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Mostrando postagens de 2018

Entre a 'cruz' e o 'fuzil', qual será o símbolo da mais nova cruzada?

Por Gilvaldo Quinzeiro

Que os tempos ficaram difíceis, disso ninguém duvida. Aliás, é bom que se diga que nunca houve tempo fácil. Veja então as queixas de Parmênides ou Heráclito; Platão ou Aristóteles; Júlio Cesar ou Otávio; Jesus ou Judas. Enfim. Cada tempo é prenhe de si mesmo. A questão é saber se a dor é de parir ou por nada sentir.
O discurso apocalíptico, no qual se afoga muitas das correntes religiosas do nosso tempo, todas prenhas da filosofia do ‘quanto pior, melhor’, pois, de outra forma não se constituiriam enquanto tais, têm também às suas algemas presas ao ‘fundamentalismo político’. Talvez pela falta de perspectivas, ao mesmo tempo em que dependem do cumprimento de suas profecias, oscilam ora na busca do novo messias, alguns dizem que já o encontramos, ora na figura daquele que imediatamente a tudo destruirá. Um paradoxo, portanto.
O fato é que religião e política nunca estiveram tão ‘casados’ como no atual contexto da realidade brasileira. E, diga-se passagem, tudo i…

Olho por olho. Uma releitura da nossa crítica situação.

Por Gilvaldo Quinzeiro
Se de repente o olho direito ‘polarizasse’ com o olho esquerdo e vice-versa, acerca do que veem, ocorreria então que o espinho, mesmo furando um dos olhos, seria visto pelo outro, o do olho não furado como o “bem”.
Ora, à luz da sabedora egípcia, o que está acontecendo dentro e fora das redes sociais; nas ruas; nos bares; enfim, no Brasil como um todo, no que se refere a polarização política entre a chamada Direita e Esquerda, o que aliás não é de hoje, o que é de hoje é a completa cegueira de ambos os lados, estamos furando os dois olhos que temos, e, ainda assim, enaltecendo os espinhos!
Em outras palavras, em se pensando a coisa como um todo, e é assim que devemos agir (os antigos egípcios pensavam assim), pois, isso nos pouparia de muitos riscos, há se entender que, Direita X Esquerda é parte do todo, isto é, da realidade brasileira, tanto que,os erros de um estão entranhados no que outro lado percebe como acertos. Isto é, os extremos não passam, dialeticam…

Eu, o peixe também das minhas desilusões

Por Gilvaldo Quinzeiro

Abrir a janela no afã de ver o sol da manhã brotar dentro de casa, é fácil. Muitos fazem disso um hábito enfadonho e sem nenhuma intenção poética: tudo com a mera pressa de fugir da escuridão e do frio da noite passada, e nada mais!
‘Pescar’ o dia de hoje fazendo do último fôlego a isca – eis o abrir da verdadeira janela - isso só nos será possível quando compreendermos também que o ‘peixe’ de ontem, nada agora para além do mar que constitui a intenção deste momento!
A vida não é só aquilo que nos escapa como peixe por entre os dedos, mas o que também permanece, e se emprenha e se engraça de nós mesmos!
Valorizar ou reciclar o que ainda nos resta nas mãos, a parte nossa de cada dia, nos pouparia o tempo, a cabeça e os pés correndo atrás daquilo que já se foi, e que em outras águas, talvez até mais escuras, tenta sobreviver se passando não mais por peixe, e sim por jacaré.
As vezes a fome de peixe é que nos faz esquecer o mar!... Ah quantos mares banhados e esque…

O ‘elástico’ esticado chegou ao seu limite!

