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Mostrando postagens de Março, 2017

Nós em nossa ‘carne viva’: Baroom! Baruuum!

Por Gilvaldo Quinzeiro

Os homens, seja quem forem os homens, vestem-se de dois ‘tecidos’, a saber, das imagens e das palavras. Por isso, a sensação de nudez é corrente. E o pior das sensações é sentir-se em ‘carne viva’ – esta tem sido a nossa total vestimenta!
Sangramos!
Os tempos são todos ‘porosos’. Daí a sensação instantânea de vazamentos. Talvez por isso as palavras como paredão, pancadão, safadão, e tudo mais que soa como ‘ão’ ou outras tais como apitaço, panelaço, beijaço, peitaço – são ‘rolhas’ para os nossos vazios!
Se por um lado recorremos ao aumentativo das palavras, por outro, isso significa que estamos cada vez mais apequenados. Tal é o tamanho das coisas, que as palavras tentam abarcar.
E quanto às imagens? Ora, em tempos de redes sociais, mas onde todos padecem sentindo-se em ‘carne viva’ que imagens se agigantam sobre nós senão aquelas que, por escassez de palavras ganham o status de ‘vírus’, isto é, aquelas que ‘viralizam’ ou ‘bombam’.
Baroom! Baruuum!
Ainda vivo, primo?

Bom…

Isso é amor ou ‘propina’, meu bem?

Por Gilvaldo Quinzeiro

A propina. Se há algo substancialmente inerente à sociedade brasileira, este elemento é indiscutivelmente a propina. Sem ela, o Brasil de hoje com esta ‘cara’ que é a de todos nós, não existiria.
Ora, o dito acima é ofensivo. Mas é também verdadeiro, infelizmente! Ao escrevê-lo sinto a presença de Nelson Rodrigues – este que, como ninguém soube opinar sobre as nossas ‘vergonhosas feridas’.
É, pois, sobre as nossas ‘vergonhas feridas’ que vou agora, não diria a língua, mas certamente ‘meter a cara’!
Neste tempo onde tudo é apropriado pela propina, é possível ainda  haver espaço para aquilo que  podemos chamar de ‘nosso’?  E quanto à intimidade - que parte esta ocupa hoje no ‘edifício da propina ‘?  
Quem ainda se permite amar aquilo que não seja ostentação?
Por fim, quão caros são os anéis para tão frouxas as relações: o que ainda se ata?
Tim-Tim!

Uma escrita como paus de cerca

Por Gilvaldo Quinzeiro
A minha escrita é feita das mesmas varas tortas com as quais o caboclo ergue as cercas das suas roças, que também são tortuosas, e quase não servem para nada, isto é, “não é cerca que impeça o pulo dos bodes”. No mais, ela, a minha escrita, faz parte da mesma paisagem rasteira qual a caatinga. A minha escrita é feita do mesmo barro usado (pelo também caboclo)  nas paredes porosas das suas casas que, como se diz, “não têm nem lá dentro e nem lá fora”, porém, misteriosamente,  através das destas paredes  se pode ver  também o mundo!
O dito aqui, não pode ser outra coisa, a tal escrita é ‘sumeriana’!

Bom dia a todos!

O pau da porteira e a nossa ‘carne podre’. Que porra é essa?

Por Gilvaldo Quinzeiro

A ‘carne podre’. Quisera que fosse uma mera metáfora, mas não é. De fato estamos atolados até os olhos na podridão dos nossos ricos costumes – o de sermos urubus de nós mesmos!
Que porra de sociedade é esta que assim como nos tempos escravocratas, hoje também, para se permanecer  de pé, finca seus passos na carne e nos ossos duros dos Outros!
Não é só o avanço da direita, ‘mosca’ da nossa carne podre, que devemos temer, mas, a podridão de todos os pensamentos, incluindo os  daqueles que  expandem seus impérios  às custas da ‘fé encaretada’ de muitos!
Como  explicar os fundamentos das cercas de arames farpados que se erguem nos campos, estes, cada vez mais esvaziados de gente, e os caros ‘churrascos de papelão’ que comemos de boca cheia?
Já não ‘cagamos’ todos os dias a mesma bosta – isso é bom ou ruim?
Afinal em que tipo de ‘gado’ nos transformamos e que ‘currais’ hão de ser ainda erguidos?




