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Mostrando postagens de Agosto, 2010

A net, o nosso pirulito!

Gilvaldo Quinzeiro




O zíper apertado, bota de couro e um jeans azul. O mundo se torna pequeno qual um teclado de um computador!

No lugar das redes armadas na varanda, uma tela de tv LCD!

“Tc...”, “Zé do (pescoço) grande” - palavras fragmentadas como cacos de vidros, e pessoas sem máscaras, mas usando seus avatares!...

Bonecas de porcelanas, meninas “transando” tudo, com a simplicidade de comer pirulito!...

“Pirulito americano/ quem tem dente chupa cana/ quem não tem come banana/ pirulito!”....

O surfista

Gilvaldo Quinzeiro



Ao se atirar junto com as palavras, o que sobra é muito pouco para ainda jogar fora!...

Fique!

Que se vão as palavras!

Cuspa e surfe, afinal é você que imagina e cria o mar!...

Da laranja a uma mulher desnuda

Gilvaldo Quinzeiro




De fato, a “maturidade” é uma arte, tal como a de se descascar uma laranja, isto é, domar a fome que rumina e a lâmina que fere, evitando que esta adentre a pele e que o sumo irrite os olhos, parece algo simples, mas não o é. Aliás, a maturidade e o ato de saber descascar uma laranja é de uma grandeza tal que só pode ser comparado, uma outra arte também restrita a poucos, quase só aos deuses, digo, o de saber desnudar olhando nos olhos, uma mulher!...

Na verdade, por falar em deuses, “as travessias” que a vida nos exigem diariamente é de uma dimensão olímpica, ou seja, na largada, uma multidão, enquanto na chegada, uns poucos!

Em outras palavras, uma laranja quando não bem descascada, comê-la somente pela fome; uma mulher, ainda que nos despertando fomes diversas, ainda assim precisa de perícia e de arte para enfim... desnudá-la!...

Os mais moços tanto num caso, quanto no outro são levados a uma pressa olímpica que os tornam imperfeitos!...

Lembre-se!...

Gilvaldo Quinzeiro


Lembre-se das mulheres libanesas que assim como as iraquianas desejariam voar para bem longe ... para além das mil e uma noites sem bombas num tapete persa!

E peça a Deus que se apresse, do contrário, outras tantas meninas moças nunca virão a ser como vocês, mulheres!

Lembre-se das mulheres que moram no fundo do “buraco fundo” que é fundo!... A noite, já despertas de outros pesadelos, fazem amor sobre uma esteira pensando ser a outra que repete a mesma cena numa rede de tv!...

Lembre-se da nudez das mulheres que lavam roupa nas águas sujas do riacho São José cujas filhas tatuam o corpo queimando-se com o óleo da castanha de caju que dói! ...

Mulheres, juntem os remendos, as rosas.... e tudo que sobrou.... Mas recomecem dos pedaços, unindo como um bom tecelão, ponto por ponto, e continuem sendo vocês mulheres!

Um batom

Gilvaldo Quinzeiro




Moço, se ainda não sabes o que é a vida, então porque buscas a morte como se esta fosse a fonte para quem busca alguma coisa? Aliás, se buscas na morte alguma resposta é sinal de que há uma parte te ti que não quer morrer!...

Moço, se queres morrer, então vivas: a morte está lá na frente no caminho de quem vive, e não de quem morre antes de viver!...

Moço, as moças usam batom pra quê?...

Tire-o e saiba!...

Faz tempo que não nasce ninguém

Gilvaldo Quinzeiro



De tempo em tempo, nasce um Galileu, um Newton ou um Freud!... Mas, o tempo todo aumenta as punições dos que se queimam nos "tribunais das inquisições"!...

Os deuses das religiões e também os deuses das ciências, se perpetuam no tempo pelo prazer de ver suas aves de rapinas se alimentarem das vísceras de Prometeu bem como de outros que prometem outros tempos.

O "sagrado" nas mãos dos homens é profano, o "profano" nas mãos dos deuses faz ruir seus tempos de glórias em templos construídos para serem eternos!....

No tempo dos gregos, Zeus fez nascer Dionísio da “barriga da sua perna”, no tempo de hoje ainda se pesquisa para saber o que fazer com as células tronco?....

