Pular para o conteúdo principal

Os escaravelhos e os ajustes econômicos


Por Gilvaldo Quinzeiro

 

“Os faraós” desse mundo se agigantam ao erguerem pirâmides de dinheiro. Para estes, assim como para aqueles do passado, é muito fácil edificarem suas estatuas em ouro, diante de tantos que se afundam nos estercos!  Com uma diferença, porém, os “faraós” dos nossos dias, desconhecem o papel dos escaravelhos em efêmeros papeis carimbados.

Os ajustes fiscais, o aumento dos juros, os cortes nos orçamentos, a perda dos direitos trabalhistas duramente conquistados em “nome” do que quer seja, significa o sacrifício para se erguer pirâmides para garantir a “salvação” de poucos – enquanto   se destina o inferno para a maioria!

Em outras palavras, não há nada de  “novo” no mundo, senão o jeito de se matar em nome de velhos interesses!

Por falar em velhos interesses, os gregos estão indo à forca sejam quais forem à decisão tomada.  Ficar ou sair da União Europeia é uma decisão que altera a   sua espinha dorsal. Para quem assiste esta crise de barriga cheia, pode ser apenas mais um tempero. O bicho é pra quem está de barriga vazia – ai sim é pimenta malagueta ardendo naquele lugar...

No Brasil, o erro foi subestimar a  “marolinha”, isto é, não ter preparado a tripulação e o barco para as fortes tempestades! Ou seja, o velho hábito de empurrar o cisco para debaixo do tapete resultou em merda! Bom para os escaravelhos da nossa política!

 E agora o que fazer? O que ou quem precisa apodrecer para se iniciar um novo ciclo? Haja escaravelhos!

Por fim, atordoados, os brasileiros começam a sofrer o seguinte dilema: salvar os dedos ou permanecer com  os anéis!

Boa quarta-feira a todos!

 

 

 

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...