Pular para o conteúdo principal

As poucas ‘cordas’ da nossa subjetividade?


Por Gilvaldo Quinzeiro


Neste “janeiro branco”, campanha nacional voltada para a prevenção dos problemas de ordens mentais, bem como no trata da nossa subjetividade, não é que agora mesmo me deu um “branco!”...

O quê? Como? Sei lá! Era isso mesmo?! Ufa!

Ora, o que queria mesmo era poder trazer de volta as imagens, que me eram alimentadas no tempo em que ouvir um rádio, era também abrir caminhos, portas e janelas... Ouvir era, portanto, a forma de se apreender o mundo!

A imagem de um rádio sobre a mesa se enchia com o cheiro de terra vindo lá dos quintais. Tempo onde o termo vizinhança dispensava quaisquer abstrações, e onde as conversas eram ouvidas saboreando uma xícara de café.
E hoje quem ainda tem ouvidos?

A propósito o que estas imagens de gente esfolada e compartilhadas como se fossem comidas, pelos celulares, de mão em mão, o que falam do brilho dos nossos olhos?

A propósito, o que estas músicas de hoje com quase só um refrão, e que nos evidencia mais a bunda do que a cabeça contribuem para a nossa subjetividade?

Sim!  Era disso que queria falar.  Agora me lembrei: a subjetividade!

A subjetividade – cordas com as quais amarramos o pescoço, e ouvimos as nossas vozes como se dos outros fossem. Aliás, falando na nossa possível falta de subjetividade, uma frase para isso: “há muito mais pescoço sem cabeça andando por ai do que possamos imaginar”!

Uma boa noticia, entretanto, sentamos com a nossa bunda! Na dúvida do que pensar: sente-se, amigo!

Quem ainda tem uma cabeça (ufa!), mantenha-a no lugar, e não a confunda com os refrões daquelas músicas!

Tá?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Medicina cabocla

Gilvaldo Quinzeiro





Coceira nenhuma é igual a do “gugumim”, pra esta não tem água morna, quente ou fria: só o gargarejo de “malva do reino”!


Noite adentro, quando se escutava o pilãozinho sendo socado, era menino precisando passar por alguma esfregação, seja com azeite de mamona ensopado num algodão, seja com um dente de alho esquentado nas chamas de uma lamparina!


Nos casos mais graves de dor de barriga, se recorria ao sarro de cachimbo passado em cruz. E ai do menino metido à besta que se recusasse tal procedimento da medicina cabocla  – o cinturão estava já bem às vistas!...

O máximo que se poderia dizer era: mamãe!...