E assim, o presente nos arrasta precocemente para o futuro. Que futuro? O futuro há muito tempo é presente. O presente por sua vez, toma emprestado ao passado os "templos" que se mantêm de pé graças às promessas da eternidade! E o passado se repetirá …

Os arames farpados

Gilvaldo Quinzeiro


As campanhas eleitorais seguem como mulas nos tempos dos tropeiros: quanto mais apertado rabicho e a focinheira, melhor o desempenho dos animais. Os eleitores já estão sendo "encaretados e ferrados"; passado um ano das eleições, já se esqueceram em quem votaram. Menos mal, porque já não encontrarão as porteiras abertas, só os donos dos bois mamando nas tetas!

E aí hajam arames farpados, e mais 4 anos de espera!

Espinhas de peixe

Gilvaldo Quinzeiro


Então frite o peixe, mas permaneça com o olho no gato. Depois tire os sapatos e os braceletes e vá para o lago pescar!...

Veja-se na mão que fecha a porta e na outra que foge pelas portas do fundo!

Coma, só pelas raízes, as UTI’s são folhas que os xamãs mastigam!

Lembre-se que de “arca caída” a medicina na cura!

Aparando c’acuia!

Gilvaldo Quinzeiro


O redemoinho desceu o morro, em tempo de roça queimada,
Coivara, fogo atiçado, igual o primeiro beijo de um menino afobado: só faz que vai, e tem pena!...

Brejo plantado, águas de março no meio da canela,
Ponte de pau por nome pinguela para fazer travessia pro outro lado.

Sapo cantando na invernada,
Peixe pulando pra dentro do paneiro,
Cabaças de molho, arroz socado no pilão.

Cabeça-de-cuia, aqui não!

No banheiro, as palavras são minhocas

Gilvaldo Quinzeiro




Digestivas palavras presas nas paredes dos banheiros, quase todas famintas, de bocas abertas, estômago apertado: “quero te comer”!

As que vomitei eram minhocas famintas que furavam buracos pelos quais me via crucificado!...

Santas palavras!

Profanas eram as paredes, desculpas para o juízo final!

Que pressa!

Uma prece!

Nas mãos, velas acessas!...

Cerrado serrado é fogo!

Gilvaldo Quinzeiro







O fogo que queima o cerrado, dia e noite nesta época do ano, serra a nossa crença de que estamos em franco desenvolvimento.Mas, é claro que estamos: nas ventas!


Se os ventos soprarem mais, o fogo é quem se desenvolve envolvendo nas chamas os animais com e sem pernas pra correr. Os de penas também dão !...


Todo ano se brinca com o fogo, mas quem se queima: bacurizeiro, pequizeiro e meu pé de goiaba araçá!


Araras azuis voem! Não fiquem cinzas!


“Amanhã eu vou”, corujas!

A Mesopotâmia em nosso lugar

Gilvaldo Quinzeiro





Somos árvores em cujas sombras acampam seres alienígenas. No amanhecer do dia seguinte, ainda estando atônitos com as conversas ouvidas, outros seres chegam para também nos habitar.

No balançar dos galhos, somos todos estrangeiros dentro de nós, ou seja, somos apenas pontos de passagens, encruzilhadas ou uma “mesopotâmia” lutando por espaço!


Estranhos, bem-vindos quando conhecidos!

Timbira, imbira canta!

Gilvaldo Quinzeiro





O índio ermitão tece a imbira de tucum com a qual dará o nó na tanga para depois se embrenhar mata adentro, dentro de si, já que lá fora não há mais mata, só o fogo lambendo às plantações de capim!...


Sobre os galhos de um velho “caneleiro” caído, uma cigarra se agarra ao seu canto torcido, enquanto o ermitão fareja se há favo com mel por entre o tronco pelo tempo abatido!...


Timbira, imbira canta ao amarrar o fardo de lenha ou com o cambito na ponta da vara futucando de cara pra riba, o fruto da pindoba!

Pindoba!

Imbira e cipó de mufumbo, sem nada com que se amarrar, sobreviverá o velho timbira?


Haja tupã, haja caipora! Sem a mata que salva o índio, mata-se também quem mata a fonte das imbiras!

Viva o Nordeste brasileiro!

Gilvaldo Quinzeiro





Na “enchente dos que odeiam nordestinos” alguns nadam só com a bunda pra cima, visto que desconhecem pra que lado fica a cabeça, ou seja, são apenas rolos de coisas outras que descem na enxurrada, e como tais fendem antes mesmo de prosperarem!