Por Gilvaldo Quinzeiro


Bem - bem? – como eu venho chamando atenção através dos meus textos reflexivos (há algum tempo!), a crise brasileira não é só política e econômica. Esta faz parte de um contexto maior que é a ‘crise civilizatória’ pela qual passa a humanidade. Podemos até falar em crise planetária, isto é, os processos de mudanças ora em curso, que são de natureza astronômicas – tudo isso com sérias implicações para a humanidade. Portanto, tal crise tem algo de um âmbito mais geral ao mesmo tempo em que tem algo de particular, esta última são as nossas velhas mazelas como a corrupção, por exemplo. Tudo misturado e fervendo no mesmo caldeirão! É aqui que precisamos agir com sabedoria: o ferver deste caldeirão não pode ruir a casa toda! O combate a corrupção não pode nos transformar em seres abjetos. A nossa fome de comida não pode nos fazer arremetermos com a própria flecha.
O que assistimos ontem, e que merece ser repudiado por toda a sociedade, independentemente do seu viés polít…

...

Por Gilvaldo Quinzeiro

A realidade é aquilo que nos abocanha. De outra forma não teríamos noção da nossa boca, e sim da nossa fome.
O ato de devorar, portanto, erige as ‘iscas’ do nosso medo: a realidade cheia de dentes.
Estamos claramente imersos naquilo que é aquoso. Naquilo que é aquoso estamos imersos. O que nos é obscuro e penoso, no entanto, é a nossa condição de ‘peixe frito’.

Um punhado de realidade por uma cuia de farinha!

Por Gilvaldo Quinzeiro

Entre a realidade e a ficção não há um ‘punhado’ de separação! A cerca, que antes separava um do outro, caiu na primeira ventania de ontem trazendo consigo os ares dos novos tempos. Um novo tempo prenhe de si mesmo no curto espaço entre o fio dental e a boca de quem mais nada abocanha. Tudo se tornou o mesmo fio elétrico ‘descascado’ nas mãos de quem se acha conectado! Mas quá! Quer saber mesmo o que é a vida, meu filho? - então se disfarce de ‘carne viva’!
Cuidado com os urubus! Mas não prenda seus olhos no alto!
O serpentear entre o bem e o mal é cobra grande, e de duas cabeças! Uma pena para quem não sabe o porquê de as mãos permanecerem ocupadas, e do perigo da existência de tantas ‘varas curtas’!
Enfim, meu filho, não espere que os sapos engulam suas palavras. Entretanto, quanto aos homens não há duvidas de que estes engolem os sapos. Em terra de sapo ver um homem em pé é porque não restou mais nada! Tome cuidado! Uma leitura precipitada do mundo poderá dispara…

Viver: imperativo categórico!

Por Gilvaldo Quinzeiro
Quem quer que deseje pensar a morte em quaisquer que sejam os seus sentidos “a morte pensada”, “a morte matada” ou “a morte morrida”, este tem necessariamente que estar vivo, porque de outra forma tornar-se-ia impossível tal esforço.Portanto, a vida é antes de tudo, a única condição sob a qual podemos nos esforçar para dela sairmos ou permanecemos, melhor exemplificando, a vida é, sob certos aspectos uma “bolha” onde residimos, de modo que um simples gesto de respirar ou não respirar faz toda a diferença, incluindo o do estouro desta.
Iniciamos o nosso exercício do pensar, que resultará em mais um texto, este, com as premissas acima iniciadas, sabendo que, tal exercíciomesmo sem querer citar Immanuel Kant(1724-1804), mas consciente que tal esforço nos seria impossível sem“bebermos em suas fontes”, especialmente no que tange aos seus Imperativos Categóricos, iremos costurar este difícil tecido reflexivo tambémmergulhados nas águas de Sigmund Freud (1856-1939), est…

O quanto possível, melhor!

Por Gilvaldo Quinzeiro
Quando não há outras fontes, as águas barrentas, não são problemas para quem está com sede: a mão trêmula lhe servirá de filtro separando o barro da água.
O dito acima nos faz concluir que: enquanto tiver uma mão se mexendo, a outra não se enterrará jamais! Não se deve, pois, nunca morrer por inteiro; viver sim!
Viver é aprender todos os dias a desfazer ‘o barro’ que nos soterra, logo, esculpir-se do vívido e do possível é ter tornado a vida em uma obra de arte.

