Pular para o conteúdo principal

A mão, a pipa, a felicidade e por que não as eleições?


Gilvaldo Quinzeiro    





Como a mão que empina a pipa, e a outra que acena aos céus, a felicidade é um exercício diário de mãos dadas, inclusive com aquelas que são invisíveis aos nossos olhos. Aliás, é a terceira mão que aponta para  as outras duas,  a linha que desaparece enquanto a pipa vara os céus!...

Pois bem, a questão é que nem todas as manhãs o tempo está para a pipa, e aí o que fazer com tantas mãos que nos sobram?

Ora, pegando a linha que nos une ao contexto, eu diria que nunca as mãos nos assombraram tanto como aquelas que decepam as outras para fazer destas as substitutas das pipas.

De fato,  nestes dias faltaram linhas para juntar tantas mãos que se estivessem empinando pipas, as suas outras duas,  não teriam sido colhidas com  o lixo que se espalha por toda a cidade.

Por falar em lixo,  com que mão se escolherá aquela que depois do dia 03 de outubro controlará “os cofres” do município? É aqui  onde todas as outras mãos poderão ser esmagadas pelo peso de uma só!...

E assim, sem linhas, sem mãos e sem pipas, o que se tornará mais distantes que as nuvens é a felicidade.

Mas, por enquanto pipa é dinheiro;  cuidado para que  logo mais não seja  a sua mão!


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...