Quanto aos nordestinos,  estes nem a mais árida das secas e nem a mais torrencial das enchentes os farão baixar a cabeça! Aliás, sem a resistência nordestina que é festiva e diária que outro Brasil poderia por si mesmo falar em bravura?



Por outra lado, é  da cultura nordestina, na sua autênticidade e diversidade,  música, literatura, folclore, artesanto etc - que os outros brazis se infeitam de Brasil!


Por tudo isso e por muito mais,vida longa ao povo nordestino!

Medicina cabocla

Gilvaldo Quinzeiro





Coceira nenhuma é igual a do “gugumim”, pra esta não tem água morna, quente ou fria: só o gargarejo de “malva do reino”!


Noite adentro, quando se escutava o pilãozinho sendo socado, era menino precisando passar por alguma esfregação, seja com azeite de mamona ensopado num algodão, seja com um dente de alho esquentado nas chamas de uma lamparina!


Nos casos mais graves de dor de barriga, se recorria ao sarro de cachimbo passado em cruz. E ai do menino metido à besta que se recusasse tal procedimento da medicina cabocla  – o cinturão estava já bem às vistas!...

O máximo que se poderia dizer era: mamãe!...

Berreiro

Gilvaldo Quinzeiro





Na porteira do tempo, o que se abre está fechado, e o que se fecha não espera para depois: tudo é o agora!


Somos uma boiada encaretada em currais eletrônicos: os parasitas são também nossos filhos!


As “vacas pintadas” berrarão a falta de um Antônio Conselheiro, num tempo em que precisamos ser Lampião!


Clarão: só das lamparinas!

As trempes do café da manhã

Gilvaldo Quinzeiro





Tomar café torrado na panela, sentado à beira de um fogão de lenha entre as trempes que sustentavam o papeiro – é leitura vivida e aprendida todas as manhãs!...

O cheiro do café atraía a vizinhança que chegava de mansinho, e entre uma prosa e outra alguém ia até a cozinha abanar o fogo cujas chamas lentamente se mantinham acesas, o que dava tempo ainda de se ouvir as notícias ouvidas no rádio que se esparramava sobre uma mesa!...


O papeiro de fundo preto de fumaça e  cabo queimado pelo fogo, era uma peça única e indispensável numa casa onde o principal cômodo era a cozinha.

Mas, o pilão onde o café era socado este tinha minha veneração. Tudo nele se fazia: da massa para fazer o cuscuz a cambica de pitomba!


Tempos difíceis, mas fartos de afeição,  brincadeiras e de meninos do “buchão”!...

187 anos do poeta Gonçalves Dias

Programação

Data: 10/08/
Local: Praça Gonçalves Dias



 18:30 – Homenagem da Profa. Deusemar Serra - membro do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias, aos 187 anos do nascimento do poeta Gonçalves Dias;

19hs. – Recital – Timbira imbira canta - leitura das poesias de Gonçalves Dias feitas pelos membros do Grupo Abraçate, convidados e pessoas interessadas em participar da homenagem ao grande poeta.

20hs. – Musical - o Romantismo nas veias e no coração – Apresentação do Grupo Abraçarte com repertório variado da MPB.


Realização:

Movimento Abraçarte Caxias;
Academia Caxiense de Letras
Instituto Histórico e Geográfico de Caxias

A fogueira na praia

Gilvaldo Quinzeiro




O que se desprende de mim é a face do outro, logo o que vejo, sinto dentro de mim com a força do que quebra os nós da minha aparência volátil...

Os laços que me prendem ao mar, não os fixam em mim, posto que sou feito dos rastros que as ondas apagam...


Mas, a fogueira que eu acender na beira da praia, esta sim fará a diferença entre eu e o mar, não que este perca o seu encanto, pelo contrário, é ai que reside à magia: o mar, o fogo e eu - o encantado!

Feliz Dia dos Pais!

Gilvaldo Quinzeiro



Sem ter os seios que alimentam, erotizam e acalentam, nós pais não passamos de uns lobos solitários a contemplar a matilha!

Todavia, é a nossa presença, nem sempre festejada que introduz o Principio da Realidade, sem a qual a civilização jamais seria edificada.