O “barro antropomórfico”. O que nos falta, fere!

Por Gilvaldo Quinzeiro
“Devagar com o andor que o santo é de barro”.Eis uma construção que nos remete para a edificação de todos os demais engenhos, incluindo as nossas dores para as quais erigimos apressados a nossa prece: o próprio homem. Contudo, se o homem já não é a mais “medida de todas as coisas”, eu acredito que ainda seja, conforme nos dissera Protágoras de Abdera (486 a.C.- 411 a.C.), é porque nos falta “o barro antropomórfico”, sem o qual, toda a construção se esvazia de significado. Em outras palavras, o homem se tornou refém das coisas. Das coisas nas quais não percebe mais a sua face!
A frase acima, poderia ser reescrita hoje assim: “apresse com o andor que “o barro” do qual o santo é feito conosco não mais se parece”. O “barro” aqui, não é outro, é o antropomórfico. Este é sem dúvida alguma, um dos sintomas da nossa época, isto é, a falta da falta que nos faz falta. Dito com outras palavras, o que nos falta, fere!
Quisera que “o bicho que corre atrás de nós ainda fosse …

Os meios, as medidas e as conversas. Uma reflexão sobre os desperdícios

Por Gilvaldo Quinzeiro

O que mede o mundo civilizado: o desperdício ou a reciclagem? O Luxo ou o lixo? O isolamento ou a interação? A inserção no real ou o “afogamento” no virtual?
Qual a medida de todas as coisas: o homem, que só ver aquilo que antropomorfiza ou as coisas naquilo que esta a tudo coisifica?

Neste breve texto vamos trazer algumas reflexões acerca do cotidiano, em especial, das coisas acumuladas como o lixo e da nossa tendência em perdemos o contado com a vida; com a vida na Terra, diga-se de passagem.
Pois bem, se por um lado abundam-se as coisas, principalmente as artificiais as quais não se agrega nenhum afeto, tal como as mensagens virtuais, em que pese o esforço e a dedicação de quem as envia; por outro, escasseia assustadoramente o “sinal de vida”, tal como uma velha e boa prosa entre os amigos – coisa que na época da lamparina, era farta e útil.
Em que gesto ou coisa há vida hoje?
A cada novo estilo de vida ou modismo, menos se inclui, por exemplo, a simplicidade e a i…

Vida de passarinho também dá pena!

Por Gilvaldo Quinzeiro


Ontem, eu presencie uma cena rara. O voo teste de uns filhotes de passarinho. Para ser mais preciso filhote de “garrincha”. O ninho ficava no alto de um poste da rede elétrica – deste usado na ligação das residências rurais. Lá no alto havia uma cavidade, no qual, a mãe passarinho fizera o ninho. Era quase o cair da tarde mais escura. Havia ainda galinhas ciscando o chão, e, para a infelicidade de um destes filhotes, o seu primeiro voo terminou num bico de outras espécies, uma prima distante. Os outros, talvez mais espertos, tiveram que se esquivar de uns já crescidos filhotes de gatos, estes, já testando a sua habilidade de predador. Que coisa é a vida! Pensei!
O texto que segue abaixo é o resultado de outro voo:o meu rasteiro ato de pensar sobre as coisas. Espero que goste! Ei-lo!
Criar asas é um longo e doloroso “parto”. Antes, a decisão de onde e como construir o ninho implica em salvar as próprias penas, pois, há predadores, que se passam genuinamente pelo gra…

