Pular para o conteúdo principal

A simplicidade como a elegância de todos os presentes!


Por Gilvaldo Quinzeiro



O passado é a janela sem a qual não se veria o presente. Vendo a elegância de Bibi Ferreira, não há como não se pensar o quanto falta em nós para sermos bonitos!

Bibi Ferreira é de uma elegância e lucidez impressionante! Os jovens, e todos nós deveríamos aprender muito com ela, especialmente, no que diz respeito, a falta de referência no quesito apego à vida, bem como ao compromisso profissional!

Hoje pela manhã assistir uma entrevista de Bibi Ferreira concedida a Roberto D´Avila: uma verdadeira aula de bem-viver! Uma lição de vida!

Nesta manhã de 25 dezembro, Natal, eu quero falar de coisas caseiras, como o fogão à lenha; do cheiro do café das manhãs; de quase nenhum presente, mas de uma fartura de abraços e risos verdadeiros.

Como disse Bibi Ferreira, “na vida precisamos ter senso de humor”! Sim, chega de ‘embalagens’ caras e conteúdos duvidosos, que não duram ou que só duram o tempo de uma selfie, e nada mais!

Pensando em senso de humor, na verdade, esta é uma receita infalível, sobretudo em tempo de crise. Rir faz bem, agrega e relaxa a musculatura da face – a mesma que a gente usa quando quer sair bem numa foto!

Se soubéssemos melhorar o nosso senso de humor, estaríamos ao mesmo tempo sendo elegantes. O Natal, passaria a ter um significado que não aquele da ‘obrigação’ dos presentes!

Por falar nisso, isto é, da ‘obrigação’ dos presentes, se volvêssemos àquela noite de dezembro em Belém, há 2015 anos, daríamos conta de que, somente os animais presenciaram o nascimento de um rei. Por isso, na versão cabocla do Natal, é o galo que anuncia o nascimento de Jesus; fato este que é repercutido pela ovelha. Que simplicidade, não?

O Natal Caboclo, não tem presentes ou pelo menos no que se refere a obrigação deles, até porque, não se teria como cumprir, mas tem uma coisa que encanta: a simplicidade. Hoje por exemplo, se tivesse chovendo, seria um dia de plantio. O caboclo chama esta data simplesmente como o “o dia do nascimento”. Por isso, se preferir plantar nesta data!

Que o Natal seja a semente. O dia a dia seja como a terra a ser plantada, e cada um de nós, como o simples homem do campo a ter esperança no seu plantio!


Feliz Natal a todos!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A roda grande passando pela pequena

Gilvaldo Quinzeiro


No imaginário caboclo, desde a fundação de Canudos no sertão da Bahia (1893-1897), onde a seca e a fome fizeram da “fé” a enxada que escavava a solidariedade de um povo sem chão, o mito “da roda grande passando por dentro da pequena” foi sem dúvida nenhuma uma das mais engenhosas invenções da saga de Canudos.

A idéia de que uma “ roda grande passará por dentro de uma pequena,” é simplesmente assustadora e instigadora de uma reflexão. Seria esta passagem correspondente ao fim do mundo? Que roda grande é essa? Quem viverá para presenciar tal profecia?

O fato é que ainda hoje este mito sobrevive no imaginário nordestino, sobretudo no meio rural provocando apreensão e “matuteza”. Canudos ainda resistem?

Pois bem, às vésperas das eleições, o cenário montado, onde cabos eleitorais empunhando bandeiras e distribuindo “santinhos” dos candidatos, chamando atenção do povo - é de uma natureza tal que inspiraria um cordelista a escrever versos numa visão apocalíptica adver…

A FILOSOFIA CABOCLA, RISCAR O CHÃO.

Gilvaldo Quinzeiro

O caboclo quando risca o chão está pensando. Aliás, no caboclês ou no nheengatu se diz matutar. Riscar, pois, o chão com a ponta dos dedos, significa manipular com as mãos o abstrato, ou seja, pensar usando a “cabeça dos dedos”, termo bem apropriado para a filosofia cabocla. Diga-se de passagem, que a “filosofia cabocla” é única que tem explicação para tudo, do contrário o que seria o viver destes homens? “Quem não pode com a” rudia não pega no bote” - diz assertiva cabocla.
Besta é quem pensa que matuto não vive de matutar! Aliás, nas condições enfrentadas pelo caboclo, o pensamento que não corresponde à praticidade, é o mesmo que riscar o chão com o dedo para depois ter o risco apagado pelo vento, o que levou em seguida o caboclo a fazer uso de um graveto para, não obstante as intempéries continuar o seu pensar, isto é, riscando o chão.
Riscar o chão com o graveto em substituição aos dedos, não só significou apenas deixar marcas humanas mais pr…

Metáfora da natureza

A natureza....

quando ouvida no mais profundo do nosso silêncio...

nos dá ouvido

nos enraizando os sentidos... que dialoga quando se dá atenção....

nos fazendo ver além... o belo...