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Os meios, as medidas e as conversas. Uma reflexão sobre os desperdícios

Por Gilvaldo Quinzeiro

O que mede o mundo civilizado: o desperdício ou a reciclagem? O Luxo ou o lixo? O isolamento ou a interação? A inserção no real ou o “afogamento” no virtual?
Qual a medida de todas as coisas: o homem, que só ver aquilo que antropomorfiza ou as coisas naquilo que esta a tudo coisifica?

Neste breve texto vamos trazer algumas reflexões acerca do cotidiano, em especial, das coisas acumuladas como o lixo e da nossa tendência em perdemos o contado com a vida; com a vida na Terra, diga-se de passagem.
Pois bem, se por um lado abundam-se as coisas, principalmente as artificiais as quais não se agrega nenhum afeto, tal como as mensagens virtuais, em que pese o esforço e a dedicação de quem as envia; por outro, escasseia assustadoramente o “sinal de vida”, tal como uma velha e boa prosa entre os amigos – coisa que na época da lamparina, era farta e útil.
Em que gesto ou coisa há vida hoje?
A cada novo estilo de vida ou modismo, menos se inclui, por exemplo, a simplicidade e a i…
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Vida de passarinho também dá pena!

Por Gilvaldo Quinzeiro


Ontem, eu presencie uma cena rara. O voo teste de uns filhotes de passarinho. Para ser mais preciso filhote de “garrincha”. O ninho ficava no alto de um poste da rede elétrica – deste usado na ligação das residências rurais. Lá no alto havia uma cavidade, no qual, a mãe passarinho fizera o ninho. Era quase o cair da tarde mais escura. Havia ainda galinhas ciscando o chão, e, para a infelicidade de um destes filhotes, o seu primeiro voo terminou num bico de outras espécies, uma prima distante. Os outros, talvez mais espertos, tiveram que se esquivar de uns já crescidos filhotes de gatos, estes, já testando a sua habilidade de predador. Que coisa é a vida! Pensei!
O texto que segue abaixo é o resultado de outro voo:o meu rasteiro ato de pensar sobre as coisas. Espero que goste! Ei-lo!
Criar asas é um longo e doloroso “parto”. Antes, a decisão de onde e como construir o ninho implica em salvar as próprias penas, pois, há predadores, que se passam genuinamente pelo gra…

O nome das coisas, os sintomas, e a nossa falta de remédio

Por Gilvaldo Quinzeiro

Chama-me atenção no resgate dos 12 meninos a duas semanas presos numa caverna, na Tailândia, até aqui bem sucedido!,diga-se de passagem, o nome do time, “Javali Selvagem”.
Por que o nome do time “Javali Selvagem”? O que este nome suscita no imaginário dos meninos? Por que escolher uma caverna para comemorar o aniversário de um dos atletas? Nós não vamos aqui entrar no mérito da questão, e muito menos responder as perguntas aqui levantadas. Mas vamos falar dos “nomes das coisas ou das coisas sem nomes”, e assim propor uma reflexão possível sobre os lugares e as coisas, e se possível dá nomes aos nossos medos.
Para começar, vamos continuar questionando: qual à necessidade de nomearmos as coisas? O que significa para um determinado grupo social uma coisa sem nome?
Pois bem, o nome de uma tempestade não a diminui ou a simplifica, mas apenas revela o nosso medo de ver aquilo que não seja a nossa própria face impressa nas coisas.
Em outras palavras, o nome que damos às co…

Fome de bola!

