Pular para o conteúdo principal

Como esquecer da moça, se (a moça) é ele?


Por Gilvaldo Quinzeiro






Somos todos ‘espelhos’, e, enquanto tais, engolidores da presença de outrem. Por isso, é difícil não haver quem não se sinta ‘grávido’ daquilo que não se pode dar à luz!

O dito acima é uma provocação ao discurso a respeito do luto e das perdas.

Ora, como se falar de perda em relacionamento se a rigor ninguém de fato pertence a ninguém?

A pouco eu presenciei a seguinte conversa: “o fulano de tal, mesmo após o fim do namoro, nunca esqueceu aquela moça, e, de vez em quando ele a presenteia”! Ao ouvir isso me veio a seguinte frase como resposta, “como esquecer da moça, se (a moça) é ele”!

Às vezes o que não conseguimos esquecer na perda do Outro, não tem nada a ver com a perda deste, e sim, com aquela parte de nós que só se tornou ‘espelho’ enquanto outro!

Por fim, este ‘fulano de tal’ ao presentear esta moça não estará dando o presente a si mesmo?


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...