O nome das coisas, os sintomas, e a nossa falta de remédio

Por Gilvaldo Quinzeiro

Chama-me atenção no resgate dos 12 meninos a duas semanas presos numa caverna, na Tailândia, até aqui bem sucedido!,diga-se de passagem, o nome do time, “Javali Selvagem”.
Por que o nome do time “Javali Selvagem”? O que este nome suscita no imaginário dos meninos? Por que escolher uma caverna para comemorar o aniversário de um dos atletas? Nós não vamos aqui entrar no mérito da questão, e muito menos responder as perguntas aqui levantadas. Mas vamos falar dos “nomes das coisas ou das coisas sem nomes”, e assim propor uma reflexão possível sobre os lugares e as coisas, e se possível dá nomes aos nossos medos.
Para começar, vamos continuar questionando: qual à necessidade de nomearmos as coisas? O que significa para um determinado grupo social uma coisa sem nome?
Pois bem, o nome de uma tempestade não a diminui ou a simplifica, mas apenas revela o nosso medo de ver aquilo que não seja a nossa própria face impressa nas coisas.
Em outras palavras, o nome que damos às co…

Fome de bola!

Por Gilvaldo Quinzeiro

No tempo de fartura de campo, todo terreiro era um campo, todo terreno baldio era um campo; mas de escassez de bola, usava-se palha de milho, meia, laranjas – eu era o dono do pé de laranja. Nota-se, pois, que de bola eu não jogava nada. O muito que eu fazia era implicar para garantir uma vaga no jogo!
O bom do ‘futebol de laranja’, era poder literalmente comer a bola a cada bola furada! - o que era a todo instante.
Tinha um menino ‘dono’ do time adversário, o Pedro Bodó, que chorava quando era derrotado no jogo. Dava pena de ver o Pedro chorar. Não sei se o choro do Pedro, de fato era em razão da derrota, ou se era com fome de comer a bola! Quando hoje eu encontro o Pedro Bodó, sempre me refiro ao nosso ‘futebol de laranjeira’, e é claro, ao seu chororô!
Quando apareceu as primeiras bolas, isso para nós, meninos da roça, era as bolas Tostão, Pelé – artigo de luxo! Quando estas bolas furavam, ao contrario das laranjas, não se comiam: aprendemos dar um jeito de lhes a…

Abundam-se as coisas lá do céu?

Por Gilvaldo Quinzeiro

Para quem engatinha, todos nós em certo sentido ainda engatinhamos, manter a bunda presa ao chão é a referência possível. Nem a boca escapa daquilo que também se rasteja. Até a mais alta das imagens é feita da nossa pobre poeira.
Nós não deveríamos pensar no desconforto dos sapos, posto que em relação ao ‘chão’, não atingimos a escala que deles nos diferencia!
Por falar em escala, no que concerne à astronômica, Marte está nestes dias se aproximando! O asteroide Vesta está se aproximando – podendo ser visível ao olho nu! E há quem fale que até um novo ‘sistema solar’ também esteja se aproximando!
Enquanto isso, àquilo que é imanente as nossas profundezas estão se aflorando. O vulcão Kilauea, no Havaí, vomita rios de larvas, e ‘seca’ comunidades inteiras. Na Guatemala, o vulcão de Fogo, nos faz lembrar Vesúvio. Há quem já não durma com a possibilidade de, a qualquer momento, a Caldeira de Yellowstone, nos Estados Unidos, dá o seu grotesco ‘recado’!
Quer mais?
Alguns pe…

A metáfora do desejo e da sedução

Por Gilvaldo Quinzeiro

O desejo é um cavalo cego esbarrando de porta em porta. De sorte que, quando uma destas se abre, eis que aquele cavalo, o desejo, hesitará em entrar, e seguirá em frente com a sua missão errática: desejar sempre!
O dito aqui implica em duas coisas. Primeiro, o desejo por si só, não visa a sua realização, pois, se tal fato acontecer, o mesmo já não seria mais desejo – e, sim, um cavalo sem suas patas. Segundo, para este ‘cavalo’, o desejo, falta-lhe a visão de um cavalheiro. É este que, enfim, com decisão, sabedoria e discernimento baterá e entrará por uma destas portas mantendo o cavalo são e salvo.
Já a sedução é uma espécie de cavalheiro desajeitado que, não sabendo para onde fica a cabeça do cavalo, posa de ‘dono de si mesmo’. Não sabendo aquele quão caricato o é - ser-lhe-ia melhor gastar às suas poucas energias, não com os adornos da montaria, e sim domando o seu ‘cavalo interior’.






