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Mostrando postagens de Outubro, 2013

É fogo: o que o Brasil aprenderá com as manifestações que incendeiam o lixo histórico acumulado?

Por Gilvaldo Quinzeiro

1 - Fogo de monturo. De repente, nos acostumamos com aquele fogo baixo e lento com o qual o povo das periferias, “limpa” a sujeira acumulada em seus quintais. Entretanto, o fogo, mesmo brando, não deixou de ser fogo. E a qualquer descuido, ela sapeca a casa inteira!
2 - O Brasil que se soterra. Uma coisa podemos afirmar sem medo de errar: as autoridades brasileiras ao longo do tempo não só “maquiaram a realidade”, como jogaram para debaixo do tapete os problemas para os quais sempre fizeram vista grossa. E agora, é deste terreno abandonado que proliferam “os mosquitos e as baratas” que ameaçam o sono confortável da nossa elite política?
3 - O trançar do cofo. Estamos diante de uma “balaiadalização” dos movimentos sociais, enquanto as autoridades permanecem acuadas diante de novos e velhos problemas sociais?
4 -A violência. Não há novidade alguma, pois, a sociedade brasileira vem convivendo com ela a longas datas. A questão, porém, é em que tipo de combustível esta (…

O ovo: que pensamento nos suscita?

Por Gilvaldo Quinzeiro


De um certo modo, somos como pintos que desconhecem o ovo – a sua primeira morada – já a segunda, porém, como justificar que não nos sentimos desprotegido? Ora, o lado de fora do ovo, o que é, senão o mundo que soterra o pinto!
“Pintos pelados”, ei o que somos depois que o ovo eclodi!
Não importa, pois, a civilização no seu ápice, qualquer que seja ela; a egípcia, a grega, a mesopotâmica ou aquela que vou chamá-la de a “civilização da mandioca” – o retorno para “o ovo” é uma ideia que nos conforta!
Voltar para o ovo para quê? Eis, a ideia sem a qual a do paraíso também não nos seria tão quebradiça!
Talvez, enfim, “o nada”, ao invés de pinto pelado, seja a pior condição. É aqui, pois, onde se parecer ao menos com “pavão” nos faz uma gigantesca diferença!
Mas tal sacrifício ao custo de quantas penas?
- As de Colombo, talvez!


Quando nos lembrarmos dos nossos ossos, fortaleça ao menos o sorriso!

Por Gilvaldo Quinzeiro

No começo tudo é a boca. A que sobe e a que desce. Em alguma delas, podemos ainda estar entalado. Depois, entretanto, tudo é carne. E começa a dúvida: qual a melhor? A mole ou a dura? Nesta fase o açougue é o espelho – é nele que a carne dura se enfia!
Aos 50 anos, entretanto, nos vem aquela pressão como na propaganda: “como, enfim, ter osso forte”?
Em outras palavras, somos também de osso! O mesmo que ao longo da vida, nunca nos damos conta da sua existência, exceto, quando a carne desaparece, e a nossa face já parecida com aquelas de quem sempre tememos, se escancara bem na nossa cara!
Viu, como a beleza é a que enfiamos ao espelho com as palavras? Lindo, não?
Ser de osso apenas, quando em nossa volta, as flores que nascem são enviadas para aqueles que ainda “têm tudo em cima” – é um sinal tardio para a reza que os nossos ossos durem, antes que estas mesmas flores sobre nós murchem!
Cedo? A vida que passa é tarde para quem nunca acorda. Daí para a corda, a distância…

Falando com as paredes ou com os cavalos?

Por Gilvaldo Quinzeiro

A solidão das paredes. A nossa é mais dura? Pelo andar da carruagem, os cavalos estarão melhor acompanhado. E quanto, aquela única sombra na parede já se deu conta do quanto tempo ela dura?
Pois é.... Que mundo massa! Quanta solidão, e gente num canto fitando as paredes. Que bom pra elas, pois, assim como os cavalos puxando a carruagem, somos sua companhia!
Mas, para nós, quantos cavalos serão precisos quando as paredes não mais nos aguentar?
Cuidado, com as “esporas” da sua resposta!
Nas minhas, já estou cavalgando!




Para não dizer que nunca brinquei com boneca de pano. Uma introdução sobre a seriedade das brincadeiras infantis

Por Gilvaldo Quinzeiro


Pode nos parecer apenas lúdico, mas, “o brincar” de uma criança é sério. É um gigantesco esforço no sentido de reconstruir a realidade que lhe escapa. “Realidade” é o modo de dizer, o que, para a criança significa aquilo que lhe devora. Ou seja, o encontro de “bocas” – a da criança que realmente abocanha o mundo – e a do mundo que já reaparece na forma de vômito.
O vômito! Como assim?
Ora, a realidade naquilo que também tem de ilusório, não é outra coisa, senão o vômito com o que restou de nós do seu abocanhar! Daí é que ficar “juntando os pedaços” pode se tornar um gesto para o resta da vida.
Portanto, a ponte que liga a criança ao adulto, não é fixa, mas móvel, ou seja, andamos com ela dentro de nós. E sua travessia pode nos ser realmente impossível, posto que, qualquer que seja o lado, já habitamos os seus extremos!
Mas, voltando ao “brincar da criança”. O que há ali que não nos seja espantoso, sobretudo, quando é “o imitar” do mundo adulto?Eis porque temos a obr…

De repente o que fazer, quando a pressa é o que nos engole?

Por Gilvaldo Quinzeiro

O fazer, já foi mais fácil. O complicado, porém, é se desvencilhar do virtual.Hoje, “machado” para todas as coisas – das que já mastigamos como blocos de concretos – e daquelas em que nos contemplamos “fritos”!
O fazer de hoje, portanto, é quase como o do antes da descoberta do fogo, com uma diferença, porém: o dedo que se sapeca no fogo economizou seus anéis!
Enfim, aprendemos?
Ora, antes “o fritar o peixe”, por exemplo, nos abria apenas dois olhos – o que fisgava a frigideira e o outro que tangia o gato – hoje, quantos olhos são precisos, dias e noites?
Então, é mais simples o engolir, quando pela boca do outro, o peixe já se desvencilhou das suas espinhas.
E assim, nos transformamos em peixe, não naquele que nada, mas o que se deixa pela facilidade se levar pelas correntezas!
E a meu peixe! Esta boca é a sua ou daquela isca?

O cão, a linguiça e o homem: tudo amarrado pela palavra?

Por Gilvaldo Quinzeiro


Amarrar cachorro com linguiça – e com a palavra -  pode? Freud cansou de nos falar sobre “ a cura com a palavra”. Mas a de quem? A do analista ou a do próprio paciente? Eis a questão!

A propósito de “amarrar cachorro com linguiça”, nos soa a principio como impossível. De veras! Mas, quanto se amarrar com a palavra? Ora, afinal para que nos serve a palavra, senão para os amarradios!
Linguiça e palavra são feitos dos mesmos ingredientes, a saber, os significantes. Graças a isso, o homem e  o cão se tornaram “amigos”. Porém, se na falta das palavras, só sobrar à linguiça, então, é claro que tudo que  antes estava “amarrado”, agora se desatará. E aquilo que o cão lambe quando ver o outro, para o homem faria a diferença?
Freud tinha razão sobre a cura com a palavra. Isso significa dizer, porém, que também as doenças são feitas de palavras, as podres, principalmente. Quanto às engolem sem ao menos fechar a boca?
Ora, a escuta dos sintomas, e não das doenças em si, é a deci…