Pular para o conteúdo principal

Bom dia, a todos!


Por Gilvaldo Quinzeiro






O passar da vida de todos os dias e de todos os anos é como uma vida assustada de um goleiro debaixo das traves, onde todo jogo, faça chuva, faça sol, faça frio ou calor, ele precisa fazer repetidas vezes a mais bonita defesa!

A vida é o jogo jogado; é o suor a escorrer pela testa; é a mão trêmula de tanto cansaço; é o grito quase silenciado a sobrepor o barulho das vozes dos que só ouvem a si mesmo; é o olhar bonito sobre tantas coisas feias; é a mais grossa das mãos a lapidar a mais fina das esculturas!

Hoje, cada vez mais do que ontem, eu aprendo a admirar os sapos por, a despeito de não serem ‘espelhos’, ainda assim, continuam a ter olhos cuja visão das coisas, provavelmente, é a mais bonita do que todas!  

A vida não é o que dela se pensa, ainda que pensar seja algo elevado, mas o que dela se faz por mais pouco que seja; por mais estéril o terreno em que venhamos fincar as sementes!

Enfim, na vida nada somos e nada temos: viver é apenas aprender!









Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...