A pedagogia das tragédias, e as novas espécies de urubus

Por Gilvaldo Quinzeiro 

Os tempos são de completas  escuridões, e as tragédias, como as que estão ocorrendo no Río Grande do Sul, reveladoras dos detalhes macabros. É preciso, pois,  muita atenção ao que não aparece no nosso primeiro plano de visão. É necessário uma leitura mais apurada dos espantosos acontecimentos!


Por exemplo , há entre nós quem não seja mais humanamente um de nós! Eis o que também as tragédias do Rio Grande do Sul têm revelados. É claro que, para o bem de todos ,  temos anjos!  O esforço de solidariedade de várias partes do Brasil e de vários setores da sociedade, revela isso. Contudo, estamos também diante de monstros que saqueiam , abusam e disseminam o caos. Mas não só estes. Há entre nós aqueles monstros disfarçados de cordeiros , e que se utilizam da audiência de seus milhares de seguidores para propagarem ódio e mentiras - para estes o que interessa é,  o quanto pior,  melhor! São estes uma nova espécie de urubus, com todas as desculpas as velhas. Sim, estas novas espécies são os urubus da necropolitica!


Ora, talvez  seja esta uma função pedagógica das  tragédias atuais, seja aqui no Brasil, seja em Gaza , seja  na Ucrânia - a de revelar no que nós de fato nos transformamos!


Sim. A fila dos que acreditam sinceramente que são dignos de entrar no céu é gigante! Há qualquer momento, pensam, ocorrerá o arrebatamento!


Meu Deus! As tragédias em si são monstruosas, mas revelam também pedagogicamente que não somos santos nem aqui , onde todos precisam de ajuda, e muito menos nos céus!


Por fim, quase como no conto de Chapéuzinho Vermelho, o bicho que corre atrás de nós, vive em nós e se alimenta de nós à espera de condições para jorrarem seus vômitos!


Amém?



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

O Kama Sutra e o futebol: qual a melhor posição?

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.