Pular para o conteúdo principal

Filosofando as coisas da nossa “cachaça”



Por Gilvaldo Quinzeiro

 

“O nada”, quando contemplado é nossa porção. Logo,  não existiria “o tudo” sem que neste não estivesse presente os nossos olhos. Olha, veja só, isso tem uma implicação de uma responsabilidade filosófica muita grande. Dito com outras palavras, se não somos os engenhos das coisas todas que nos embriagam, mas certamente em todas elas acrescentamos a “nossa cachaça”.

De fato, o ato de aprendermos a ficar em pé, não ocorreu sem que não  levássemos muitos tombos, e, mais do que isso, demos um jeito de colocar os nossos pés na realidade. Ora, isso não quer dizer que o mundo parou de sacolejar; pelo contrário, nós é que em certo sentido, aprendemos a acrescentá-lo o nosso próprio sacolejo. No mais, tudo a rigor,  continua de cabeça para baixo!...

Mas, voltando a falar da “nossa cachaça”, com que olhos teríamos a coragem de contemplar a dura realidade, senão, fazendo desta o nosso próprio carnaval?

Enfim, o homem, na medida certa bebe a realidade. Quando não, tudo, enfim, é exagero. Esta é a “cachaça” dos que  apenas pensam friamente!

Tim-tim!

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...