Pular para o conteúdo principal

‘Ok’, amigo, entendi. Tudo normal!


Por Gilvaldo Quinzeiro



Pelo ‘ok’ da nossa conversa, conclui-se que tudo está ‘normal’. O problema, amigo, é que o ‘diabo’ também está achando a mesma coisa que nós todos: tudo está perigosamente normal!

No dia 7 de agosto, François Patrick Nogueira, 19 anos, matou uma família inteira.  O fato aconteceu na Espanha. O caso foi acompanhado em tempo real por um colega, na Paraíba. Os corpos foram esquartejados e ‘armazenados’. Nogueira morava com a família. 
Ele era sobrinho de uma das suas vítimas, Marcos. Este caso pode ter ganhado o noticiário internacional, porém, infelizmente, não é diferente de tantos outros casos, que vêm acontecendo no seio familiar.

Normal?

‘Ok’, da próxima vez tome cuidado quando for usar esta frase, ‘normal’, especialmente como respostas – como vai a sua família?  

O mundo está ‘grávido’, amigo, isso é certo e anunciado, a dúvida reside em quem o parirá por nós – dores já sentimos demais! O seu parto, seja quando e onde for, não será ‘normal’.

Por que esta sua cara de susto, amigo?

Buáá!


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...