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A História está também no divã. Afinal quem não está em crise no mundo?


Por Gilvaldo Quinzeiro


Cada vez mais, eu tenho interesse pelas coisas e o mundo. Como se sabe, o mundo dar tantas e tantas   voltas, que, “éguas” daqueles, que pensarem que para suas razões todo terreno é fértil, pois, contrariando as suas convicções, a próxima volta do mundo poderá ser de outras sementes. A bem da verdade, não há “verdade” sem que esta não seja contextual. E assim sendo, neste exato momento, eu posso ser a Maria Madalena sendo apedrejada.

É espantoso como as redes sociais, têm sido espaço de “apedrejamento”. Todos apostos de pedras nas mãos. Porém, um detalhe me chama mais atenção, qual seja, aqui não há nenhuma Maria Madalena – só “Jesus”!

Sim, a História também está no divã, graças a Deus!  Em conflito, os homens seus parteiros. O contexto atual: “de caça às bruxas “. O que se discute no tribunal – quem foi filho de “deus ou do diabo” no mundo passado?

A propósito, eu vi uma postagem “metendo o cacete” no pobre do Karl Marx – uma verdadeira genealogia maldita da figura desse filósofo, que não é grego, mas “alemão”.  No final da mensagem, o texto dizia mais ou menos assim: “este é  o Deus dos socialistas”!

Meu Deus que diabo é isso? Precisamos mesmo desenterrar os mortos para virem atender as nossas preces? Que volta é esta que este mundo deu? Por quem mesmo estamos atirando as pedras? Quem de nós não devoraria o outro pela imposição das nossas convicções?

Eu sinto hoje, um certo cheiro daqueles tempos medievais, onde cristãos e muçulmanos convictos das suas “verdades” estraçalhavam uns aos outros com a mesma fome, que alimentava os lobos.

Portanto, assim como nós, o mundo possui “bunda e cabeça”. É possível que neste seu novo “realinhamento”, usando uma expressão que também se encaixa com o do Cosmo, este agora deve estar de cabeça para baixo. Melhor para quem? – ora, a responda poderá vir tão rápida, quanto   grossa, mas eu prefiro mesmo chamar atenção para a necessidade de que precisamos mesmo é fazer muitas reflexões!

Refletir neste mundo tão conturbado, como o nosso atual, não significa necessariamente ter pressa ou prece pelas nossas respostas, mas a prova de que não obstante, todas as suas voltas (as do mundo), precisamos aprender muito mais!

Por fim, que as pedras em nossas mãos,  já prontas para serem atiradas em direção ao outro – o Outro que  pode  nos parecer tão estranho, assim como fora Jesus para os homens de sua época - sejam usadas para a reconstrução de um novo mundo, e para começo, a principal delas é tolerância!







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