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Mostrando postagens de Junho, 2018

A metáfora do desejo e da sedução

Por Gilvaldo Quinzeiro

O desejo é um cavalo cego esbarrando de porta em porta. De sorte que, quando uma destas se abre, eis que aquele cavalo, o desejo, hesitará em entrar, e seguirá em frente com a sua missão errática: desejar sempre!
O dito aqui implica em duas coisas. Primeiro, o desejo por si só, não visa a sua realização, pois, se tal fato acontecer, o mesmo já não seria mais desejo – e, sim, um cavalo sem suas patas. Segundo, para este ‘cavalo’, o desejo, falta-lhe a visão de um cavalheiro. É este que, enfim, com decisão, sabedoria e discernimento baterá e entrará por uma destas portas mantendo o cavalo são e salvo.
Já a sedução é uma espécie de cavalheiro desajeitado que, não sabendo para onde fica a cabeça do cavalo, posa de ‘dono de si mesmo’. Não sabendo aquele quão caricato o é - ser-lhe-ia melhor gastar às suas poucas energias, não com os adornos da montaria, e sim domando o seu ‘cavalo interior’.






Entre a cobra e a águia

Por Gilvaldo Quinzeiro
Queira ser uma ‘cobra’, se se nunca lhe despertou o desejo de ser uma águia, porém, não viva se queixando da condição de uma vida inteira com o bucho no chão, e de não poder olhar para cima – lá do alto onde a águia confortavelmente a tudo contempla!
As escolhas deveriam ser sábias, mas os impulsos são os que ganham asas ou pernas quando as condições, ainda que momentâneas, nos fazem escapar o chão.
Uma águia não pode gabar-se de nada, conquanto, nas alturas, pois, a sua comida, ora se rasteja nas traiçoeiras estepes, ora se oculta no oco das pedras.
Um caçador, ainda com fome de três dias, deve manter-se sereno, se passando pela caça, se possível, e, quando no momento decisivo, não ter que se arremessar com a própria flecha.
No final, não importa os motivos porque cada um é porco ou formiga; cabra ou lobo, em quaisquer que sejam as condições, estaremos diante de nós mesmos!





A dialética do espelho

Por Gilvaldo Quinzeiro

A dialética do espelho. O que se ver, pode, em nada nos dizer a respeito, mas se repararmos bem; se prestarmos um pouquinho mais de atenção, aquilo que “sentimos” no ato ver, isso sem dúvida alguma, é nosso! Esta é a parte cega do espelho que nos pertence.
Em outras palavras, os sentimentos são ‘olhos’ que costumamos ocultar – vão esforço, pois, se aqueles não estão tão explícitos quanto os da cara -, nem por isso nos impedem que nos sintamos tão despidos de verdade.
Olhem-se!

O graveto, a fogueira e os fantasmas

Por Gilvaldo Quinzeiro

Então você quer saber “com quantos paus se faz uma fogueira”? Pois é... Eu vou lhe ensinar mais do que isso, ou seja, eu vou lhe ensinar como se deve manter acesa uma fogueira.
Calma, caro leitor! Eu estou brincando! Pois eu também sinto quão é escuro e cru os nossos dias.
Enfim, o quanto é importante poder se livrar da escuridão!
Pois bem, eu comparo uma fogueira, as nossas conquistas diárias. Saber valorizar as pequenas conquistas é tão importante, quanto manter do lado, o tempo todo, os gravetos com os quais as fogueiras são e se mantêm acesas.
As pequenas conquistas são como gravetos após acesa a fogueira. Quem deles ainda se lembram? Porém, eis o risco de a escuridão voltar à medida que esquecemos como manter a fogueira acesa. Assim também serão as ameaças à sequência das conquistas, uma vez que estas são constituídas de detalhes; de temperos; de ‘mungangos’, enfim, esquecer destes detalhes é não mais saber como e para que servem os gravetos.
As noites e os dias…

A vida

Por Gilvaldo Quinzeiro

A vida é ‘trempe’. O carvão é ferramenta nas mãos dos criativos. As cinzas são linhas e tecidos como as palmas da mão.
A paixão é a prova de que em tudo se pode  imprimir a nossa face. O mais estranho é viver esperando por aquilo que ainda não se plantou.
Plante humor. Cultive estradas. Regue os sonhos.
Viver bem é aprender fazer travesseiros das pedras. É driblar as adversidades com um sorriso. Viver bem é se afastar das coisas; das coisas que não nos pertencem nem na Terra, e muito menos nas Águas.
unte os remendos, os traços, os cacos, e tudo que sobrou. Sopre a poeira. Aproveite as lágrimas para lavar o rosto.
Caiu. Levante-se. Siga em frente!


A dupla face de todas coisas?

Por Gilvaldo Quinzeiro
Uma coisa é o que é, não importa quantos e quais olhos estão sobre ela. Mas os olhos sobre a coisa, não importa de quem quer que sejam, estes poderão sofrer para continuarem a pertencer a si mesmos, tal é o preço a pagar por estes verem a coisa.
Em outras palavras, o ato de ver pode em nada acrescentar sobre a coisa vista. Mas, os olhos sobre a coisa, estes nunca serão mais os mesmos.
O ato de ver nos torna ‘isca e peixe’ ao mesmo tempo.
Melhor faria o deus romano Janus que, por possuir duas faces, uma olhando para frente, a outra para trás, pois, no mínimo disfarçaria facilmente qual dos olhos sobre a coisa, fora o mais atingido. Isto é, haveriam olhos sobrando, a despeito daqueles que foram ‘cegos’.
Este deus romano de duas faces, nos faz pensar a respeito da face dupla presente em todas as coisas. Será? Penso, eu, que não seria nenhum exagero ver o mundo sob esta ótica, qual seja, a de que todas as coisas têm duas faces.
Dizem que entre as inúmeras antiguidades c…

A imagem: a ‘carne’, que de tudo nos alimenta!

Por Gilvaldo Quinzeiro

Nem só de arroz e feijão se alimenta o homem contemporâneo, mas de toda a imagem, que supostamente se ‘emprenha’ do olhar do outro.
Imagine o nutricionista receitando uma dieta para seu paciente. “Alimente-se daquelas imagens que não despertem a fome no outro”. “Alimente-se de tudo, menos dos seus fantasmas”.
Claro que em tempo regido pelo imagético, o olhar do outro é o que nos engorda. Aliás, esta questão que se refere ao “olho gordo”, dele, os nossos avós já se precaviam.
Hoje, se repararmos bem em quaisquer restaurantes, vamos nos deparar com a seguinte cena, que, de tão recorrente já nos parece óbvia, e por isso mesmo ninguém a ver. Mas que tal cena é essa? Bem, a cena é: costuma-se antes de comer, enviar a imagem da comida via WhatsApp para, presumo, que outrem a saboreie antes de nós mesmos, ainda que salivando e já postos à mesa. O que isso significa? O que isso quer dizer?
Pois bem, a resposta a estas questões acima levantadas poderá vir de diferentes pont…