Entre a cobra e a águia

Por Gilvaldo Quinzeiro
Queira ser uma ‘cobra’, se se nunca lhe despertou o desejo de ser uma águia, porém, não viva se queixando da condição de uma vida inteira com o bucho no chão, e de não poder olhar para cima – lá do alto onde a águia confortavelmente a tudo contempla!
As escolhas deveriam ser sábias, mas os impulsos são os que ganham asas ou pernas quando as condições, ainda que momentâneas, nos fazem escapar o chão.
Uma águia não pode gabar-se de nada, conquanto, nas alturas, pois, a sua comida, ora se rasteja nas traiçoeiras estepes, ora se oculta no oco das pedras.
Um caçador, ainda com fome de três dias, deve manter-se sereno, se passando pela caça, se possível, e, quando no momento decisivo, não ter que se arremessar com a própria flecha.
No final, não importa os motivos porque cada um é porco ou formiga; cabra ou lobo, em quaisquer que sejam as condições, estaremos diante de nós mesmos!





A dialética do espelho

Por Gilvaldo Quinzeiro

A dialética do espelho. O que se ver, pode, em nada nos dizer a respeito, mas se repararmos bem; se prestarmos um pouquinho mais de atenção, aquilo que “sentimos” no ato ver, isso sem dúvida alguma, é nosso! Esta é a parte cega do espelho que nos pertence.
Em outras palavras, os sentimentos são ‘olhos’ que costumamos ocultar – vão esforço, pois, se aqueles não estão tão explícitos quanto os da cara -, nem por isso nos impedem que nos sintamos tão despidos de verdade.
Olhem-se!

O graveto, a fogueira e os fantasmas

Por Gilvaldo Quinzeiro

Então você quer saber “com quantos paus se faz uma fogueira”? Pois é... Eu vou lhe ensinar mais do que isso, ou seja, eu vou lhe ensinar como se deve manter acesa uma fogueira.
Calma, caro leitor! Eu estou brincando! Pois eu também sinto quão é escuro e cru os nossos dias.
Enfim, o quanto é importante poder se livrar da escuridão!
Pois bem, eu comparo uma fogueira, as nossas conquistas diárias. Saber valorizar as pequenas conquistas é tão importante, quanto manter do lado, o tempo todo, os gravetos com os quais as fogueiras são e se mantêm acesas.
As pequenas conquistas são como gravetos após acesa a fogueira. Quem deles ainda se lembram? Porém, eis o risco de a escuridão voltar à medida que esquecemos como manter a fogueira acesa. Assim também serão as ameaças à sequência das conquistas, uma vez que estas são constituídas de detalhes; de temperos; de ‘mungangos’, enfim, esquecer destes detalhes é não mais saber como e para que servem os gravetos.
As noites e os dias…

A vida

Por Gilvaldo Quinzeiro

A vida é ‘trempe’. O carvão é ferramenta nas mãos dos criativos. As cinzas são linhas e tecidos como as palmas da mão.
A paixão é a prova de que em tudo se pode  imprimir a nossa face. O mais estranho é viver esperando por aquilo que ainda não se plantou.
Plante humor. Cultive estradas. Regue os sonhos.
Viver bem é aprender fazer travesseiros das pedras. É driblar as adversidades com um sorriso. Viver bem é se afastar das coisas; das coisas que não nos pertencem nem na Terra, e muito menos nas Águas.
unte os remendos, os traços, os cacos, e tudo que sobrou. Sopre a poeira. Aproveite as lágrimas para lavar o rosto.
Caiu. Levante-se. Siga em frente!


