Pular para o conteúdo principal

O barco de Pedro, a fartura de peixe, e a falta de pescadores?


Por Gilvaldo Quinzeiro

 

Nestes tempos difíceis “em que a fé se evapora”, conforme palavras do agora não mais Papa, Joseph Ratzinger, “o barco de Pedro”  segue em busca dos  peixes... Mas eis que o problema agora  é como fisgar  pescador!

O próprio Pedro, não sua fome por comida, já havia desistido de lançar as redes ao mar, posto que, não havia peixe algum. Todavia, outro pescador, Jesus Cristo, lhe persuadiu a retornar ao barco e a jogar as redes!...

Pois bem, o século XXI está grávido do vazio. Oferecer todo o mar como isca, poderá, no entanto, a afugentar os peixes. Então, temos mesmo que fisgar é o pescador! Mas, quem de nós, na nossa condição de meros espantalhos, saberá finalmente dizer: “você tem fome de quê”?

Em outras palavras, estamos afogados no nosso vazio! Quisera que fosse no mar? Que paradoxo vivemos!

Pasmem! A alma é exatamente aquilo que nos escapa! Tornar-se dela pescador é no mínimo fazer o papel de isca. A questão, porém, é quando se dá conta de que já está sendo almoçado!...

E ai peixe?

 

 

 

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...