Pular para o conteúdo principal

A civilização das imagens X o nascimento dos bebês



Por Gilvaldo Quinzeiro

 

O nascimento dos bebês.  Diante de tantas mãos ocupadas; ocupadas com outros partos – o dos flashes -  nascer hoje significa  ouvir  antes da  pronuncia do seu próprio  nome, ser batizado com uma fotografia! Fotografia esta que a despeito da ausência de  mãos que amparariam o bebê – é acolhida pelo mundo inteiro!

Que lindo, não?

Visto por este ângulo, os bebês de hoje são mais bem recepcionados do que os de outros tempos. Ledo engano!

A maquiagem do nascimento dos bebês de hoje, os tornam apenas frágeis “pintos pelados”! Tempos depois, aprenderão que adquirir pena, não é como revelam “as fotos”  dos seus pais! Tudo enfim, é duro demais!

Que pena?

Por outro lado, os meninos já “homens” não conseguem ser mais meninos. Os quintais, por sua vez, cederam lugar para “bolhas ilusórias”.  É aqui, isto é, nestas “bolhas ilusórias”  onde poderão ser gestados os mais terríveis e complexos de todos  os “engenhos” – o dos meninos assassinos!

A violência é uma fábrica de imagens. Muitos  não se alimentam hoje  de outra coisa!... Pois bem, são   nestas imagens que podemos nos dar conta não só  dos nossos corpos fragmentados, como também senti-lo de volta. De volta? Como assim?

Lembrem-se que aquele outro (o corpo) nos foi roupado  e só “cuidado” naquelas primeiras fotografias! O novo corpo, o real, se descobre do mais bruto jeito:  atirando-se  violentamente contra a realidade desconhecida!

Um bom dia a todos para se pensar!

 

 

 

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...