A dupla face de todas coisas?

Por Gilvaldo Quinzeiro
Uma coisa é o que é, não importa quantos e quais olhos estão sobre ela. Mas os olhos sobre a coisa, não importa de quem quer que sejam, estes poderão sofrer para continuarem a pertencer a si mesmos, tal é o preço a pagar por estes verem a coisa.
Em outras palavras, o ato de ver pode em nada acrescentar sobre a coisa vista. Mas, os olhos sobre a coisa, estes nunca serão mais os mesmos.
O ato de ver nos torna ‘isca e peixe’ ao mesmo tempo.
Melhor faria o deus romano Janus que, por possuir duas faces, uma olhando para frente, a outra para trás, pois, no mínimo disfarçaria facilmente qual dos olhos sobre a coisa, fora o mais atingido. Isto é, haveriam olhos sobrando, a despeito daqueles que foram ‘cegos’.
Este deus romano de duas faces, nos faz pensar a respeito da face dupla presente em todas as coisas. Será? Penso, eu, que não seria nenhum exagero ver o mundo sob esta ótica, qual seja, a de que todas as coisas têm duas faces.
Dizem que entre as inúmeras antiguidades c…

A imagem: a ‘carne’, que de tudo nos alimenta!

Por Gilvaldo Quinzeiro

Nem só de arroz e feijão se alimenta o homem contemporâneo, mas de toda a imagem, que supostamente se ‘emprenha’ do olhar do outro.
Imagine o nutricionista receitando uma dieta para seu paciente. “Alimente-se daquelas imagens que não despertem a fome no outro”. “Alimente-se de tudo, menos dos seus fantasmas”.
Claro que em tempo regido pelo imagético, o olhar do outro é o que nos engorda. Aliás, esta questão que se refere ao “olho gordo”, dele, os nossos avós já se precaviam.
Hoje, se repararmos bem em quaisquer restaurantes, vamos nos deparar com a seguinte cena, que, de tão recorrente já nos parece óbvia, e por isso mesmo ninguém a ver. Mas que tal cena é essa? Bem, a cena é: costuma-se antes de comer, enviar a imagem da comida via WhatsApp para, presumo, que outrem a saboreie antes de nós mesmos, ainda que salivando e já postos à mesa. O que isso significa? O que isso quer dizer?
Pois bem, a resposta a estas questões acima levantadas poderá vir de diferentes pont…

Voar é minha ‘muleta’. Qual a sua?

Por Gilvaldo Quinzeiro

Todos, certamente, cada um ao seu estilo, têm uma ‘muleta’. A minha é querer voar! Às vezes, no meio do voo, é que percebo que me faltam as asas! 
Todavia, erguer-me após a cada tombo e tropeço, me dá a sensação de viver sempre nas alturas!
Um pássaro ferido, ainda que no chão, é a prova de que voar é possível!
Na dúvida se ainda lhe restaram as asas, mire para onde fica a cabeça: ela sempre se voltará para as alturas.
Lançar-se ao voo é o caminho que nos supre a ausência das asas! Estas, as asas, são criadas pela visão dos seus sonhos!

O Corpo. Este lugar prenhe de desconforto!

Por Gilvaldo Quinzeiro

Na semântica do corpo, o gozo é ato devorador de significados: nada aqui é possível do alcance da palavra! É uma espécie de ‘buraco negro’, onde a luz das estrelas espraia em escuridão. Mas não gozar, contudo, significa ter domínio do jogo entre significantes e significados – é a prevalência do errático, tal qual, um fragmento rochoso a deslizar-se no firmamento.
Ontem numa conversa entre amigos, ouvi um comentário que, no momento não me chamou atenção, mas, aquilo me fincou pensamentos.... Dizia o comentário: “Eu fico desconfortavel entre o buraco existente entre uma fala e outra”. “Como assim”? pensei cá meus botões.
Quis dizer o meu amigo em seu comentário acima do seu silêncio ou do incômodo de não se apropriar da fala do outro? Ou simplesmente o seu desconforto era apenas uma fala vinda dos lugares longínquos do seu próprio corpo?
Pois é, o assunto aqui nos remeteria às coisas freudianas, com uma boa dose das inspirações dionisíacas!
O Corpo é este lugar prenhe …

