Pular para o conteúdo principal

Psicanaliticamente falando, o meu pai é "o cara"!


Por Gilvaldo Quinzeiro

 

Se ao pai fosse dado a condição de pássaro; depois que os seu filhotes “ganhassem asas”, quem retornaria ao ninho por sua causa? Ainda bem que o Dia de hoje se reporta ao Pai na condição de homem! Porém, é preciso que se diga que, ser homem apenas, não é ter atributo de pai, posto que, a figura do Pai se constitui na principal “trinca” do processo civilizatório.

Partindo de uma premissa de cunho psicanalítico, afirmamos que, a mãe é Mulher e muito “íntima” dos filhos, de sorte que, se o pai fosse visto pela sua prole apenas como um homem qualquer – a confusão estaria feita e para sempre!

Portanto, como diria Lacan, a presença do pai, é simbólica. Eu acrescento:  a presença do pai é metafórica, mas, cortante -  sem a qual, a “mão” do filho jamais permaneceria no lugar onde “imaginamos” que deva estar!

Ora, o dito acima teve um propósito inicial, qual seja, o de nos chamar atenção para o seguinte:  ser Pai não é fácil, pelo contrário, é quase humanamente impossível sê-lo! Se tivéssemos que chamar o pai por uma expressão redundante e atual seria: “este sim é o cara”!

Sim, meu pai, você “é o cara”! Parabéns por tudo! Inclusive por ter conseguido me colocar no meu devido lugar!  Mas, não se que esqueça meu pai que a sua mulher é também minha Mãe!

Feliz Dia dos Pais!

 

Comentários

  1. Ilustre amigo, vim colher um pouco de perfume de sua pena artística e intelectual.
    Um abraço a partir de Angola, Soberano Canhanga

    ResponderExcluir
  2. Obrigado, bela sua ilustre visita amigo "Soberano Canhanga"! Alegro-me com sua presença! Seja bem-vindo! Fique a vontade! Obrigado!!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...