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Postagens

Pensando acerca da alma cabocla

Por Gilvaldo Quinzeiro


Parafraseando um velho ditado caboclo. “Deus dá a farinha, mas a cuia, temos que tomá-la das mãos do diabo, pois, este insiste em tirá-la de nós”. Ora, vamos agora teorizar sobre esta frase. Pois bem, a cuia é feita da cabaça. A cabaça, no imaginário caboclo, contém uma ‘inscrição’ feita pelas mãos puramentemente humanas, a boca. Logo, esta, a boca da cabaça, é prenhe de imperfeições – é aqui que o diabo aparece! Diz-se que a boca da cabaça é a única obra não feita por Deus! Pensar sobre isso é ir além. É ‘pesca’ a alma cabocla.
O dito acima não deixa nada a desejar ao mundo grego, em especial, ao trágico, ao humano, e de modo especial, ao sofrimento de Prometeu por ter dado fogo aos homens.
Mas voltando a farinha. Como imaginar que a mandioca, a matéria-prima da farinha, que é potencialmente um veneno, possa ser transformada em alimento? Eis aqui a mesma arte, que transformou a água em vinho? Como não se referir a ‘alquimia cabocla’? As curas e outras que tais…
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O estranho espelho dos novos tempos!

Por Gilvaldo Quinzeiro



Bem, os novos tempos são tão difíceis e estranhos, quanto um “jumento falando na praça aos transeuntes”, isto é, não se sabe quem é o mais burro, se os que falam ou os que se calam. Contudo, o mais estranho é como de uma hora para outra, a racionalidade se tornou tão puída, e sem alcançar às profundezas das grandes questões!

Das linguagens, a única não corrompida, é dos sonhos, falta-nos, porém, quem os interprete! A propósito, nestes dias, vi como nunca, tanta gente recorrendo a Sigmund Freud (1856 -1939) numa volúpia para dar explicações ao ‘desmanche’ de todo um quadro tido antes como civilizatório. Ora, este é o paradoxo de toda civilização – matar o que lhe convém, e ressuscitar o que lhe proverá de luz, conquanto, este também tenha sido morto nas mesmas condições de escuridão de agora. Ocorre, entretanto, que Freud à sua época, teve a coragem de ir ao seu próprio inferno, o que contrasta hoje com que ninguém queira deixar a sua zona de conforto! Por isso, es…

Com a chegada das novas estações

Por Gilvaldo Quinzeiro

Em tempo de mudanças bruscas das estações, precisamos seguir agora o caminho das abelhas em direção as flores, e aprender com aquelas a coletar pacientemente os polens, dando início assim, o repovoamento dos jardins.
Mas não é só com as abelhas que devemos aprender. Dos sapos, precisamos aprender a tolerância de saber lidar com o desprezo de todos os dias; dos cães precisamos aprender a lição de que uma verdadeira amizade não se desfaz por nada!
Jamais deveríamos ter perdidos a direção dos ventos. São estes que nos trazem o cheiro das coisas... São estes que nos anunciam a chegada da primavera ou das noites frias de invernos...
Jamais deveríamos ter apagados as fogueiras, e emudecido as canções!
Enfim... Juntemos os remendos e as rosas, e recomecemos de cada pedaço.
Boa segunda-feira a todos!

O 'barro antropomórfico' destas eleições

O
Por Gilvaldo Quinzeiro

A História é um bruto engenho das nossas convicções. Ao passar pelas suas engrenagens podemos sair na condição de ‘porcos ou calangos’, contudo, o que importa mesmo é assegurar as condições em que o pensamento emirja, e assim, poder repensar os rastros fincados na areia.

O Brasil, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, que ocorrerá amanhã, 28, vive a sua grande decisão. Talvez, a maior de toda a sua História, em virtude das peculiaridades da situação atual.

Entramos em trabalho de parto. Cada individuo sentiu à sua maneira a sua poção de dor. Alguns se sentindo mais em ‘carne viva’ do que outros. Mas, enfim, nada do que está acontecendo é sobrenatural, e sim, brutalmente humano! E como eu tenho falado, o ser humano é da ordem daquilo que pode se transformar em qualquer coisa.

E é pensando nisto, ou seja, naquilo que podemos vir a nos transformar, que, amanhã vou participar da votação, utilizando-me do mínimo de racionalidade que ainda me rest…

As faces e os estômagos das coisas...

Por Gilvaldo Quinzeiro







De novo, Gardênia Silva, aluna do 2º ano D, do Colégio Militar Tiradentes IV, me surpreende com uma eloquente pintura! De novo, sinto-me desafiado a ouvi-la; a capta-la pelo sentido auditivo! De novo farei da pintura acima o meu ponto de partida. Ei-lo.
A face, poderia ser nas costas, brinco eu. Mas do que isso nos pouparia? Não são pelas costas que os fantasmas nos perseguem?
Aquele olhar ou aqueles olhos (da pintura), não parecem estar olhando fixo para si mesmos? Que face cheia de tantas outras, incluindo a minha!
Um sintoma pode se vestir falsamente de qualquer coisa, incluindo da nossa face. Ora, nestas condições, o sujeito se sente completamente ‘pelado’ não só aos olhos do outro, como aos seus também cuja função foi deslocada, como por exemplo, no dizer de Sigmund Freud (1856-1939) a escopofilia, isto é, o gozo pelo olhar.

Pois bem, quando o ‘estômago’ do ego não consegue digerir as emoções, em alguns casos, cabe a face reter toda a carga emocional, torn…

O que os céus têm a ver com estas eleições?

Por Gilvaldo Quinzeiro
E em tempo de acirrada polarização, como a que estamos assistindo nesta reta final das eleições presidenciais, onde as ruas e as redes sociais têm sido palco de episódios marcados por ódio e intolerância, e com a tendência de agravamento, precisamos sim tomar consciência e nos precaver dos perigos que todos nós estamos correndo.
Em vista disso chamo atenção para o seguinte:
Primeiro, levando em conta que, em toda situação polarizada, quando, um dos extremos assume o papel de ‘deus’, ao outro lado não restará outra escolha, senão ser o contrário. Aceitar esta última condição é cair nas armadilhas deste perigoso quadro bipolar. Polarizar com quem que seja neste atual momento, não é correr o risco de inflar a bolha ideológica do outro?
Segundo, a fé é terrena, bem sabemos, e os céus não têm nada a ver com isso, nestas condições, entretanto, demonizar o outro nos esvazia de nós mesmos. Portanto, meu irmão, tome cuidado nesta reta final das eleições, pois, no afã da…

E as eleições, primo?

Por Gilvaldo Quinzeiro

Pois é...
Com um olho no peixe e o outro gato. E o terceiro? – na frigideira – é daqui que poderá sair a qualquer momento um bicho! É assim como estou vendo estas eleições, que entram agora na sua reta final! Outra coisa, primo: nunca foi tão difícil decidir o meu voto. Tenho até a hora da votação para tomar uma decisão. Foi mais fácil para mim decidir em quem não votar!
Enfim...
Pelo inflar das frases, que serviram de marcha para os acontecimentos que antecederam a atual campanha eleitoral, tais como “panelaços”, “apitaços” entre outras, eu não teria como melhor iniciar este texto. Ou seja, provando do caldo quente pelas beiradas – foi assim que meu pai me ensinou!
Vejo, primo, muito “peixe fora d’água” se passando como gato esperto – mas que nada! - o terreno pantanoso, que tomou conta da cena política não esconde a condição de muitos jacarés!... Aliás, primo, a respeito destes ‘jacarés’, eu já venho falando há tanto tempo que ninguém me ver mais chorando ou…