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A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica advertindo sobre a chegada da “besta fera”!

A “passagem da roda grande por dentro da pequena” aponta entre outras coisas, a prevalência da vontade dos excluídos em detrimento da vontade de uma minoria. Ou seja, uma transformação político-economico-socal na qual os anseios do povo, possam enfim, ser realizados.

Em outras palavras, em tempo eleições nada mais oportuno de se aludir ao “arquétipo” dos excluídos por este Brasil afora, a saber, a “roda grande passando por dentro da pequena”, isto é, a esperança de dias melhores para todos, e não apenas para uns poucos – a roda pequena! Aliás, a “roda pequena” não só se consolidou como se impermeabilizou!...

Mas, assim como Canudo destruído no auge da sua “engenharia”, como acreditar que os eleitos ouçam os apelos daqueles que já não contam com Antonio Conselheiro?

Comentários

  1. parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=2TMunMOvuM4
    parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=oMFfbZPMnMQ

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