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O caso dos palhaços: nada de riso. A coisa é séria mesmo!


Por Gilvaldo Quinzeiro


Os recentes casos de aparecimentos de ‘palhaços sinistros’ em várias partes do mundo, como nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e até no Brasil, vêm deixando as autoridades de segurança em alerta. As notícias dão conta de casos de histeria coletiva.

Se tudo não passa de uma simples ‘pegadinha’ ou não, o fato é que o medo vem tomando conta especialmente das crianças e dos jovens. Fotos e relatos do aparecimento do tal palhaço têm se tornado uma febre nas redes sociais.

Diante disso, muitos se aproveitam para espalhar uma onda de terror. Com medo de danos que possam ser provocados, principalmente as crianças, especialistas tentam explicar o assunto.

Neste texto, sem querer esgotar ou dar explicações técnicas sobre o fato, nós vamos aproveitar para fazer algumas ilações, isso porque até agora nada se sabe de concreto sobre as tais aparições. Por outro lado, iremos também levantar outra discussão que, em nossa opinião nos parece pertinente que é o dos games ou do mundo virtual.

Pois bem, para o cérebro que ‘amamenta’ as nossas ações, sendo muitas destas ações, de natureza inconsciente, não há aquilo que hoje chamamos de ‘realidade virtual’: tudo é a mesma caverna primordial, ou seja, a realidade em ‘carne viva’. Nestas condições, morrer ou sobreviver faz grande diferença, seja na luta renhida pela sobrevivência, seja numa disputa de um game.

Bem, ao menos por este ponto de vista, não há realidade, ainda que virtual que não seja devoradora: uma simples máscara, como a dos palhaços, pode sim, deixar uma criança em real desespero.

Um game feito com a mesma tecnologia usada nos filmes, pode deixar marcas profundas em seus usuários, incluindo a dificuldade de voltar para o chamado ‘mundo real’.

Por falar em disputa de jogos, cada vez mais os jornais noticiam a morte de jovens em ou com motivação nos games. O caso mais recente aconteceu sábado, dia 15, em Santos (SP), com Gustavo Riveiros Detter, 13 anos, vítima de enforcamento, depois de ter sido derrotado num ‘jogo virtual’. O seu enforcamento foi presenciado online pelos demais participantes, que avisaram aos membros da família.

Não é para sorrir. A coisa é séria! Não há diferença entre o chamado ‘mundo real’ e o ‘mundo virtual’. Por isso, as autoridades, os pais, os professores, os psicólogos, precisam se dar conta de que estamos diante um problema real.

Uma histeria coletiva seja, por conta da presença de palhaço, seja por outro motivo, dentro ou fora da escola, pode trazer consequências imprevisíveis.


Estamos no mês de outubro, mês em que se comemora o dia das bruxas, 31, e fatos desta natureza costumam ser propagados. Quem não se lembra da “Big Loura”?

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