jogador Daniel Alves que, em resposta comeu a banana que lhe foi atirada.
De fato, atirar banana no campo de futebol em direção aos jogadores negros tem sido uma cena recorrente.Isso me faz questionar o seguinte: quem atira banana no campo de futebol tem fome de quê? De sangue? Certamente!
Eu tenho fome de banana, graças a Deus!Quisera que o mundo tivesse já resolvido outros tipos de fome. Especialmente aquelas cujo alimento é o ódio! É deste alime…

Na fala há que não é palavra. Um diálogo com o nosso silêncio gritante!

Por Gilvaldo Quinzeiro

Na fala há o que nos arremessa. É impossível, pois, falar sem se lançar também com as palavras. O ato de falar se assemelha a uma janela aberta. Não há como contemplar a vida através desta, sem se atirar por ela. Portanto, o sujeito que fala é silencioso, enquanto aquele que grita é o que com a fala se arremessa – para longe daquilo que a própria fala em si não lhe representa.
Em outra palavras, na fala há que é vômito. E neste há aquilo que é o melhor do sujeito. Mas como compreender que também nos arremessamos pela boca, se quando esta estando fechada, nos escapulimos pelos poros?
No sujeito há aquilo que não se “palavrisa”. E aquilo que não se “palavrisa” é da ordem do que não vive. Porém, isso não significa dizer que aquilo que não se vive, não vive em nós para sempre.
Dito com outra palavras, o não vivido, vive em nós para sempre. Não como o não vivido, mas como aquilo que vive em nós a espera de ser vivido. Ora, o não vivido é a “despalavra” que só se “palavri…

A existência, tão rasa, quanto funda. Somos todos porosos!

Por Gilvaldo Quinzeiro

O raso habitat da existência. Tudo por querer em vão morar lá no fundo, onde ninguém escapa do afogamento. Ora, como sobreviver no raso, tão exposto aos urubus? Como sobreviver lá no fundo com tantos tubarões à espreita?
Eis a questão! Viver, em certo sentido, é única oportunidade que nos resta para podermos falar destas tais coisas. Que coisas, não?
Portanto, a existência, a mais assustadora que seja, é melhor do que não ter susto algum, por nada ser!
Somos sim, porosos e puídos. As vezes não passamos de uma coisa que já nos escapole, porém, tomar fôlego ainda assim, significa ter se atravessado.
A existência ainda que rasa, nos fará alegres peixinhos!
Tenha uma Boa tarde!


Apodi: ai de ti sem os teus jumentos, neste Dia que é da Terra!

Por Gilvaldo Quinzeiro

Neste dia 22 de abril, Dia da Terra, quando há poucos dias foi noticiado a descoberta de um planeta habitável, não podemos, como diz um velho e sábio ditado popular: “trocar o amor velho pelo novo”. Ou seja, abandonar a Terra por uma outra que nem sequer nossos olhos alcançam. Ainda bem! Do mesmo modo, não deve o Nordeste abandonar os jumentos em cujos lombos foram erguida toda esta região, quando por aqui não se tinha “perna alguma”!
Apodi: ai de ti sem teus jumentos! Apodi: ai de ti com teus homens se alimentando da carne do mais velho dos teus irmãos – o jumento!
Pois bem, “o progresso” tem feito o homem abandonar os seus mais antigos amigos – indispensáveis em outros tempos – o cão e o gato todos abandonados pelas ruas das grandes, médias e pequenas cidades. Não bastasse isso, o Nordeste vivi um conflito dos mais brabos dos últimos tempos, pior ao meu ver, do que todas as secas, a saber, o que fazer com os milhares de jumentos que perambulam pelas estradas e ro…

Nós as cigarras, e suas rachaduras!

Por Gilvaldo Quinzeiro

A cigarra. Em certo sentido, somos parecidos com este inseto. Não com a cigarra que canta, isto é, no seu ciclo de vida adulta, mas com seu estágio bem anterior – a ninfa que pode passar de 1 a 17 anos debaixo da terra – até conhecer finalmente a luz do sol.
Estamos nós, por assim dizer, no nosso estado de “larvas”? Afirmar que não, significa mergulhar na desesperança! Acreditar pois, que ainda não somos o que finalmente podemos ser, é sim, mais esperançoso! ...
Pois bem, “La Cigarra” é um poema de Maria Elena Walsh, poeta argentina, já falecida, e que foi (salvo engano) musicado por Renato Teixeira. Não pude, entretanto, conter a minha emoção ao primeiro contado com este poema/musical. Passei dias ouvindo-o! Ontem, eu soube que alguém estava a minha procura para que eu falasse para a sua filha, a respeito do ciclo da cigarra. Fiquei espantado! Eu? Como assim? Por quê?
Claro que fiquei tentado a falar não do ciclo da cigarra, pois, não saberia; mas da existência que…