O silêncio dos jacarés

Por Gilvaldo Quinzeiro

Das palavras, especialmente daquelas que não me conduzirão a nada, eu quero estar seco!
O silêncio dos jacarés, entretanto, anuncia um porvir pantanoso. Talvez uma chuva de ‘sapos’. Porém, estranho mesmo será o ‘boi’ abanando o fogo onde acontecerá seu churrasco...
Estamos grávidos sim e de muitas coisas – daquelas que não há homens para serem suas medidas -, o difícil desse parto, portanto, é não terquem queira ser o seu rebento!

O chão nosso de cada dia

Por Gilvaldo Quinzeiro

A escuridão da noite não esmagará a pedra, nem o clarão do dia a fará mudar de lugar: a pedra ‘veste’ a si mesma, não importa quão grande seja a tempestade.
Quisera que todos nós tivéssemos ao menos um ‘grão’ de consciência acerca da ‘pedra’ que em nós precisa ser esculpida!

Este é o chão a ser pisado: o da autoescultura!

A humanidade está diante de si mesmo!

Por Gilvaldo Quinzeiro

Apesar de todos os sonhos, e gerações com suas ‘bandeiras de lutas’, não fomos capazes de construir um ‘mundo melhor’, e, não obstante todos os esforços, o pior dos mundos se descortina: a gritante condição em que milhões de pessoas morrerão de fome neste ano ainda! O alerta veio de Stephen O'Brien, chefe humanitário da Organização das Nações Unidas, afirmando que "estamos em um ponto crítico da história. Logo no começo do ano estamos enfrentando a maior crise humana desde a criação das Nações Unidas".
Ainda segundo Stephen O’Brien, “atualmente, 20 milhões de pessoas em quatro países estão passando fome. Sem um esforço coletivo, global e coordenado, as pessoas simplesmente vão morrer de fome. Muitas vão sofrer e morrer por causa de doenças atreladas a essa situação".
Os países são Sudão do Sul, Nigéria, Somália e Iêmem.  Os conflitos nestes países, todos, salvo engano, de natureza religiosa, é a causa principal para o agravamento da situação.
As i…

Reflexão

Por Gilvaldo Quinzeiro

Somos em nós mesmos “pedras, veredas, caminhos e viajantes”. Saber quem de nós nos esperará na chegada, esta, então é a grande questão. Porém, não fazer nada para nos ‘lapidar’, é não ter chegado em destino algum – isso não nos isentará, entretanto, da condição de ‘estranhos inquilinos’ – aqueles que nem na mais profunda solidão sabem de si!

Faça da sua vida, oficina. Tudo tem conserto!

Por Gilvaldo Quinzeiro

Não se assuste, amiga, a vida é tão estranha que podemos passar por ela sem nos darmos conta de que chegamos muito cedo para o ‘nosso velório’, e tarde demais para celebrá-la!
É possível que a multidão que você imagina lhe velar agora, se reparar bem, possui a mesma face: a sua! Portanto, à apenas um gesto seu todas as lágrimas vertidas em mar, que lhe afoga, se constituiriam também em ‘terra firme’ com o mais simples dos gestos – um sorriso!
Enfim, esta é boa notícia: a vida exige de nós que nos reinventemos diariamente. Façamos dela a nossa oficina – vale a pena passar o tempo nos remontando peças por peças!
Junte os remendos, as rosas, e todas as promessas feitas por você mesma, é hora, pois, de regar o jardim!
Bom dia!



A culpa, seus partos e suas dores.

Por Gilvaldo Quinzeiro

O problema dos tempos sob a égide acusatória como o nosso, não é de quem simplesmente acusa, conquanto, se possa com isso, condenar os inocentes a fogueira, mas o de se aproveitar o ensejo para ‘vomitar os demônios’, acreditando ter se livrado para sempre do prato, no qual, antes se comia calmamente! 
Não é sem razão que o estômago, e não a boca é a moradia das nossas sensações de medo!
Os ‘demônios’, estas sombras, que nos atormentam, sabem tão bem quanto os alimentamos da nossa hipocrisia, por isso, quão farto é o mundo atual destas figuras.
Ai das religiões, que ‘milagrosamente’ prosperam, inclusive se aproveitando do nosso medo e fraquezas, dado ser o atual contexto de muitos pescadores sendo usados como ‘iscas’ e da escancarada escassez de peixe -     ‘fartura mesmo só de demônios’! Talvez, seja esta a razão de tantas ‘redes’ à espreita?
Quão complexos são os dias de hoje. Tudo aponta para nós mesmos: a frágil condição humana!
Paradoxalmente, a ciência parece ca…