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A coisa, a mão e a palavra: trempe da civilzação

Gilvaldo Quinzeiro





1 - A coisa, a mão e a palavra constituem-se na “trempe” cujo fogo forjou o nascimento da civilização.

2 - A coisa é prevalente, representa a natureza. A mão é a resposta em reação a coisa. A palavra por sua vez é substituta da mão, enfim, o triunfo sobre a coisa (?).

3 – E, assim nesta tríade, a mão sobre a coisa na intenção de ocultá-la foi mais reveladora do que a “coisa exposta", ou seja, a coisa ainda assim escapava ao controle da mão.

4 - O “nó civilizatorio” surge enfim com a palavra! A palavra, portanto, é a mão sobre a coisa. A diferença, no entanto entre a mão e a palavra é que esta não só oculta de fato a coisa, como a assassina.


5 – Assim sendo, a palavra mesmo falada entre amigos é a arma que usamos para matar. Se não morremos antes, é porque matamos quem a empunhava contra nós.


6 - A palavra, pois, é a mão sobre coisa numa época em que há mais mãos do que coisas a esconder. Com efeito, a palavra sem ser o representante da coisa, é a mesma coisa da coisa sem o amparo da mão, isto é, torna-se inefável e o sujeito que assim a proferir – um simples matador da coisa.



7 - Matar ou morrer, com e pelas palavras, é um exercício tão duro, quanto o de engatinhar e manter-se em pé sem ajuda do Outro. Isto é, o desejo de todo homem eloquente, é falar todas as palavras antes que o Outro possa as roubar de si. Mas, seu triunfo será comemorado com quem?


8 - Se de fato a palavra “mata a coisa” conforme afirmação de Lacan, então ou a palavra que é a representação da civilização morreu ou a coisa que representa a natureza ganhou uma dimensão gigantesca a ponto das palavras perderem o sentido. Por que matar a coisa se a palavra só se faz sentido quando a coisa representar?

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