Tomando altura do tempo’
Por Gilvaldo Quinzeiro Não se costura um rio, e nem se aplica remendo a ele. Há coisas entre as coisas, que não se ‘arvorizam’, nem enquanto sementes ou enquanto a nossa vontade de tornar as coisas ao menos na condição de graveto; nem se tornam rio ainda que fazendo parte das nossas coisas afogadas! Em outras palavras, como diz o velho ditado, cada coisa em seu devido lugar. Melhor que seja assim, pois, há muitas mãos se passando pelas coisas, no exato momento quando a fome de levar para a barriga, frita a cabeça. Um dia como hoje, sexta-feira santa, o caboclo, como meu pai, e tantos outros – gente da minha gente -, tirava para ‘tomar altura do tempo’! Ou seja, para fazer uma leitura das coisas utilizando-se das próprias coisas para delas, ao mesmo tempo se tornar distante. O que no linguajar filosófico significaria abstração. Sim, ao contrário do que se pensa, o caboclo, mesmo quando fazendo um simples risco no chão sem se dá conta de que risco é aquele, ...