Por Gilvaldo Quinzeiro

No tempo de fartura de campo, todo terreiro era um campo, todo terreno baldio era um campo; mas de escassez de bola, usava-se palha de milho, meia, laranjas – eu era o dono do pé de laranja. Nota-se, pois, que de bola eu não jogava nada. O muito que eu fazia era implicar para garantir uma vaga no jogo!
O bom do ‘futebol de laranja’, era poder literalmente comer a bola a cada bola furada! - o que era a todo instante.
Tinha um menino ‘dono’ do time adversário, o Pedro Bodó, que chorava quando era derrotado no jogo. Dava pena de ver o Pedro chorar. Não sei se o choro do Pedro, de fato era em razão da derrota, ou se era com fome de comer a bola! Quando hoje eu encontro o Pedro Bodó, sempre me refiro ao nosso ‘futebol de laranjeira’, e é claro, ao seu chororô!
Quando apareceu as primeiras bolas, isso para nós, meninos da roça, era as bolas Tostão, Pelé – artigo de luxo! Quando estas bolas furavam, ao contrario das laranjas, não se comiam: aprendemos dar um jeito de lhes a…

Abundam-se as coisas lá do céu?

Por Gilvaldo Quinzeiro

Para quem engatinha, todos nós em certo sentido ainda engatinhamos, manter a bunda presa ao chão é a referência possível. Nem a boca escapa daquilo que também se rasteja. Até a mais alta das imagens é feita da nossa pobre poeira.
Nós não deveríamos pensar no desconforto dos sapos, posto que em relação ao ‘chão’, não atingimos a escala que deles nos diferencia!
Por falar em escala, no que concerne à astronômica, Marte está nestes dias se aproximando! O asteroide Vesta está se aproximando – podendo ser visível ao olho nu! E há quem fale que até um novo ‘sistema solar’ também esteja se aproximando!
Enquanto isso, àquilo que é imanente as nossas profundezas estão se aflorando. O vulcão Kilauea, no Havaí, vomita rios de larvas, e ‘seca’ comunidades inteiras. Na Guatemala, o vulcão de Fogo, nos faz lembrar Vesúvio. Há quem já não durma com a possibilidade de, a qualquer momento, a Caldeira de Yellowstone, nos Estados Unidos, dá o seu grotesco ‘recado’!
Quer mais?
Alguns pe…

A metáfora do desejo e da sedução

Por Gilvaldo Quinzeiro

O desejo é um cavalo cego esbarrando de porta em porta. De sorte que, quando uma destas se abre, eis que aquele cavalo, o desejo, hesitará em entrar, e seguirá em frente com a sua missão errática: desejar sempre!
O dito aqui implica em duas coisas. Primeiro, o desejo por si só, não visa a sua realização, pois, se tal fato acontecer, o mesmo já não seria mais desejo – e, sim, um cavalo sem suas patas. Segundo, para este ‘cavalo’, o desejo, falta-lhe a visão de um cavalheiro. É este que, enfim, com decisão, sabedoria e discernimento baterá e entrará por uma destas portas mantendo o cavalo são e salvo.
Já a sedução é uma espécie de cavalheiro desajeitado que, não sabendo para onde fica a cabeça do cavalo, posa de ‘dono de si mesmo’. Não sabendo aquele quão caricato o é - ser-lhe-ia melhor gastar às suas poucas energias, não com os adornos da montaria, e sim domando o seu ‘cavalo interior’.






Entre a cobra e a águia

Por Gilvaldo Quinzeiro
Queira ser uma ‘cobra’, se se nunca lhe despertou o desejo de ser uma águia, porém, não viva se queixando da condição de uma vida inteira com o bucho no chão, e de não poder olhar para cima – lá do alto onde a águia confortavelmente a tudo contempla!
As escolhas deveriam ser sábias, mas os impulsos são os que ganham asas ou pernas quando as condições, ainda que momentâneas, nos fazem escapar o chão.
Uma águia não pode gabar-se de nada, conquanto, nas alturas, pois, a sua comida, ora se rasteja nas traiçoeiras estepes, ora se oculta no oco das pedras.
Um caçador, ainda com fome de três dias, deve manter-se sereno, se passando pela caça, se possível, e, quando no momento decisivo, não ter que se arremessar com a própria flecha.
No final, não importa os motivos porque cada um é porco ou formiga; cabra ou lobo, em quaisquer que sejam as condições, estaremos diante de nós mesmos!