Pular para o conteúdo principal

O cão e as amizades



Por Gilvaldo Quinzeiro

 
 

As conversas  de porta de casa. Quem delas não  sente saudade? Parece ter sido ontem. Mas se analisarmos bem, as conversas de porta de casa, estas,   ocorriam de fato no “outro mundo” – naquele que acabou sem ao menos nos darmos conta!

Sim, o mundo acabou! O que temos hoje é apenas dores de partos -  dá à  luz que é bom  - nada!

Hoje, as conversas só acontecem (quando acontecem) na fila dos bancos, e o assunto é: “fulano foi assaltado ontem à noite”. “beltrano caiu no golpe do sorteio do milhão”. “O filho de sicrano morreu de acidento de moto”. Até os velhinhos da zona rural, que antes quando encontravam  com um outro conhecido, perguntavam: “compadre já terminou a planta de arroz”? Hoje, infelizmente, o assunto não é mais este!...

“O bicho” pegou!

Pois bem, nestes dias de diálogos curtos e suspiros profundos, o homem em “carne viva”, não ver a hora de ser substituído pelas máquinas! Não seria melhor pelos cães?

Por falar em cães,  uma cena de um cão seguindo uma ambulância , que levava para o hospital um morador de rua, me comoveu bastante! Este fato ocorreu em Brasília. Já outro  caso, também envolvendo um cão, se deu no Rio Grande do Sul, onde um cachorro pacientemente aguardava na porta de um hospital,  o seu dono, um morador  de morador de rua, internado há 8 dias.

Como vimos, nestes exemplos, de todo, nada está perdido!  Ainda nos restam os cães a nos ensinar entre outras coisas, a importância da amizade!

 

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...