Meu Jesus?
Por Gilvaldo Quinzeiro
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Foto: Reuters/ João Castellano |
Sem os símbolos, não perceberíamos que a nossa existência
é volátil, quanto uma bolha de
sabão. Uma das nossas ‘cruzes’ é,
portanto, para não nos desmancharmos diante de tudo que se evapora!
A imagem de Jesus
Cristo crucificado é sem dúvida, um dos
mais poderosos símbolos da nossa civilização ocidental – a vida e a morte fundidas num único esforço. A
guerra e a paz separadas apenas por um gesto.
Mas, quem foi Jesus Cristo? A quem interessa vê-lo crucificado
para sempre? Que ‘Jesus’ se sacrificaria
nos dias de hoje e por quem? Por que tanto esforço para termos o monopólio da
sua imagem?
Pois bem, no meu entendimento, com a atual crise
política, que atinge a todos os partidos políticos brasileiros, este ‘vazio’,
digamos assim, é ocupado por dois movimentos sociais de peso, a saber, os
evangélicos e LGTB (Gays, Bissexuais, Travestis,
Transexuais e Transgêneros). De um lado, a marcha para Jesus; do outro, a marcha gay. Cada um, a seu modo, reivindica ou
reinventa a ‘imagem de Jesus’(?).
A 19ª parada do orgulho LGTB, realizada no dia 7, na
cidade de São Paulo, rendeu muito que falar. No centro da discussão, a cena
protagonizada pela atriz transexual
Viviany Beleboni, que se prendeu na cruz, numa imitação á crucificação de
Jesus. Em resposta, um grupo de parlamentares cristãos fez uma manifestação no
plenário da Câmara, na quarta-feira (10), contra o que foi chamado por eles,
como um ato que “fere a família”.
A questão é complexa, não tenho dúvida. Mas, além do seu conteúdo,
social, político, econômico e teológico, há uma pela qual eu tenho um particular interesse – o
antropológico (e psicanalítico) – qual a face do novo Jesus? Que grupo melhor a
representará? Quem sentirá acolhido ou excluído?
Portanto, estamos com muita dor, assistindo o parto de um novo
mundo, mas o problema é: para quem este novo mundo significará o “fim”?
Bom domingo a todos!
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