Sem ter a voz terna que apazigua, nós pais somos “a palavra” que ainda que traga o espanto, é o alerta do qual a sobrevivência do infanto depende.

Assim sendo, a sociedade que prescindir da “presença frustradora” dos pais na tentativa de, desta poupar os filhos – ter-se-á parido as cobras cujo veneno não se tem antídoto!

Pai nosso e de todas as matilhas, feliz dia dos pais!

Copa de 2014: cuidado com os cães famintos!

Gilvaldo Quinzeiro





Desejar que o futebol brasileiro seja tão bonito quanto um ballet e tão eficiente quanto um laser, é salutar e compreensível, sobretudo quando se alude ao nosso “complexo de vira-lata”, porém, formar atletas que façam do futebol um “espetáculo”, é preciso muito mais do que se investir na sua preparação física – precisa-se antes de tudo torná-los homens conscientes da sua auto-imagem bem como da sua responsabilidade para com toda uma nação!

Por outro lado, insuflar o técnico para convocar um determinado jogador para a Seleção Brasileira só porque este é “matador” no seu time, significa perder de vista a “bola” quando jogada no âmbito de uma Copa do Mundo. Ou seja, é muito mais do que ter um “rebolado” ou um corte de cabelo feito uma rudia!...

Pois bem, não tenho dúvida da “fome de bola” de alguns dos novos   jogadores que ora se deslancham no Campeonato Brasileiro, mas, retomando o “complexo de vira-lata” – jogar pés humanos para os cães comerem – é devorar os que ac…

A palidez da sala de aula

Gilvaldo Quinzeiro




A sala de aula (referir a escola é abstração), está grávida, mas não para dá à luz, visto que esta não se faz presente nas suas dores e contrações – a sua gravidez é de risco para o discurso prenhe de mestres que nunca enfrentaram o escuro. Ora, quem nunca entrou em surto com o que se passa numa sala de aula, isto é, quem nunca a subjetivou, como arguir que se pode iluminá-la?

Eis o corpo que se mutila com a ferramenta das palavras, pois fazer contato com este com o emprego das mãos, é cegar o discurso que antes servia de olhos, agora bocas que devoram com voracidade de quem também é comida!

A sala de aula é, portanto, a filha órfã de uma sociedade prenha de discursos e bugigangas!

Amigo é pra se guardar

Gilvaldo Quinzeiro



Compadre Antônio Luis, grato estou pela sua visita!


Você quase que me pega ainda com as mãos no cabresto, é que as mulas do lado de cá andam todas ariscas; algumas deixaram de usar o chocalho; outras, fazendo regime se recusam comer o milho. E para contextualizar a conversa, os vaqueiros dos homens andam batendo de porta em porta, prometendo chuva e fartura pro ano que vem!...


Mas, antes de terminar peço que avise ao Zeca Cabeção que afine bem a voz e a viola pra mode a gente pagar o fiado feito na segunda-feira, no bar da Preta!...

O quadro

Gilvaldo Quinzeiro




“As Rosas e a Virgem” é o quadro que eu pinto com as palavras escanchadas, como se fosse um cigano sobre uma cangalha tentando governar um jumento teimoso e acuado no meio de um terreiro. Ora as palavras escorregas como um Dom Quixote desajeitado, ora outras pendem mais para um lado, como uma carga torta sobre uma mula.

È assim que eu pinto: segurando as palavras pelo cabresto! Quanto “As Rosas e a Virgem” - eu as ajumento num quadro qualquer!

A palavra e a peneira

Gilvaldo Quinzeiro



A palavra é uma peneira pela qual se permeia a “coisa”. A palavra em si, foi feita tal como a peneira para "tampar o sol," só que ao invés disso, a “coisa” assim como o sol, torna a palavra inócua. Ou seja, a palavra e a peneira, enquanto invenção humana, conquanto, não se prestando a sua finalidade, por isso mesmo é humana, sem o humano que lhe dá “utilidade” são apetrechos da nossa mais humana obsessão – a magia!

Fritando o outro com os olhos

Gilvaldo Quinzeiro





O corpo que arremesso com as palavras é à parte de mim que conceberá o outro, não outro na sua alteridade, mas este sem o que eu o acrescentar de mim, não seria o que eu busco de mim no outro.


Eu sou cego de mim sem outro, porém, este sem nada de mim nele, constitui o que me abrirá os olhos, não para este, mas para mim mesmo!