Cuidado em sentir-se em outra pele

Por Gilvaldo Quinzeiro
Cuidado com o que você pensa e acredita, porque isso poderá realmente definir você -, com tudo aquilo que há dentro de você como pedras e montanhas! O sentido das coisas, se se as coisas têm sentidos, não são outros, são os seus. Por isso se faça melhor como a arte de quem lapida uma rocha. Mas, tenha mais cuidado ainda com aquilo em que você não pensa e nem acredita, porque isso, sim, pode ser real!
Não tenha pressa em saber aquilo que, para as pedras, em seus milhões de anos de existência, são ventos e bundas, que se assentam para suas pregações sobre a vida!
A vida vale não pelo que se romantiza dela, mas pelo que de fato dela se aprende -, aprender aqui pode significar juntar os ‘tampos’, mas ainda assim, é melhor seguir inteiro. Tudo na verdade é falta!
Desvencilhar-se da própria pele apenas por “um ouvir dizer que é melhor viver sem”, é chegar tardiamente a conclusão de que tudo é perfeito quando estando em seu devido lugar.
Cuidado!




Minha Mãe!

Por Gilvaldo Quinzeiro

O mundo se tornou muito estranho, em pouco tempo, minha Mãe! Tudo de repente mudou da porta para porteira, isto é, mas largo em certos aspectos, e que nos impedem os passos curtos, porém, por outros aspectos, apertado por muitos “paus metidos”!
Não é cheiro do café, aquele minha Mãe, torrado na panela e socado no pilão que atrai os vizinhos para uma conversa gostosa, bem ali encostado no fogão de barro! Aliás, ninguém tem mais vizinho! Ninguém conversa com ninguém: tudo hoje é “curtida”, uma espécie de obrigação virtual! E ai de você se se mesmo ‘cego’ de afetividade, não curtir a postagem do outro!!
Nesses tempos alterados, como as meninas, quase todas já mães antes da sua segunda menstruação, eu relutei muito em não lhe escrever mensagem alguma, porque as mais bonitas são todas repetidas! Enfim...
Sim, Mãe, a coisa ficou, de repente, muito estranha! As pessoas hoje se parecem mais, com “porcos em barreiros”: um esfrega danado para ficar mais limpo e bonito, mas...…

O grande espelho!

Por Gilvaldo Quinzeiro


O homem desde a sua origem é um animal das ‘cavernas’ – espelho do nosso medo! Parece ter sido ontem, o escrito de Platão (428 a.C.-347 a.C) acerca da sua famosa alegoria do “Mito da Caverna”. Mas o que seria a Caverna dos dias atuais? Esta questão, se se respondida, nos cegaria de imediato pela clareza e pelo desmanche das nossas sombras. Todavia, falta ao nosso tempo figuras como Platão. Daí a nossa demora para percebermos o óbvio!
Sim, amigo, ainda estamos presos ao ‘útero da existência’! Em que pese esta afirmação significar o óbvio, porém, o fato é: nós ainda não nascemos para nós mesmo, agora imagine, para “o lado de lá fora”! Aliás, como diz a sabedoria antiga, “o lado de fora é como o lado de dentro e vice-versa”.
Então, em assim sendo, o que é o mundo, se ao nosso, o interior, ainda não habitamos? Que face contemplamos? Que face é a nossa? De que se alimenta o nosso medo?
É inegável, contudo, que através das ferramentas, cada vez mais sofisticadas, colocamo…